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Casamentos e mais casamentos

03 de junho de 2011 0

Casamento tem sido um tema bem recorrente aqui no blog. Talvez porque no ano passado tive quatro, dos quais um fui madrinha.  Amo ser dinda do Edu e da Lis. O convite para ser testemunha de um momento tão lindo da vida deste casal foi um dos melhores presentes de 2010. Este ano já tive um, do qual também tive a honra de ser madrinha - Dani e Celo, a festa estava linda. Na sequência, tenho mais dois, sendo que do último também serei dinda, presente do casal petit mais fofo do mundo, Marquinho e Taís.

Poderia escrever sobre filme Vestida para Casar, uma comédia romântica mediana (bem mediana) com a queridinha Katherine Heigl e Malin Akerman (esta também faz uma comédia escrachada muito legal sobre o mesmo assunto, Antes Só do que Mal Casado, dos irmãos Farrelly). Apesar de em alguns momentos destes dois últimos anos eu me identificar com a protagonista deste filme no que diz respeito a aspectos práticos da função de ser madrinha, Vestida para Casar não é muito marcante. É um filme bem óbvio e bobinho que até pode encantar alguns, mas facilmente esquecível. Para mim, só vale pela sequência em que os protagonistas, bêbados, cantam Bennie and the Jets – e só porque se trata de Bennie and the Jets, do Sir Elton John.

Contribuindo para o tema, teve também o casamento real, que foi inspiração para uma pequena lista de casamentos lindos em filmes que adoro (confira aqui).

Não por omissão, mas por pura falta de tempo para pesquisar, acabei deixando de lado um filme muito bonito que assisti há pelo menos 10 anos, do diretor russo Pavel LunginAs Bodas (Svadba, 2000) é uma comédia dramática muito delicada sobre o significado do casamento no seu sentido mais amplo.

Após um tempo morando em Moscou e trabalhando como modelo, Tania retorna à sua cidade natal e, rapidamente, decide se casar com Mishka, seu namorado de infância. Surpresos com a atitude, a população local e o próprio noivo começam a desconfiar dos reais motivos desta união. Além disso, Mishka não tem dinheiro para pagar festa de casamento e o número de convidados aumenta a cada dia. Seu pai, um herói local, é o único que parece apoiar a cerimônia e tem a idéia de pedir a colaboração dos amigos e arrecadar dinheiro para a festa.

O choque cultural entre o casal e entre ela e a cidade é óbvio. Tania representa o que há de moderno, enquanto Mishka é a tipificação do antigo.  Vinda da capital russa, ela vivenciou as liberdades de um novo regime que invadiu o país. Ele permaneceu no interior pobre e ultrapassado, seguindo o determinismo local.

A união destes dois extremos representa o mais belo significado do casamento: a aceitação das diferenças e a esperança em algo melhor. Tânia retrocede e busca no passado uma solução para sua vida. Mishka aceita o novo e o inesperado, mesmo ciente de suas falhas e pecados.

Este enlace é a mistura do novo e do velho, do moderno e do tradicional, do rico e do pobre. É uma bela alegoria da própria Rússia, com todos seus contrastes – a capital Moscou, cheia de modernidades e aberta para o mercado, e o interior pobre e atrasado, ainda preso nas heranças de ideais ultrapassados.

Por fim, um casamento que os países do leste europeu ainda vivenciam nestes últimos 30 anos, o do socialismo com o capitalismo. Só que neste caso, uma união desequilibrada, desigual, cheia de conflitos e que até hoje ainda não está bem resolvida.

Que bom que no filme e nos casamentos que tive e terei a felicidade de ainda presenciar tudo termina com um lindo final feliz!

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