Bróder não é um filme nota 10, mas vale pelo esforço. Consegue passar sua mensagem e faz isso de forma muito eficiente.
Ambientado na comunidade de Capão Redondo, distrito da periferia de São Paulo, o longa mostra o reencontro de três amigos de infância que acabaram tomando rumos diferentes. Macu (Caio Blat) é o único que ainda mora na favela – e o único branco entre os três - e flerta com o crime. Pibe (Sílvio Guindane) tem um filho pequeno e vive com a mulher num pequeno apartamento classe média-baixa. Já Jaiminho (Jonathan Haagensen) despontou como craque de futebol, joga na Espanha e está no Brasil fazendo alguns exames e esperando a convocação para a Seleção.
A reunião dos três ocorre para celebrar o aniversário de Macu, que neste mesmo dia recebe a missão de esconder uma criança sequestrada pela quadrilha da região. À medida que as horas passam e os três desfrutam de momentos agradáveis, a pressão dos chefões locais sob Macu aumenta e os desdobramentos disso fatalmente envolverão seus dois amigos.
Para seu longa de estreia, o diretor Jeferson De pesquisou vários anos a realidade na comunidade de Capão Redondo. E o trabalho parece que deu certo. Bróder é um filme impactante e envolvente.
Se retratar a violência nas comunidades de periferia e mostrar como ela é presente na vida de quem permanece lá era um de seus objetivos, pode-se dizer que ele foi muito bem sucedido. Ela está lá, em todos os momentos e em todas as sequências. Não só nas brigas e nas ameaças, mas também nas conversas entre amigos e nas demonstrações de afeto em família. Este é um dos pontos altos do filme.
A fotografia e a direção de arte são muito competentes na ambientação, ao mesmo tempo em que a trama envolve aos poucos, de forma crescente, tal como os conflitos de Macu, que vão tomando dimensões cada vez mais graves. Mesmo já antevendo um final, é possível sentir cada vez mais forte a tensão que antecede a tragédia.
Os dramas pessoais dos outros dois protagonistas acabam sendo ignorados – enquanto Jaiminho parece viver feliz como um novo rico e isso é muito explorado, Pibe é apresentado, no maior parte do tempo, como um pacato cidadão conformado com sua vida mediana. O destino destes dois será selado mesmo pelas escolhas de Macu. Ainda assim, as ótimas atuações de Jonathan Haagensen e Sílvio Guindane superam a pobreza de seus personagens e cada um, à sua maneira e na medida em que a história permite, executa muito bem seu papel. Fazem isso de maneira tão eficiente, que conseguem até mesmo ofuscar Caio Blat, que em alguns momentos exagera e beira ao caricaturesco.
Mesmo com alguns trechos inverossímeis (como a rapidez da polícia em atender uma denúncia de sequestro ou o fato de policiais aliviarem uma contravenção sem nem sequer pedir algo em troca) e outros sem muita função, Bróder consegue se sustentar pela força de sua história.
Como é bom sair de uma sessão de cinema nacional se sentindo satisfeita!
Bróder foi exibido no Festival de Berlim e venceu os Kikitos de Melhor Filme, Diretor, Ator (Caio Blat), Montagem (Quito Ribeiro) e Trilha Sonora (João Marcello Bôscolli) no Festival de Gramado, além dos Prêmios de Melhor Fotografia (Gustavo Hadba), Som (Miriam Biderman), Direção de Arte (Alessandra Maestro) e o Prêmio da Crítica de Melhor Longa-Metragem no III Paulínia Festival de Cinema.















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