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Filmes Sessão da Tarde (2) - Ruas de Fogo

29 de abril de 2010 7

Outra época,

 

outro lugar

 

As pessoas caminham em direção a um determinado local. Todos se liberam de seus afazeres com um único objetivo.

As luzes do palco começam a ser acesas. O burburinho é grande. Muita expectativa. O show promete!!!

– E agora o retorno da inigualável, a única, Ellen Aim.

UHUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!

A plateia vibra. A música começa a tocar para valer. Quando ouvimos os primeiros acordes inconfundíveis do teclado, já estamos hipnotizados com tanta energia. E então surge no palco, linda e maravilhosa, Diane Lane (juro que nunca, nunquinha, havia me dado conta que era ela!!!).  Diante de um público em estado de delírio, ela começa a cantar aquela música I.N.E.S.Q.U.E.C.Í.V.E.L.

Lying in your bed and on a Saturday night
(Deitada na sua cama em um sábado à noite)
You’re sweatin’ buckets and it’s not even hot
(Você está suando cântaros e nem mesmo está quente… )

 

E mal termina sua apresentação, o estrago já foi feito. Ellen é seqüestrada pela gangue dos Bombardeiros, liderada por um tal de Corvo Shaddock (e mais uma vez juro que não sabia que era Willem Dafoe. Meu Deus, o meu ator favorito está num clássico da sessão da tarde eu NUNCA havia me dado conta? Em que planeta vivi até agora?) e toda uma geração já havia virado fã deste filme.

Ruas de Fogo, Uma Fábula de Rock And Roll (Streets of Fire, 1984) foi um filme tão marcante que é considerado uma espécie de Juventude Transviada dos anos 80 (claro que Michael Paré nem se compara com James Dean). Dirigido por Walter Hill, que já sido responsável por outro clássico, Os Selvagens da Noite (Guerreeeeeiros, venham aqui brigar!), o filme conta a história de uma cantora de rock que é seqüestrada por uma gangue de motoqueiros. Seu ex-namorado bad boy Tom Cody (Michael Paré) retorna à cidade e, ao descobrir que ela é mantida refém, parte para o resgate. Para isso ele enfrenta a perigosa gangue rival e conta com a ajuda de Billy Fish (o eterno nerd Rick Moranis), namorado atual e empresário de Ellen, e McCoy (Amy Madigan, e novamente nunquinha havia me dado conta de que era ela), uma soldada desempregada que adora confusão. Muitas brigas, explosões, rosnar de motos e carros e uma sonzeira sensacional.

Hill usa, mais uma vez, a violência urbana, as guerras entre gangues e a incapacidade das autoridades de controlarem a situação (problemas que só aumentaram com o passar dos anos) para contar uma história cheia de emoção juvenil. A trama pode até ser meio bobinha e óbvia – mocinho rebelde + mocinha delicada  + amigos estranhos + vilão malvado – , mas a trilha sonora é incomparável. E isso graças ao mestre Ry Cooder (ele também assinou as trilhas dos filmes Paris Texas e A Encruzilhada).

Nowhere Fast praticamente se tornou o hino de duas gerações: aquela que assistiu ao filme no cinema e a minha, a dos anos 90, que via na Sessão da Tarde. Isso sem falar das clássicas Hold That Snake (quando conhecemos o misterioso e valentão Tom), Get Out of Denver (na clássica cena de luta na lanchonete), I Can Dream About You (quando os Attackers/Soleres abrem o show de Ellen), Rumble (na romântica cena da chuva em que Ellen e Tom discutem, mas o amor fala mais alto e eles se beijam com paixão) e da dramática Tonight Is What It Means To Be Young (apresentação triunfal de Ellen, fechando o filme com chave de ouro).

Micheal Paré até ameaçou virar um galã, mas (Graças a Deus) seu ar canastrão não lhe deu outra grande chance. Ele até que se esforçou para tornar Tom Cody  um “malvado do bem”, mas acabou sendo apenas um cara com poucas expressões faciais e estilo machão. Ruas de Fogo foi seu trabalho mais marcante.  Atualmente, ele faz filmes sem grandes relevâncias e atuou em uma ponta em As Virgens Suicidas.

Chega a ser engraçado ver Diane Lane dublando as músicas que sua personagem canta. Nesta época ela já era conhecida, pois já havia trabalhado em filmes como Vidas Sem Rumo e O Selvagem da Motocicleta.  Nunca achei Diane Lane uma super atriz, mas gosto muito de seus trabalhos e deste, particularmente. Ela consegue fazer uma mocinha temperamental, mas sem ser chata.

A minha surpresa ao rever Ruas de Fogo foi  Willem Dafoe. Tremi ao me dar conta que era ele ali, com a pele branca, jaqueta de couro, cabelos com gel para trás e ares vampirescos.  Parece que sua sina de fazer personagens bizarros e assustadores vem desde cedo. E, como de costume, ele rouba a cena (pelo visto, isso também começou desde cedo)!

Curiosidades

Um dos pontos altos de Ruas de Fogo é a sua montagem, feita de maneira dinâmica, o que faz aumentar a adrenalina.  Imagens congeladas, cortes para black e fusão de uma cena para outra foram artifícios que serviram para marcar bem a estética do filme.

As seqüências dos shows de Ellen são sensacionais. Há uma ótima interação com a plateia e a gente chega a sentir o calor do “povão”.

Simplesmente do nada, enquanto todos eles fogem da zona dos Bombardeiros, surge uma fã de Ellen, que passa a acompanhá-los.

Os figurinos dos personagens são muito exagerados, mas servem para marcar bem a personalidade de cada um. Ellen, uma linda pop star em ascensão, abusa nos decotes de seu vestido de manga única e na ombreira (o top dos anos 80), favorecendo toda a sua sensualidade. As luvas, os cortes assimétricos e o jogo entre vermelho e preto dão um toque de modernidade, mostrando que ela, apesar de mocinha, tem uma personalidade forte e até mesmo um pouco rebelde. Já as jaquetas de couros e o penteado lambido são as marcas Shaddock e sua gangue, típicos de vilões (isso, sim, me soa mais próximo de James Dean). Tom é um  cara misterioso, de poucas palavras, com um ar meio interiorano e isso fica evidente no casacão que usa por cima da camisa de manga curta com suspensório (ahhhhhhhh!!!!). As roupas masculinizadas de McCoy falam por ela mesma (inclusive há referências sobre uma suposta homossexualidade da personagem, mas isso nem é  aprofundado). Billy é um nerd (praticamente um alter ego de Moranis) e usa a tradicional gravata borboleta, colete, casaco xadrez com camisa listrada e óculos “fundo de garrafa”.

É engraçado que, apesar dos protagonistas e coadjuvantes terem um estilo meio anos 80, os figurantes parecem viver nos anos 50/60, com  topetes, vestidos rodados e rabos de cavalo.

Deborah Van Valkenburgh, que interpreta a irmã de Tom, Reva, já havia trabalhado no outro clássico de Walter Hill que é qual ??? Vamos ver se vocês lembram  … Isso mesmo! Os Selvagens da Noite. Nesse filme, ela era Mercy, a mocinha que acompanhava os “nossos guerreiros”.

Ruas de Fogo custou cerca de US$ 14 milhões e foi um grande sucesso no público adolescente da época.

O título Streets of Fire veio de uma música escrita e gravada por Bruce Springsteen no álbum Darkness On The Edge Of Town. A idéia original era que ela faria parte da trilha sonora do filme, mas quando Bruce descobriu que ela seria interpretada por outras pessoas, ele não permitiu que a música fosse usada.

Leia também:

Filmes Sessão da Tarde (1) – Gatinhas e Gatões

Comentários (7)

  • Davi B. diz: 22 de maio de 2010

    Esse filme é realmente sensacional. Acabo de revê-lo e, cada vez mais, viro fã incondicional.

    No entanto, segundo o imdb, o filme passou longe de ser sucesso, tornou-se um cult anos mais tarde.

  • Fabricio diz: 23 de julho de 2010

    Este filme marcou de modo fortíssimo minha vida e de alguns dos meus melhores amigos. Nós vivemos a década de 80 de forma intensa, e tivemos o prazer e as glória de ver este filme no clássico cinema Commodoro, que ficava no final da Av. São João; um dos melhores cinemas que jamais existiram, no quisito som e tela. Foi um momento marcante!
    Ruas de Fogo se tornou Cult por sua dinâmica, músicas e personagens que ficaram marcantes até hoje, ou melhor, que hoje se tornam conhecidos de outros gerações.

    Muito a dizer sobre este obra, mas resumindo este Filme transcedeu épocas e chega hoje com mais força do que teve no seu lançamento!
    Obs.: li um recorte no lançamento, da Revista Veja, se não me engano, que dizia que o elenco era praticamente desconhecido, mas que alguns atores/atrizes tinham um futuro promissor (…).

    Abraço.

  • Paulo Ricardo diz: 27 de outubro de 2010

    Esse filme marcou a epoca de todos que curtiam um bom rock,e ca pra nois a musa desse filme e a cantora Diane Lane linda e espetacular,na voz e na beleza. ass. PR

  • Luciano diz: 15 de novembro de 2010

    Esse filme é um dos meus preferidos e realmente marcou uma geração,a linguagem é simples,porém magistral.

  • fabio nunes diz: 8 de agosto de 2011

    O FILME É REALMENTE MUITO BOM …E A DIANE LANE ESTA SIMPLESMENTE LINDA NESTE FILME …ERA APAIXONADO POR ELA NESTE TEMPO .

  • Nara diz: 4 de dezembro de 2011

    Gente vçs ñ, tão entendendo esse filme é simplismente ma-ra-vi-lho-so, noosa é demais…..

  • flavia diz: 20 de dezembro de 2011

    adoro esse filme pena q o galan nao rendeu muitos outros filmes ,aquele olhar ainda vpu encontrar alguem com o olhar do pare…….

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