Sequência consegue suprir expectativas e supera o primeiro filme.
Robert Downey Jr. está de volta e melhor ainda na pele de Tony Stark. Homem de Ferro 2, um dos filmes mais aguardados deste ano e que já está em cartaz, saciou todas as expectativas. Sim, a continuação consegue superar o primeiro filme e não deixa a desejar – e olhem que sempre assisto com desconfiança continuações de filmes que gostei.

Não há muito que criticar. Quer dizer, até há, mas não vale à pena. O diretor Jon Favreau assumiu o risco de dar continuidade ao sucesso de bilheteria de US$ 572 milhões de Homem de Ferro e o fez com dignidade. Quem gostou do primeiro filme, baseado nos quadrinhos do grande Stan Lee, provavelmente vai gostar do segundo. Favreau repete a façanha de conquistar os fãs mais xiitas dos HQs assim como o espectador em geral que quer ver um bom filme de aventura. E quanta aventura!
Agora todo mudo conhece a identidade do Homem de Ferro. Stark vive o bônus e o ônus desta revelação. Ao mesmo tempo em que desfruta do sucesso e da fortuna, ele é pressionado pelo governo para dividir sua tecnologia com o exército. Diante disso, precisa lidar com Justin Hammer, seu adversário na indústria de armas e aparentemente inofensívo, e enfrentar um inimigo de uma passado que ele desconhecia.
Os primeiros 20 minutos servem para deixar claro que Stark continua deliciosamente arrogante, prepotente e egocêntrico. O ponto final do primeiro filme, quando ele revela ser o Homem de Ferro, um show pirotécnico durante uma feira de tecnologia promovida pelas Indústrias Stark e a melhor frase do filme "Eu comprei a paz mundial", proferida durante uma sessão no Congresso norte-americano, resumem o caráter o protagonista. Ao mesmo tempo em que assume a missão de ser o herói que garante tranquilidade ao planeta, também não abre mão de ser o playboy deslumbrado e inseguro, que age com instintos megalomaníacos para suprir suas carências. Aliás, assumir ser o Homem de Ferro já havia sido uma atitude movida pela vaidade.
Downey Jr simplesmente incorporou o personagem de maneira muito mais visceral que na primeira vez. Seus olhares, seus trejeitos, suas poses, suas gracinhas ilustram claramente a dualidade herói X anti-herói, que é a chave de toda a trama. E, claro, com muito charme e carisma. Mais uma atuação brilhante do ator.
Nomes de peso que já estavam no primeiro filme seguem nesta segunda parte. Gwyneth Paltrow novamente é a secretária e fiel escudeira de Stark, Pepper. As seqüências com os dois estão entre as melhores do filme. A química da dupla flui perfeitamente. Nick Fury, chefe da ainda pouco conhecida S.H.I.E.L.D, começa a ganhar espaço e importância depois de uma pequena aparição no primeiro filme. Favreau também reaparece na tela como o carismático Happy, segurança, motorista e saco-de-pancadas de Stark.
Agora juntam-se ao grupo Scarlett Johansson, sensual e misteriosa como a nova assistente de Stark, Natasha Romanoff; Don Cheadle, que assume o papel do tenente-coronel James “Rhodey” Rhodes, interpretado por Terrence Howard no primeiro filme; e Mickey Rourk, que mais uma vez faz apenas o papel dele mesmo e consegue convencer. Mas o destaque entre os ‘novatos’ fica com o sempre sensacional Sam Rockwell, que rouba as cenas como Hammer (uma fusão sensacional do melhor de Austin e Nigel Powers).
Muita ação, diálogos inteligentes, trocadilhos, humor, cenas espetaculares e uma trilha sonora forte do AC/DC - toca também The Clash e Rob Base, injustamente ignorados – fazem Homem de Ferro 2 tão bom a ponto de superar o primeiro.
E o melhor de tudo: para quem é fã dos quadrinhos, além da presença maior de alguns personagens e o surgimento de novos, há algumas referências discretas a outros heróis da Marvel, comprovando que mais coisas vêm por aí. E como já de costume, aquela surpresinha extra ao final da exibição dos créditos.
Como disse meu amigo André Pase, Homem de Ferro 2 é para ir ao cinema com o sorrisão já aberto! Diversão pura e nada mais que isso.
* Ah, e também como de costume, Stan Lee faz uma pequena aparição!
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