Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Posts com a tag "Livros"

Woody Allen mais uma vez

29 de novembro de 2010 33

Fui assistir ao novo filme do Woody Allen, “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos”, que não traduz literalmente o título original “You will meet a tall dark stranger“, ou seja, “Você vai conhecer um estranho moreno e alto”, que serve como metáfora para a morte. O cineasta empacou nessa temática: a vida não tem significado e, cedo ou tarde, crau. Por mim, ele pode empacar nesse tema à vontade. Compartilho com ele o fascínio por essa busca infrutífera pelo sentido da vida. Caso a gente aceitasse de fato que esse sentido inexiste, quase a totalidade dos nossos problemas desapareceriam.

No entanto, não saí deslumbrada do cinema. Achei o filme agradável, que é o mínimo que se pode achar de um filme de Woody Allen. É leve, despretensioso, e de uma graça muito sutil, muito mesmo, quase imperceptível. Gostei, mas não gamei, como costumo gamar em quase todos os outros. O filme do primeiro semestre, “Tudo pode dar certo”, achei bastante superior. O problema foi o roteiro? Não sei. Tenho impressão de que o elenco não foi bem escolhido, ainda que muitos críticos digam que é justamente o que salva o filme. Naomi Watts é bonitinha, mas não brilha. Antonio Banderas não diz a que veio, totalmente insosso. Anthony Hopkins, que é um ator extraordinário, parece não ter tido tempo suficiente para absorver o papel que lhe deram.

Josh Brolin não convence como escritor fracassado, e Freida Pinto é a indiana lindinha que foi revelada em “Quem quer ser um milionário”, mas num papel ínfimo que não lhe permite nenhum grande momento. As duas melhores atuações são de Gemma Jones como uma sexagenária em crise e Lucy Punch como garota de programa. Você não conhece a maioria deles? Toque aqui, eu também não conhecia.

Na saída do cinema, ouvi um comentário de uma espectadora: “Que maravilha!”. Sendo eu uma fã absoluta de Woody Allen, me deu saudade de mim mesma, eu é que costumava dizer essa fala, mas o fato é que não achei uma maravilha. Óbvio que tempo perdido tampouco foi, Woody Allen sempre encanta pelo despojamento, pela classe, pela trilha sonora e pela direção extremamente naturalista, mas “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos” não matou minha abstinência habitual: fiquei ainda mais ansiosa pelo seu próximo filme.

————

Mudando totalmente de assunto e me permitindo compartilhar com vocês minha vaidade, segue o link para a leitura do texto que o Tony Belotto postou em seu blog na revista Veja. Quem tem amigos, tem tudo.

http://veja.abril.com.br/blog/cenas-urbanas/cenas/quem-tem-medo-de-martha-medeiros/

Beijos!

A vida segue

24 de novembro de 2010 16

Oi, desculpem a demora de atualização do blog, é que ando numa corrida insana. Nesta quarta estou voando pra São Paulo, onde gravarei entrevista com Marilia Gabriela para o programa do GNT. Assim que souber a data em que irá ao ar eu aviso aqui mesmo pelo blog.

Entre um voo e outro vou tentando colocar a leitura em dia. Gostei muito de Os íntimos de Inês Pedrosa, mas devo estar meio sequelada, porque o resumo feito pelas resenhas  não bate muito com o que percebi do livro. Ainda assim, prosa da mais alta qualidade.

Li um livro muito engraçado. Chama-se Eu, minha (quase) namorada e o guru dela, do inglês William Sutcliffe, de quem nunca tinha ouvido falar. Leitura ligeira, com muitos diálogos, sobre um garotão que resolve fazer uma viagem pra India só pela oportunidade de estar perto de uma garota: a turnê, que era pra ser uma experiência espiritual (e sexual), se revela catastrófica. Adoro quando os ingleses apostam no politicamente incorreto. Me diverti.

Li também o excelente Um erro emocional, do catarinense Cristóvão Tezza. Uma prosa totalmente inventiva. A história permeia a mente de um homem e uma mulher dentro de um apartamento, criando um suspense muito intimista. Pra quem gosta do gênero, invista.

E estou lendo agora Louco para ser normal, do psicanalista Adam Philips, um sujeito que acompanho há alguns anos e que nunca me decepciona. Qual a diferença entre sanidade e loucura? Acho fascinante este tema. Não terminei o livro ainda, mas ele já está bastante sublinhado. Em breve, crônica a respeito.

Ainda esse semana eu conto como foi a entrevista com a Gabi.

Beijos!

Inhotim e David Lodge

28 de junho de 2010 17

Olá!

Nesse último final de semana realizei um desejo: conhecer o Instituto Inhotim, localizado em Brumadinho, MG. Inhotim é um parque enorme que reúne diversas galerias de arte contemporânea junto a um jardim botânico de tirar o fôlego. A ideia, em si, é bárbara: unir obras de arte feitas pelo homem a obras de arte criadas pela natureza. Além das galerias, há também obras expostas a céu aberto. É um passeio imperdível. Brumadinho fica a cerca de 50km de Belo Horizonte, mas quem quiser saber detalhes mais precisos, pode acessar www.inhotim.org.br

*

Gosto de arte e gosto de natureza, mas não deu empate: dessa vez, a natureza me impactou bem mais. De todo o passeio, foram as caminhadas entre as diversas espécies vegetais que mais me deram prazer. E também a parada estratégica para o almoço no restaurante do parque, um local moderno, charmoso, superbem decorado e com um buffet excepcional. Uma delícia almoçar embaixo das árvores, naquele ambiente inspirador.

*

Quanto à arte contemporânea, não sou a pessoa certa para falar a respeito, porque não consigo abstrair o suficiente para entender as chamadas “instalações”. Gosto muito de pinturas, esculturas e de algumas experimentações que se fazem em nome da arte, mas experimentalismo demais me parece um embuste. Volto a dizer, não sou entendida no assunto, é opinião de uma leiga absoluta. Já vi muito coisa sem sentido (ao menos pra mim) em bienais de arte no mundo inteiro, e em Inhotim não foi diferente. Projeções de vídeos caseiros totalmente nonsense, vidros encostados na parede, salas vazias com sons obscuros saindo de alto falantes, salas escuras com efeitos de luzes… Entendo que a intenção é provocar os sentidos, mas a única coisa que isso desperta em mim é minha ignorância. As obras do pernambucano Tunga foram as que mais me atraíram, é uma porralouquice que abala, não mantém ninguém indiferente, mas fora isso, eu saía das galerias louca para ver as palmeiras, os lagos, as árvores, tudo o que realmente inspira essa caipira aqui.

*

Sei que não precisamos entender tudo o que vemos, que a lógica não é uma aliada da arte, que o que importa é o sentimento despertado, mas tudo tem um limite.  Uma cadeira de pernas pro ar jogada no meio de uma sala, por exemplo, pode ser uma obra de arte e pode ser apenas uma cadeira de pernas pro ar, vai depender da interpretação do artista, interpretação essa que costuma estar exposta em pequenos avisos nas paredes, em que consta o nome do autor da engenhoca, o material empregado e o que eles quis dizer com aquilo. Sem a explicação, fica-se boiando. Eu fico, ao menos.

*

Trocando artes plásticas por literatura: estou terminando de ler mais um livro de David Lodge, autor inglês que gosto muito. O título (ruim): Surdo Mundo. Você leu certo: Surdo Mundo, e não Mudo. Detesto trocadilhos. Detesto. Trauma de uma época longínqua em que eu trabalhava numa agência de propaganda em que algumas pessoas eram viciadas nesse humor sem graça, cujo único mérito é fazer malabarismo com as palavras. Argh.

*

Mas voltando ao livro, que originalmente se chama Deaf Sentence. É a história de um professor aposentado que a cada dia fica mais surdo. Um relato inteligente, bem-humorado e terno sobre como as relações familiares e profissionais são afetadas pela convivência com alguém que possui uma deficiência que obriga a um remanejo de conduções e atitudes. A surdez sempre nos pareceu um mal menor (quem nunca disse “prefiro ser surdo a ser cego”?), mas há muitas dificuldades que essa carência auditiva invoca, e também algumas sutilezas curiosas: às vezes ser surdo pode ser um benefício em meio às nossas dificuldades naturais de comunicação, dificuldades que todos temos, você, eu, todo mundo.

*

O livro é um romance genérico, não fica batendo apenas nessa tecla da surdez. Discute assuntos diversos, todos eles interessantes, envolvendo as filigranas dos relacionamentos e também fala sobre arte em geral e linguística em particular. Um livro rico de informações, e que além disso diverte e emociona. Recomendo.

*

Coincidentemente, ontem, no avião, quando voltava de Minas, li um trecho em que o personagem do livro diz: “A maior parte da arte contemporânea é sustentada por uma estrutura discursiva, sem a qual simplesmente viria abaixo e seria indiferenciável de lixo”. Pode ser que David Lodge e eu estejamos redondamente enganados, mas adorei descobrir essa afinidade de pensamento com um autor que respeito tanto.

*

Além de Brumadinho, conheci também a Serra da Rola-Moça e fiquei deslumbrada com essa região montanhosa, que visual! Estive em Minas a passeio, apenas a passeio. É possível que volte muito em breve para uma sessão de autógrafos, avisarei se for confirmado. Por enquanto, convido para um encontro no Centro Cultural Banco do Brasil dia 7 de julho em Brasília. A atriz Cassia Kiss lerá alguns textos meus e depois comentarei um pouco sobre meu trabalho.

*

Beijos, boa semana a todos!

Controle de privacidade

24 de junho de 2010 12

Escrevo para jornal, mas não me considero uma jornalista, tenho até um certo pudor de ser apresentada como se fosse. Mesmo assim, recebo por e-mail uma enxurrada de sugestões para pautas, enviadas por assessorias de imprensa de todo o Brasil. E dá-lhe aviso de lançamento de bolsa, de medicamentos, de condomínios, de pacotes de viagem, de técnicas de alisamento de cabelo e até notícias sobre drive-thru de oração: sério, parece que em São Paulo tem pároco aproveitando o engarrafamento em frente à igreja para oferecer uma prece ao motorista em troca de módicos 50 reais, preço sugerido, Deus não cobra nada.

Mas semana passada entrou um e-mail inédito na minha caixa. Iniciando com um “boa tarde, Martha”, fui avisada, de forma muito educada, que Ana Maria Braga estava formalmente separada. Soube pelo e-mail que ela e o marido tentaram de todas as formas manter a relação, mas que por motivos pessoais não conseguiram se entender e a assessora solicitava que eu, assim como meus colegas, tratasse a situação com respeito, uma vez que eles possuem filhos e família.

Muita gente sonha em ser famosa, imaginando a delícia que é ser seguida por fotógrafos na rua, receber um belo cachê para fazer comercial e sentar na primeira fila nos desfiles de moda. Uma parte dessa história atende à vaidade e é prazerosa, transmite a impressão de que a vida é uma festa, até o dia em que o famoso em questão se transforma num item de consumo, perdendo o controle da sua privacidade.

Com menos popularidade, mas muito mais importantes para a cena cultural do país, Luis Fernando Verissimo e Zuenir Ventura acabam de ter sua vida íntima um pouco mais divulgada através do livro Conversas sobre o Tempo, mediada pelo jornalista Arthur Dapiéve. O bate-papo rendeu algumas inconfidências, mas em nenhum momento isso soa como uma satisfação aos leitores, até porque não é. Trata-se apenas de uma longa entrevista publicada em livro, uma troca informal de ideias, um retrospecto de suas trajetórias, um presente para aqueles que desejam saber como vivem e o que pensam dois autores a quem sempre respeitaram, naturalmente. Um respeito que jamais precisou ser solicitado via assessoria de imprensa.  

Beijos!

José Saramago

18 de junho de 2010 33

Escrevo ainda perplexa com a notícia que acabo de ler. O escritor português José Saramago faleceu essa manhã. Teve uma noite tranquila, aí acordou e, enquanto tomava café ao lado de sua mulher, sentiu-se mal e logo após morreu. Rápido e indolor, como merecem todos aqueles que viveram bem.

*

Sempre que me perguntam em entrevistas qual é o meu livro favorito, fico pensando com meus botões sobre a dificuldade de se eleger apenas um livro entre tantas belas histórias já lidas, mas para não ficar discursando sobre a incapacidade de se escolher só um, sempre respondo “Ensaio sobre a cegueira”. Virou meu número 1.

*

Lembro do impacto que tive com a leitura. Era minha primeira vez diante de um texto do Saramago.  Fiquei extasiada com a forma narrativa totalmente envolvente e perturbadora, com sua capacidade de gerar tensão e até de me fazer sentir cheiros ao virar as páginas. Nunca um livro havia provocado em mim reações sensitivas daquela natureza. Tempos depois, assisti à adaptação para o cinema,  dirigida pelo brasileiro Fernando Meirelles, e fiquei ainda mais arrebatada, foi como se eu estivesse lendo Ensaio Sobre a Cegueira pela segunda vez, tal a sintonia (rara!) que percebi entre livro e filme.

*

Li vários livros de Saramago.  Não gostei de “Ensaio sobre a Lucidez”, abandonei no meio, mas adorei inúmeras outras publicações. Cadernos de Lanzarote, Todos os Nomes, As intermitências da Morte, o Homem Duplicado, Pequenas Memórias e principalmente A Caverna, que li com imenso prazer e de onde extraí a ideia para uma crônica chamada “A raça dos desassossegados”. José Saramago morava numa ilha vulcânica praticamente desabitada, era um refugiado em sua própria solidão, mas era um desassossegado de nascença, sempre atento às transformações a sua volta, às incongruências da sociedade, nunca virou as costas pro mundo, apenas não se deixou afetar por ele. Era um homem polêmico por suas ideias políticas e religiosas, e essa era uma das razões de eu acompanhar suas entrevistas. Homens como Saramago provocam concordância e discordância, mantém nossa mente inquieta, e enquanto algumas pessoas não lidam bem com essa contradição, eu vibro: não aplaudo a apatia. Prefiro que alguém me enerve a alguém que me faz pegar no sono.

*

Saramago era um homem que mantinha as pessoas acordadas. Morreu aos 87 anos, não era um garoto, mas sempre é cedo para partir, ainda mais quando se trata de alguém que ainda produzia, pensava, amava, vivia. Tanta gente por aí que não vive.

*

Estou triste e ao mesmo tempo feliz por ter tido oportunidade de conhecer alguma coisa da sua obra. Me sinto grata. Ele me ofertou, e aos milhares que admiravam sua literatura, momentos de um prazer íntimo e enriquecedor. Que bom que os livros ficam.

*

Beijos.

Livros

08 de junho de 2010 21

Olá, people.

Alguém pediu para que eu comentasse sobre alguns livros. Bom, eu avisei que leria o do Michel Onfray, “A potência de existir“. Fiquei impactada com o título e, por ser um manifesto hedonista, achei que iria curtir bastante, mas fui reduzida à minha insignificância, achei o livro difícil para leigos em filosofia, como sou. Ainda assim, sublinhei algumas frases aqui e ali que me chamaram a atenção, mas o que gostei mesmo foi do prefácio, 28 páginas em que ele conta como foi ser abandonado pelos pais aos 10 anos de idade para ir viver num internato em meio a regras rígidas, hábitos franciscanos, trotes, abuso sexual e demais cortesias do inferno. O título do prefácio é “Autorretrato com criança” e deixo a frase de abertura aqui reproduzida: “Morri aos dez anos de idade, numa bela tarde de outono , numa luz que dá vontade de eternidade”. Pra mim, o prefácio justificou a aquisição do livro.

O outro livro que eu havia lido dele foi “Teoria da Viagem“, em que ele, poetica e filosoficamente, resgata os significados de se sair em busca do desconhecido. Desse, gostei de ponta a ponta.

*

Acabei ontem de ler o último do Nick Hornby, “Juliet Nua e Crua“. Adoro o texto dele. Dessa vez, ele conta a história de Duncan, um “loser” que vive no interior da Inglaterra, tem um casamento de 15 anos que já nasceu em ponto morto e é fã de um roqueiro decadente que há 20 anos não grava nada. É interessante ver o quanto alguém sem luz própria tenta buscar sentido na vida transferindo seus sonhos para uma “entidade” que ele mais inventa do que sabe realmente a respeito. No final das contas, quem se torna personagem principal do livro é Annie, mulher de Duncan, que por um golpe do acaso acaba… Bom, vocês talvez leiam, melhor não adiantar nada. Mas faço um alerta: quem não usa óculos, use. E quem usa, use dois. As letras do livro são pra lá de miúdas.

*

Comecei agora “A Morte do Gourmet“, romance de estreia de Muriel Barbery, que ficou conhecida mesmo foi através do seu segundo livro, o excelente “A elegância do ouriço”. Depois, lerei “Conversa sobre o tempo“, que reúne tudo o que foi dito em encontros entre Luis Fernando Verissimo e Zuenir Ventura, com mediação de Arthur Dapieve. E as crônicas de “Mulher Perdigueira“, do meu talentoso amigo Fabricio Carpinejar.

*

Ontem o Fabricio lançou seu livro na Livraria Cultura, de Porto Alegre. Antes dos autógrafos, foi promovido um pequeno debate entre o autor, o cineasta José Pedro Goulart e eu. Foi divertidíssimo. O tema central era o ciúme. Fabricio, performático como sempre, abusando de sua energia contagiante, defende que o ciúme é salutar, mesmo o ciúme infernal. Ele defende que se mande dezenas de torpedos por dia ao ser amado, que se explore abertamente o desejo de possessão. Olha que talento: “Aspiro ao casamento pirandelliano, um à procura permanente do outro. Sou um totalitário na paixão. Um tirano. Um ditador. Não me dê poder que escravizo. Não me dê espaço que cultivo. Não me eleja democraticamente que mudo a constituição e emendo os mandatos”.

Em literatura, funciona. Na vidinha, essa aqui, acho que dá um trabalho danado.

*

E pra encerrar, aí vai, em primeira mão, o título do meu novo livro de ficção, que de certa forma trata sobre tudo isso também: paixão, possessão, ciúme, perdas e toda a falta de lógica que nos endoidece nas relações. Anote: Fora de Mim. Em outubro, nas livrarias.

*

Beijos!

Tricô

30 de maio de 2010 26

Olá, todo mundo.

Cheguei de Goiânia ontem e foi muito legal o evento “Só para Mulheres”, apesar de eu não escrever só para mulheres. Fui hiperbem recebida por todos, organizadores e público, e ainda tive o prazer de conhecer o editor de estilo da revista Vogue, o Fabrizio Rollo, uma figuraça. Estiloso, culto, simpático, com um visual absolutamente contemporâneo, daqueles que a gente encontra no site www.thesartorialist.blogspot.com, um dos meus sites favoritos. Curto moda, cada vez mais.

*

Falando nisso, o blog da Cristina Brasil (www.cristinabrasil.com.br) traz um monte de comentários sobre os bastidores do Fashion Rio e ainda relatos da época em que ela era modelo em Paris, volto a recomendar.

*

Outros sites que recomendo: o da Natália Klein (acho que já falei dela pra vocês), garota esperta, divertida, sabe aquele mau-humor sadio? Anote aí:

www.adoravelpsicose.blogspot.com

*

Tem o blog do Paulo Amaral, bons relatos sobre viagens, artes plásticas, poesia, política e tudo mais. Um cara elegante. www.doravantebrasil.blogspot.com

*

E tem o site do Gilberto Perin, que é cineasta, ator, produtor de tevê e ainda arranja tempo para fazer fotos lindas, confira: www.gilbertoperin.com

*

Santo Cristo, que saudade de viajar. Estou falando de viajar pra longe, sair do país, visitar uns museus, ver gente nova, topar com visuais exóticos, entrar em outro ritmo de vida. Sabe pra onde eu queria ir? Tunísia. Pois é, estou entre Tunísia e um roteiro mais manjado.

*

O que ando lendo? Carola Saavedra, uma garota que nasceu no Chile, veio pro Brasil com três anos, depois estudou na Europa e hoje vive no Rio de Janeiro. O nome do livro: Paisagem com Dromedário. Ainda não terminei, estou gostando. Logo depois, começarei o “Par e ímpar” da Tatiana Druck, livro de poemas. Já tive acesso a uma palhinha e acho que vou gostar demais, depois comento.

*

Muitas vezes digo “depois comento” e não comento nada. Ó, céus.

*

Alguém tem um chicote aí? Pode me bater. Estou devorando um pacote de Doritos em plena noite de domingo, depois de já ter jantado! Pode bater com força.

*

Tudo isso por conta da ansiedade. Amanhã entrego em definitivo os originais do meu novo livro de ficção para a editora Objetiva. E ainda não estou segura quanto ao título! Esse sempre é um problema pra mim. Raras vezes fiquei feliz com os títulos das minhas obras. Mas nunca vacilei tanto quanto agora. Crack. Crack. Mais Doritos.

*

Meu gato está me dando nos nervos. Amo esse bichano, mas hoje ele está colocando a casa de pernas pro ar, parece que vai botar fogo em tudo. Não por acaso, o nome dele é Nero. Já castrei o coitado, o que mais devo fazer? Internar numa clínica de reabilitação? Porque ele só pode estar doidão.

*

Ainda não vi Sex and the city 2, mas pelo trailer, pelas fotos e pelos comentários que ouvi por aí, algo me diz que deve ser cafonésimo.

*

E assim encerro esse post desejando a todos um belíssimo início de semana. Beijos!

Postado por Martha Medeiros

De novo por aqui

21 de maio de 2010 21

Olá, todo mundo! Obrigada pelos vários links para a entrevista da Cissa no Jô. Incrivelmente, ainda não consegui assistir, cheguei ontem de viagem e já fui engolida pelo corre-corre, mas nesse final de semana assistirei com calma.

*

Queria contar pra vocês como foi bacana participar do projeto Leitura em Ação, no Centro Cultural da Ação da Cidadania, um prédio espetacular na Barão de Tefé, no Rio – vale a pena conhecer. No dia em que estive lá houve a inaguração da biblioteca, que é aberta ao público, e eu li textos meus e depois bati um papo com estudantes de duas escolas, e isso foi o que mais me encheu de alegria, porque era uma garotada interessada, mesmo tendo pouquíssimo acesso à jornais e à literatura – ou por isso mesmo. Foi de fato uma ação de inclusão social que, aliás, deveria acontecer em diversos pontos do país. No final do bate-papo houve sorteio de livros e até parecia que se estava sorteando um carro 0km, tamanha a vontade da gurizada em levar os livros pra casa. Fiquei emocionada e convido vocês a entrarem no site para, do jeito que der, participarem dessa corrente pró-cultura.

www.acaodacidadania.com.br

*

Aproveitei minha ida ao Rio para participar de muitas reuniões de trabalho também. Estive com minha editora, Isa Pessoa, da Objetiva, e batemos o martelo, meu novo livro de ficção sai mesmo em outubro e em breve vou anunciar o título. Estive também com Lilia Cabral, prestigiadíssima depois de sua Tereza em “Viver a Vida”: vem mais Divã por aí, dessa vez em seriado para tevê dirigido pelo ótimo José Alvarenga, que dirigiu o filme.  Também conversei com Ana Beatriz Nogueira e Victor Peralta, atriz e diretor da peça Tudo que eu queria te dizer, e soube de algumas alterações que repasso agora pra vocês: a estreia não será mais dia 17 de julho como eu havia anunciado, eles primeiro farão o circuito Sesc aqui no Rio Grande do Sul (já passei pra vocês as datas e cidades) e participarão de alguns festivais de teatro pelo Brasil, para só então estrear no Rio, provavelmente em setembro. E Ana Beatriz estará sozinha no palco, será um monólogo, mas ela me deu uma palhinha e acho que vai ficar sensacional. Sendo a grande atriz que é, se desdobrará em várias personagens das cartas. Por fim, mais bate-papo com mulheres interessantes: jantei com Beatriz Kuhn, psicanalista e idealizadora do movimento Basta! (e minha ex-colega de colégio!), fiz um happy hour com a decoradora Cristina Brasil, que já postou no blog dela suas observações sobre nosso encontro – com fotos! – e tomei café-da-manhã ontem com a filósofa e poeta Viviane Mosé, também grande figura, além de talentosíssima. Depois de tanto assunto, tanto afeto, tanta conversa inteligente e divertida, volto com a cabeça a milhão, cheia de ideias para novos projetos. Bom, bom, bom.

*

Durante o trajeto Rio-Porto Alegre, no avião, devorei o último livro do Philip Roth, “Humilhação”. Roth é o meu Woody Allen da literatura, adoro tudo dele, sou fidelíssima a sua obra, mas esse novo livro não me pegou como os outros, me pareceu escrito com desleixo. Acontece. Minha admiração por ele não diminuiu, e se você nunca leu nada desse autor norteamericano, confira alguns títulos recentes como “Homem Comum”, “Fantasma Sai de Cena”, “O animal agonizante”, todos incríveis, e uma obra-prima chamada “A Marca Humana”.

*

Comprei também o último livro do Nick Hornby, “Juliet Nua e Crua” e o livro “A potência de existir”, de Michel Onfray – já li um livro dele que gostei muito, e dessa vez o título me ganhou. A potência de existir! Comento mais adiante.

*

E a L&PM, minha editora aqui do sul, lançou um produto bárbaro: uma caixa com 5 livros meus: Trem-Bala, Non-Stop, Montanha-Russa, Coisas da Vida e Cartas Extraviadas (4 coletâneas de crônicas e um de poemas), todos em formato pocket. Belíssimo presente para o dia dos namorados!!!! A caixa está a venda na Livraria Cultura, na Livraria da Travessa e em mais alguns pontos, mas todo mundo pode adquirir também pelo site www.submarino.com.br. Eles estão com um preço promocional, vale a pena!

*

Prometi o link para as cenas da peça De mim que tanto falam, está aqui. Não tem a mesma qualidade de som e de imagem do link que postei do “Doidas e Santas”, mas não se deixem levar apenas pela tecnologia, confiram ao vivo!

Bom final de semana a todos, beijos!

Livros e música

05 de abril de 2010 24

Fim de feriado, volta ao batente. Estive quatro dias em Punta del Este, no Uruguai, um lugar que me agrada demais por sua beleza, pela culinária, pela arquitetura, pela limpeza, pelo ar cosmopolita, por ser um ambiente casual e sofisticado ao mesmo tempo, uma mistura que dá certo. Pena que alguns só conheçam o lado “Las Vegas” e sua peruíce, que é restrito às páginas das revistas de fofocas. Punta é muito mais que cassino – e muito melhor. Pra quem gosta de natureza e de esportes, é uma grande pedida. Mas é longe esse pedacinho de paraíso: são oito horas de estrada desde Porto Alegre, e olha que até gosto de uma aventura on the road, mas a volta é massacrante, principalmente no trecho final. Da próxima vez vou deixar o carro na garagem e ir de ônibus, e lá alugo uma bike ou uma scooter. O plano é eliminar o stress.

*

Estando lá, terminei um livro e comecei outro. O que terminei foi Sobrescritos de Sergio Rodrigues. São 40 pequenos contos sobre o mundo literário, mas calma, calma, não é chato!!! Na verdade o autor satiriza os vários estereótipos que rondam os escritores, os leitores e o mercado editorial, assim como a vaidade dessa gente toda – tribo da qual faço parte. Achei o livro engraçado, inteligente e bem escrito. Quem quiser uma palhinha a mais, é só entrar no site  www.todoprosa.com.br

*

E aí iniciei outro livro de contos (e olha que nem é meu gênero preferido), dessa vez de autoria do grande Amós Oz, escritor israelense que está entre meus favoritos. Estou lendo Cenas da Vida Na Aldeia e estou encantada, especialmente com o conto “Os que cavam”. Vontade de abandonar esse computador agora e me jogar no sofá pra terminar o livro, mas a responsabilidade me gruda aqui na tela. Depois de flanar no feriado de Páscoa, chega de moleza.

*

Comprei quatro discos também. Dois de uma banda uruguaia chamada Cuarteto de Nos, que ainda não escutei, depois comento. O último do Jorge Drexler, que sempre é um acerto, mas também ainda não escutei, e o último do Fito Paez, cujo título é Confia. Fito não está tão visceral quando em Naturaleza Sangre, está mais baladeiro e fazendo um rock mais digerível, diria até mais comercial, sem prejuízo à qualidade. As letras falam muito de se deixar levar pela vida, de dar tempo ao tempo… Já que não temos controle sobre nada mesmo, o lance é curtir o momento, etc, etc. Claro que ele fala também de amores, mas os amores estão menos transtornados, enfim, senti um Fito mais fatalista, valendo-se de chavões como “cuidado com o que você deseja, porque pode conseguir”, mas nada disso desmerece o trabalho, ao contrário, achei uma delícia de ouvir, até porque comungo com esse espírito de simplificação, de não racionalizar demais… Confia!

*

Bom início de semana, beijos!