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Posts do dia 5 agosto 2009

Mudança de rumo

05 de agosto de 2009 3

O programa TV Entertainment Tonight divulgou na noite de ontem um trailer do novo trabalho de Peter Jackson. Não, não é mais uma interminável sequência de  Senhor dos Anéis. Baseado no best seller de Alice Sebold, Um Olhar no Paraíso (The Lovely Bones) é sobre uma garota de 14 anos que, depois de ser estuprada e assassinada, acompanha do céu como seus amigos e familiares superam a tragédia e as investigações da polícia na busca pelo criminoso. O site do longa também já está no ar. É só acessar www.lovelybones.com

 

 

Pelo que se vê no trailer, o filme parece ser sensacional. A jovem Saoirse Ronan já havia se firmado como um futuro grande nome em Desejo e Reparação e Nunca Tarde é para Amar, dois trabalhos completamente diferentes em que ela provou todo seu talento. Um Olhar no Paraíso será mais um trabalho brilhante na sua promissora e já bem sucedida carreira.

E o elenco só melhora: Susan Sarandon (não é preciso tecer um comentário sequer), Mark Wahlberg (de quem nunca esperei grande coisa, mas me encantou em Os Infiltrados), Rachel Weisz (cujos últimos trabalhos foram meio tímidos, mas que também é talentosíssima) e Stanley Tucci, que é um daqueles do grupo de “pequenos papéis que brilham com grandes atores”. Sem dúvida, este promete ser um grande filme. Só nos resta esperar até 22 de janeiro de 2010 para a estreia no Brasil.

 

*****

O nome que mais me surpreende em Um Olhar no Paraíso é o seu diretor. Peter Jackson simplesmente não tem medo do perigo ao se arriscar num drama como este. E pelo trailer, parece que ele soube dar a medida exata. Confesso que nunca fui muito fã de seus filmes. Longe de mim questionar seu brilhantismo – Distrito 9 é um dos filmes mais aguardados do momento e Senhor dos Anéis já virou antologia - , mas tenho que ser sincera e admitir que não me identifico muito com seus trabalhos. Exceto King Kong , por tudo que este representa na história do cinema.

Achei interessante Jackson mudar o foco de seu cinema. Nada melhor que um drama inteligente, sem grandes batalhas e cenários, para mostrar o que tudo mundo já sabe, mas é sempre bem relembrar. E como já escrevi outras vezes aqui, acho que versatilidade é uma característica obrigatória de qualquer ótimo cineasta!

Postado por Ju Lessa

Sucesso, bebidas e Liz Taylor

05 de agosto de 2009 1

Ele tinha tudo: beleza, talento, fama e a mulher mais bela do mundo, mas o ator galês Richard Burton, protagonista de Equus ou Noite do Iguana, teve uma vida de excessos, conflitos, álcool e frustração até forjar um mito cuja morte completa 25 anos hoje. Em 5 de agosto de 1984, morria na Suíça Richard Walter Jenkins, mais conhecido como Richard Burton, um ator marcado pela profundidade, presente em suas melhores criações nos cinemas e na sua vida pessoal.

Richard Burton lutou toda a vida contra o desprezo para com sua própria vocação:

– É bastante ridículo para uma pessoa de 45 ou 50 anos ter de aprender palavras escritas por outras pessoas, a maioria delas ruins, para ganhar alguns dólares – afirmava.

O ator, porém, não conseguia deixar de fazer o que melhor sabia: oferecer interpretações memoráveis em grandes filmes, até o ponto de concorrer sete vezes ao Oscar, um prêmio que nunca ganhou.

Nascido em Gales em 1925, Richard Burton pertencia à elite da interpretação britânica, compartilhando honras com Peter O`Toole, Laurence Olivier e John Gielgud.

Ele foi indicado como "o melhor Hamlet de sua geração" e encantou no teatro percorrendo todo o repertório de Shakespeare com seu surpreendente controle de voz, que o tornou peça indispensável em musicais como "Camelot".

Como tantos atores galeses, o tablado foi sua paixão e o cinema de Hollywood - onde foi morar em 1952 -, seu passaporte à posteridade.

Desde as primeiras aparições memoráveis, como em Eu te matarei, Querida ou O Manto Sagrado, à interpretação crepuscular do ator na adaptação cinematográfica de 1984, Burton deu vida e gênio a personagens como Richard Wagner, Winston Churchill, Henrique VIII ou Alexandre, o Grande.

– O ruim é que todo mundo quer que eu interprete um príncipe ou um rei. Sempre estou usando vestidos longos, saias ou algo estranho. Eu não quero isso, não gosto. Odeio ser maquiado, que cortem meu cabelo toda manhã, odeio as meias e as botas. Odeio tudo – protestava.

Outros filmes como Equus, O Espião que Veio do Frio ou Noite do Iguana, no qual interpretou um sacerdote inclinado às paixões e ao álcool -como ele mesmo-, demonstraram que suas possibilidades iam muito além do cinema de época.

– Um ator é menos que um homem, mas uma atriz é mais que uma mulher.

Sob essa perspectiva, é relativamente coerente que sua vida acabasse destruída, apesar de todo seu talento, pelos dois casamentos que o uniram a Elizabeth Taylor (em 1964 e em 1975), a mulher por quem suspirou e de quem falou mal depois.

Em plenos anos 60, enquanto o sistema de estúdios desmoronava - graças também ao fracasso do filme que os uniu, Cleópatra (1963) -, eles quebraram a imagem idealizada do estrelato: suas discussões fortes em público e suas apaixonadas reconciliações mostraram o que acontece na vida amorosa dos casais de Hollywood.

– Poderia fugir dela durante mil anos e continuaria sendo minha pequena. Nosso amor é tão intenso que desgastamos um ao outro – diria o ator de sua relação com Taylor, com quem protagonizou títulos fundamentais para a carreira de ambos como Adeus às Ilusões ou, especialmente, Quem Tem Medo de Virginia Woolf?.

Mas, fruto desta conturbada relação pessoal, a inclinação de Burton pelo álcool começou a aumentar. Segundo seus biógrafos, antes de conhecer a atriz sua bebida favorita era a cerveja. Depois, seria a vodca.

Sétimo filho de um mineiro, Richard Burton foi educado para essa masculinidade mal-entendida.

– Meu pai considerava que alguém que ia à igreja e não bebesse álcool era intolerável. Eu cresci com essa crença – resumia o astro.

Com os anos, com alguns quilos a mais, chegaria a dizer a um jornalista:

Pode ser tão impiedoso quiser comigo. Só estará me fazendo justiça.

 

Texto: Agência EFE
Fotos: Adorocinema.com/Divulgação

Postado por Ju Lessa