Nunca fui boa na arte do desapego. É sempre dolorido me desfazer de algo, alguém ou situação. Enrolo, nego, empurro com a barriga, adio, choro, mas por fim, fatalmente, chega a hora em que preciso assumir o derradeiro grand finale.
Talvez por isso este seja um dos textos mais difíceis que escrevo. Pois é amigos, chegou o momento de me despedir. Quem ainda acompanhou o blog nestes últimos meses de sobrevida já devia estar imaginando que isso aconteceria. Estava difícil conciliar, os posts foram ficando cada vez mais espaçados, o tempo cada vez mais insuficiente, a cabeça cada vez menos criativa. Mas ainda assim tentei resistir, neguei, ignorei. Agora, no entanto, é o fatídico momento de dizer “até logo”. Uma ruptura necessária, não por isso menos dolorida, mas que vai ser benéfica (espero!).
Encerro o Matinê cheia de idéias que não consegui tirar da cabeça, cheia de textos que não consegui escrever, cheia de filmes que não consegui assistir. Encerro o blog do mesmo jeito que comecei: amando Audrey Hepburn, tendo Casablanca como filme preferido, chorando em comédias românticas bobas e gostando de cinema de qualidade.
Encerro o blog com medo porque a palavra “mudança” para uma pessoa como eu tem um peso cinco mil vezes maior do que deve ter para a maioria. Mas assim como em grandes filmes, na vida real as mudanças também são necessárias.
Por uma destas coincidências mágicas, acabo de me despedir de uma amiga que proferiu a seguinte frase: “A gente tem que arriscar. Se a gente não arrisca, a gente não sai do lugar”.
Acho que chegou minha hora de sair do lugar. Este ainda não é o meu grand finale, apenas o início de um novo ato ou, quem sabe, o meu momento de virada. Mas isso é cena de um próximo capítulo.
Um beijo a todos!




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