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Era uma vez uma chaminé...

14 de fevereiro de 2014 2
A chaminé vista pela Rua Antônio Prado. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados

A chaminé vista pela Rua Antônio Prado em 1984. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados

Se as extintas Cervejaria Leonardelli e Cooperativa Madeireira Caxiense (atual Hipermercado Big) ainda são lembradas graças à preservação de suas chaminés, mesma sorte não teve o símbolo da antiga Industrial Madeireira Ltda.

Parte do complexo situado na Rua Marechal Floriano foi demolida em meados dos anos 1980 para abrigar o Centro Comercial Alvorada.

A chaminé com o Parque do Sol ao fundo. Foto: Roberto Scola, banco de dados

A chaminé com o Parque do Sol ao fundo em 1986. Foto: Roberto Scola, banco de dados

Apesar de algumas iniciativas pela preservação, a estrutura de 48 metros foi sucumbindo aos poucos (acima, a chaminé com o Parque do Sol ao fundo).

Registros do Pioneiro de dezembro de 1986 e janeiro de 1987 mostram o prédio já abandonado e com um único funcionário desmanchando a torre, munido de martelo e ponteira (fotos abaixo).

À época, o início da demolição da chaminé teria ocorrido sem a licença da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SDU) da prefeitura.

Foto: Maria da Graça Soares, banco de dados

O prédio em 1986. Foto: Maria da Graça Soares, banco de dados

Foto: Gilmar Gomes, banco de dados

O início da demolição em 1986. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados

Foto: Gilmar Gomes, banco de dados

Cenário de abandono em 1986. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados

Nos jornais da época

Então responsável pela fiscalização da SDU, o arquiteto e urbanista Edson Marchioro relatava a situação ao Pioneiro de 30 de dezembro de 1986:

“É pena que a multa seja de somente de Cz$ 300,00. Nem sempre podemos embargar a obra. Até que se consiga um mandato judicial, a destruição estará completa.”

No dia seguinte, a demolição foi temporariamente suspensa. Reportagem de 31 de dezembro de 1986 destacava:

“Uma das alegações da construtora para demolir a chaminé é de que ela estava com rachaduras. No entanto, o Compahc (Conselho do Patrimônio Histórico) já havia efetuado um estudo técnico, comprovando que aquela aparente rachadura não havia comprometido de forma alguma a estrutura do patrimônio.”

O fim da história, porém, todo mundo conhece…

Foto: Nilson, banco de dados

Imponência em meio a ruínas. Foto: Nilson, banco de dados

Foto: Roberto Scola, banco de dados

Rua Marechal Floriano esquina com a Antônio Prado.Foto: Roberto Scola, banco de dados

Foto: Maria da Graça Soares, banco de dados

O prédio pela Rua Marechal Floriano. Foto: Maria da Graça Soares, banco de dados

Foto: Gilmar Gomes, banco de dados

Demolição solitária, tijolo por tijolo. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados

Foto: Gilmar Gomes, banco de dados

Foto: Gilmar Gomes, banco de dados

Há 60 anos

Na década de 1950, o complexo industrial comercializava madeiras brutas e beneficiadas, caixas, esquadrias, equipamentos de tanoaria, terciados e compensados.

Logo abaixo, vemos a fachada pela Rua Marechal Floriano em 1956, com os diversos caminhões da empresa estacionados.

Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Abaixo, uma tomada aérea da empresa em 1974. Repare que a fábrica tomava quase toda a extensão entre as ruas Antônio Prado e Os Dezoito do Forte. A Rua Dall Canalle ainda não havia sido aberta.

Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Aqui, uma vista externa em 1972, onde hoje encontra-se um novo centro de compras.

Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Por fim, uma exposição de móveis na empresa em 1968. Repare no quarto de casal típico da época, com cama e criados-mudos fixos, armário, banqueta e cômoda com charmosos pé-palito.

Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Comentários (2)

  • Vini diz: 14 de fevereiro de 2014

    É revoltante. Enquanto o caxiense não tiver a noção do que realmente importa, enquanto não tiver noção da nossa história, do que é patrimônio histórico, não seremos ninguém. Um povo que está acostumado a arrancar tudo que é árvore pelo caminho, não assusta arrancar exemplares da nossa história. Povinho sem cultura! Um assassinato o que fizeram com esse chaminé.

  • César diz: 15 de fevereiro de 2014

    Lembro desse único funcionário demolindo o chaminé. Trabalhou durante vários meses. E lembro também quando foi retirado o chaminé metálico da penúltima foto, foi mais ou menos em 1993, o Centro Comercial Alvorada já estava funcionando.

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