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Descobrindo uma estrela

24 de março de 2011 1

Preciso admitir que durante muito tempo nutri implicância por Elizabeth Taylor. Seus exageros, sua vida pessoal escancarada, suas joias extravagantes, sua maquiagem pesada, seus vícios. Liz roubou o marido da fofa Debbie Reynolds, o que para mim era imperdoável.

Minhas restrições aumentaram ao ler a biografia de Audrey Hepburn, de quem sou muito fã, que fala sobre uma rivalidade não assumida entre as duas. Na época, Audrey era esposa de Mel Ferrer enquanto Liz estava casada com Richard Burton. Os dois se tornaram amigos- talvez o fato de serem atores medianos casados com duas grandes estrelas tenha os aproximado – e os casais tiveram alguns momentos de convivência.

Enquanto Audrey era fina, suave e discreta, Liz era exagerada e extravagante. O figurino de Audrey era enxuto e básico, com sapatilhas para disfarçar sua altura. Liz usava vestidos luxuosos e abusava nas joias e nos saltos. Audrey se casou duas vezes, Liz sete. Liz era um choque de realidade perto do encanto de Audrey. Se Liz era a dama de Hollywood, Audrey era a princesa.

Embora nunca tenha cometido a estupidez de questionar seu enorme talento, demorei para me apaixonar por Liz Taylor. Precisei de tempo para relevar seus pecados, para admirar sua personalidade e para entender a franqueza com qual sempre lidou com suas escolhas. É uma paixão que surgiu aos poucos, sem os encantamentos infantis que se tem pelos ídolos em geral. Virei fã não só de uma grande atriz, mas de uma mulher que sempre teve coragem para assumir seus atos, mesmo quando equivocados.

Sempre senti esta força em seus trabalhos. Suas personagens eram humanas e longe da perfeição. Cleópatra era passional a ponto de morrer por seu amor. Martha era decadente e autodestrutiva. Gloria era perturbada. Maggie era persistente e ambiciosa. Cada papel tinha um traço de Liz e por isso foram e ainda são tão marcantes em minha vida.

Até mesmo para morrer Liz foi marcante. Não foi cedo demais para virar mito, nem se escondeu do mundo para ser misteriosa. Não foi clichê, até porque clichês nunca fizeram parte de sua trajetória. Fez questão de mostrar seu envelhecimento  e nos fez acompanhar sua “via crúcis” nos últimos anos.

Elizabeth Taylor se tornou uma diva por ser justamente o extremo oposto de tudo o que idealizei.

Comentários (1)

  • Rafaela Guarnier diz: 8 de abril de 2011

    Adorei o texto, Ju!
    Sabe que eu tenho um sentimento parecido em relação a Brigitte Bardot. Quando li a biografia dela ficava indignada com certas atitudes, principalmente em relação a homens, mas não consigo não admirar ela.A mulher tem muita personalidade e é tri inteligente. Tu já leu? Se não leu vale a pena! O título da biografia é Inicias B.B, e tem em sebos por 5 pila! haha

    Beijo, guria!

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