O dia foi lindo. Ensolarado, temperatura amena e com aquele ventinho frio batendo no rosto. No trabalho a correria e a atucanação foi igual a qualquer outro dia de trabalho. Tudo está em ordem e em paz.
A única coisa que parece estar fora do lugar sou eu mesma. Um misto de vazio e ansiedade, sem nenhum motivo aparente. Apenas uma sensação estranha. Em dias assim fico tensa, desconcentrada e silenciosa (detalhe: sou uma gralha ambulante normalmente).
Tem gente que para se sentir melhor faz coisas legais como passear com o cachorro, limpar a casa, ler um livro, encontrar amigos e etc. Em dias como hoje, eu gosto de me aprofundar ainda mais nas minhas inquietações e neuroses. Sei que não me levam a nada, mas só sentindo-as intensamente é que passam.
A pedida certa para o momento é Tennessee Williams, em minha opinião, um dos maiores dramaturgos de todas as épocas. O clima psicológico de suas estórias, a frustrações de seus personagens, a genialidade de suas palavras e as angústias latentes que permeiam todos os diálogos de suas peças são sensações com as quais, muitas vezes, me identifico, mas na falta de qualquer brilhantismo, jamais conseguiria externar com a mesma magnitude.
Obviamente que o ideal seria ler uma de suas peças ou assistir a uma encenação de qualidade. Mas na falta disso, há alguns filmes muito bons baseados em suas obras. Um breve resumo dos meus quatro preferidos. Em outro momento escrevo sobre cada um. Bjos
Gata em Teto de Zinco Quente (Cat on a Hot Tin Roof) – dirigido por Richard Brooks, com Paul Newman e Elizabeth Taylor. A infelicidade de um casal ( ele, um ex-astro de futebol alcoólatra, e ela, uma mulher frustrada e infeliz ) vêm à tona durante um encontro de família.
Um Bonde Chamado Desejo (A Streetcar Named Desire) – aqui no Brasil ganhou a tradução ridícula de Uma Rua Chamada Pecado. Dirigido pelo grande Elia Kazan, com atuações memoráveis de Marlon Brando e Vivien Leigh. A visita de uma rica e problemática mulher afeta de forma drástica o cotidiano de sua irmã e seu marido. Stelaaaaaaaaaaaaaaaaaa !!!!!!
Em Roma na Primaveira (The Roman Spring of Mrs. Stone) – de José Quintero. Novamente Vivien Leigh. Desta vez com Warren Beatty. Uma atriz americana de meia idade, já decadente e solitária, conhece em Roma um gigolô por quem se deixa envolver.
À Margem da Vida (The Glass Menagerie ) - foi a refilmagem dirigida por Paul Newman, em 1987, com Joanne Woodward, John Malkovich e Karen Allen. Uma jovem reclusa, que vive enclausurada devido a um complexo de inferioridade, é pressionada pela mãe para que se case logo.
Postado por Ju Lessa



A Felicidade Não se Compra (It`s a Wonderful Life, 1946). James Stuart protagoniza esta emocionante história sobre solidariedade e valores. E ninguém menos que o genial Frank Capra para dirigir este filme que se tornou um dos maiores clássicos do cinema. Típico filme que deveria passar na TV aberta na época natalina.
As Cinzas de Ângela (Angela`s Ashes,1999) – dirigido por Alan Parker, o filme é baseado no romance autobiográfico de Frank McCourt. Em 1935, quando mais comum era ver famílias irlandesas partindo para os Estados Unidos, uma empobrecida família decide por fazer o caminho inverso. Logo após a repentina morte de sua filha de apenas sete anos de vida, Angela e seu marido desempregado e beberrão decidem se mudar de Nova York para Cork, na Irlanda, levando com eles seus quatro filhos. As crianças pouco sabem do lugar para onde estão indo, apenas que lá é conhecido como um lugar onde não há trabalho e as pessoas morrem de fome.
Coisas que Perdemos pelo Caminho (Things We Lost In The Fire, 2007) – triste é pouco para classificar este filme. Com certeza, foi feito para arrancar muitas lágrimas daqueles que o assistem. Na história, Audrey (Halle Berry) é uma mulher que acaba de perder o marido de forma repentina. Para superar a dor da perda, ela convida o melhor amigo do falecido, um viciado em heroína que está se destruindo (Benicio Del Toro fazendo aquele estilo que todo mundo já conhece), para morar com a família. Juntos, eles aprendem a viver com a perda. Ao contrário do que se possa pensar, não existe a menor possibilidade de um novo casal e um romântico final feliz. A diretora dinamarquesa Susanne Bier, em sua estreia em Hollywood, explora as fraquezas de duas pessoas perdidas, que necessitam se apoiar uma na outra para conseguir sobreviver e enfrentar uma tragédia. Um filme sobre a vivência do luto e a dificuldade de desapego do passado.
Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 2000), o dinamarquês Lars von Trier abandona os preceitos do Dogma 95 para mergulhar neste dramático e pesadíssimo musical. Em alguns momentos chega a ser monótono o desandar da história, mas isso só serve para aumentar nossa a tensão em relação aos desdobramentos finais. Selma Jezkova (Björk) é uma mãe-solteira tcheca que foi morar nos Estados Unidos para curar seu filho de uma doença hereditária que já ataca a sua visão. Ela trabalha muito duro e guarda tudo o que ganha para a cirurgia do filho. Bill (David Morse) e Linda (Cara Seymour), seus vizinhos, juntamente com Kathy (a sempre estonteante Catherine Deneuve), uma colega de fábrica e seu “anjo da guarda”, a ajudam no que é possível, mas quando Bill se vê em dificuldades financeiras rouba o dinheiro que Selma tinha economizado duramente. Este roubo é o ponto de partida para trágicos acontecimentos.





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