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Um casarão para a história

21 de janeiro de 2014 2

Casarão é um dos poucos símbolos preservados da Caxias do início do século passado no bairro Lourdes. Foto: Roni Rigon

O prédio que abriga grande parte da memória (e da história) de Caxias e região por pouco também não ficou apenas na lembrança. Desde 1996 sediando o Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, o casarão da esquina da Av. Júlio de Castilhos com a Humberto de Campos (antiga Rua Gauchinha), em Lourdes, passou pelas mais diversas ocupações ao longo do século passado.

Porém, o estado de degradação interna e externa que se agravou entre o final da década de 1970 e meados dos anos 1980, somado aos primeiros atos em defesa da preservação do patrimônio histórico, acabou por chamar a atenção das iniciativas pública e privada.

Tombado pelo Estado em 1986 e pelo município em 2002, o imóvel comporta hoje um acervo de milhares de documentos e fotos, de origem pública e privada, sobre a história de Caxias do Sul. O Arquivo também possui terminais para consulta digital e recebe doações de famílias e empresas.

Novo prédio da Casa de Negócios de Vicente Rovea, por volta de 1905, agora em alvenaria e com tijolos aparentes. O primeiro comércio, fundado em 1890, funcionou por vários anos em uma casa de madeira. Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Múltiplas ocupações

Apesar de o letreiro da fachada identificar Negocio de Vicente Rovea – Cia Fundado no Anno 1890, data de surgimento do comércio em uma modesta casa de madeira, o prédio em alvenaria só foi erguido por volta de 1905.

Até meados dos anos 1920, abrigou, ao mesmo tempo, a moradia da família Rovea, um comércio de secos e molhados e um armarinho.

Vicente e Bortolina Venzon Rovea, em 1890. Foto: Giovanni B. Serafini. Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Casamento de João Domingos Peretti e Angelina Rovea, filha de Vicente Rovea, em 20 de dezembro de 1916. Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Casa de Negócios de Vicente Rovea em 1917. Vicente Rovea (na porta, de sobretudo); Bortolina Venzon Rovea (esposa de Vicente Rovea), com criança no colo. José Sebastião Scandelli, guarda-livros da Casa de Negócios, ao lado de uma moça (não identificada) na charrete. Foto: Acervo: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O Hospital Carbone

Outras casas de negócio, como Bocchese & Ranzolin e Magnabosco & Chitolina, ocuparam o casarão até 1924, quando o médico Rômulo Carbone (1879-1961) instalou ali sua Casa de Saúde.

Carbone transformou o andar superior em quartos para pacientes e sala de cirurgia, e o térreo, em residência. O local funcionou como hospital até por volta de 1935, sempre com Carbone à frente da clínica, embora em 1931 a casa tenha ganhado novos administradores e o nome de Hospital Beneficente Santo Antônio.

Porém, até hoje é a referência “Antigo Hospital Carbone” que predomina na memória coletiva da cidade.

Rômulo Carbone com sua esposa Luccia e o filho Francesco Pedro Carbone (o “Ferrucio”), provavelmente em meados da década de 1920. Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Inauguração do Hospital Beneficente Santo Antônio em 1931, no prédio onde funcionou a antiga Casa de Negócios de Vicente Rovea. Atualmente, o local abriga o Arquivo Histórico Municipal. Foto: Giácomo Geremia. Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O terceiro pavimento

A partir de 1945, com o rebaixamento da Av. Júlio de Castilhos, o porão aflorou como um novo pavimento, recebendo portas e janelas. Já os antigos acessos principais do negócio de Vicente Rovea viraram os janelões do primeiro andar. O prédio seguiu como moradia coletiva e pensão até que uma ameaça de demolição, em 1979, chamou a atenção para a preservação.

Estudantes e funcionários do Museu Municipal e do Arquivo Histórico deram início a uma campanha pública pela manutenção, inclusive com manifestações defronte ao imóvel (abaixo).

Manifestação popular em 1979 para a preservação do prédio que abrigou a antiga Casa de Negócios de Vicente Rovea, a Casa de Saúde Dr. Carbone e o Hospital Beneficente Santo Antônio. Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Manifestação em 1979 pedia a preservação do espaço e o respeito pela história. Foto: Mário André Coelho, divulgação

O impasse foi resolvido com uma negociação entre empresários e poder público: 18 empresas compraram o prédio para doá-lo à prefeitura. Em troca, receberam índices construtivos para utilização no terreno remanescente. A permuta condicionava a destinação do espaço: abrigar a documentação histórica do município, o que ocorreu gradualmente a partir de 1985.

Fontes: acervo bibliográfico do Arquivo Histórico Municipal e livro Memórias de Caxias do Sul pelo Viés do Patrimônio Tombado, de Heloisa Mezzalira

Saiba mais

* O Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami fica na Av. Júlio de Castilhos, 318, bairro Lourdes

* Horários: segunda a sexta, das 10h às 16h

* Contatos: (54) 3218.6114, 3901.1318 e arquivohistorico@caxias.rs.gov.br

* O acervo é dividido em setores: arquivo público, arquivos particulares, biblioteca de apoio à pesquisa (com diversas obras raras), hemeroteca, banco de memória e fototeca. O setor de fototeca dispõe de aproximadamente 1 milhão de documentos fotográficos, que registram a história da cidade desde os primeiros tempos. São negativos em vidro, flexíveis e positivos, originários de doações de famílias, fotógrafos e material de aquisição, como o do acervo do antigo Studio Geremia, adquirido em 2002.

Comentários (2)

  • maria clara francescato diz: 22 de janeiro de 2014

    Parabéns,Rodrigo Lopes,é muito bom ver nossa história sendo lembrada.Senti falta de minha mãe,Rosita Angelina,conhecia muito bem toda essa história,neta de Vicente Rovea,nasceu nesta casa em 1920,minha vó veio a cavalo da capela da luz,distrito de Vacaria ,para dar a luz a minha mãe. Tudo o que a mãe tinha doou ainda em vida ao arquivo histórico.Tomamos rumos diferentes na vida nas a nossa raiz deve permanecer e ser lembrada,pois fazem parte de nossa vida.Obrigada,abraços.

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