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Nos primórdios da Maesa

19 de maio de 2014 6
Complexo em estilo manchesteriano domina quarteirão no bairro Exposição. Foto: Roni Rigon

Complexo em estilo manchesteriano domina quarteirão no bairro Exposição. Foto: Roni Rigon

A semana inicia-se com discussões sobre o futuro do prédio da Maesa, incluindo o tombamento e a ocupação. Uma audiência pública, às 19h desta segunda-feira (19), na Câmara de Vereadores, busca jogar luzes sobre um dos ícones do desenvolvimento econômico e industrial de Caxias a partir da década de 1940.

Inaugurado em 1948, quando o império de Abramo Eberle completava 52 anos, o complexo conhecido como a Fábrica 2 sinalizava a fase de maior expansão da empresa, concentrando os trabalhos de fundição, mecânica, forja e produção de talheres. Foi lá, por exemplo, que o Monumento ao Imigrante foi fundido, entre 1953 e 1954.

A Maesa em 1948. Aberturas da parte frontal (abaxio do logotipo) hoje estão fechadas com tijolos. Foto: Studio Geremia, divulgação

A Maesa em 1948. Aberturas da parte frontal (abaixo do logotipo) hoje estão fechadas com tijolos. Foto: Studio Geremia, divulgação

Compreendendo todo o quarteirão entre as ruas Plácido de Castro, Dom José Baréa, Pedro Tomasi e Treze de Maio, a Maesa possui 40 mil metros quadrados de terreno e cerca de 30 mil de área construída. Conforme a doutora em Arquitetura Ana Elísia Costa, autora da pesquisa A Poética dos Tijolos Aparentes e o Caráter Industrial – Maesa, o prédio segue o estilo das fábricas de padrão manchesteriano e das primeiras de caráter moderno no mundo e no Brasil.

>> Como a área da Maesa poderia ser melhor ocupada pela população?

Idealizada e projetada pelos arquitetos Silvio Toigo e Romano Lunardi, a área envolve quatro quadras, deixando livre uma grande área verde (existente até hoje) e algumas ruas internas de acesso, onde estão distribuídas galpões e edificações de um e dois andares.

Segundo Ana, o sistema construtivo é definido por uma estrutura modulada de concreto armado, com as superfícies de tijolos aparentes vedando o conjunto. Em alto relevo, os tijolos ainda emolduram as platibandas e as aberturas (detalhes abaixo).

O complexo visto do alto. Foto: Roni Rigon

O complexo visto do alto. Foto: Roni Rigon

O complexo visto do alto. Foto: Roni Rigon

O complexo visto do alto. Foto: Roni Rigon

O complexo visto do alto, com o lago e a área verde à direita. Foto: Roni Rigon

O complexo visto do alto, com as várias ruas internas, o lago e a área verde (à direita). Foto: Roni Rigon

Complexo em estilo manchesteriano domina quarteirão no bairro Exposição. Foto: Roni Rigon

Complexo em estilo industrial manchesteriano domina quarteirão no bairro Exposição. Foto: Roni Rigon

Complexo em estilo manchesteriano domina quarteirão no bairro Exposição. Foto: Roni Rigon

Complexo em estilo industrial manchesteriano domina quarteirão no bairro Exposição. Foto: Roni Rigon

Complexo em estilo manchesteriano domina quarteirão no bairro Exposição. Foto: Roni Rigon

Complexo em estilo industrial manchesteriano domina quarteirão no bairro Exposição. Foto: Roni Rigon

Uma nova fábrica

Segundo a doutora em Arquitetura Ana Elísia Costa, a ocupação de uma área na periferia da cidade, próxima à BR-116, se tornou necessária devido a uma série de fatores: a saturação do pátio da fábrica da Eberle na área central (Rua Sinimbu), a modernização das práticas tecnológicas, que exigia novas instalações, e as dificuldades de circulação de mercadorias.

Assim, no final da década de 1940, a Maesa foi uma das primeiras indústrias caxienses a forçar o crescimento da cidade para além dos limites urbanos.

Portas de bronze em 1954

Abaixo, o grupo que atuou nos desenhos e na fundição das portas de bronze da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, de Belém do Pará. Em meados dos anos 1950, o trabalho ficou exposto por algumas semanas na Maesa, antes de ser enviado ao norte do país. A partir da esquerda vemos Darci Zampieri, Orevil Bellini, Hugo Seidl, José Schwertner, Bruno Segalla e Lidio Panerai.

Grupo que atuou nos desenhos e na fundição das portas de bronze da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, de Belém do Pará. Foto: Studio Geremia, divulgação

Grupo que atuou nos desenhos e na fundição das portas de bronze da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, de Belém do Pará. Foto: Studio Geremia, divulgação

O significado
Maesa é a sigla para Metalúrgica Abramo Eberle Sociedade Anônima.

O logotipo original, preservado até hoje. Foto: Vera Damian, divulgação

O logotipo original, preservado até hoje. Foto: Vera Damian, divulgação

Comentários (6)

  • enio gomes de lima diz: 19 de maio de 2014

    morei na r Pedro Tomázi, e avistava todo o complexo da MAESA, e já me perguntava o que seria feito de todo o complexo após sua desocupação. Espero, no mínimo, uma ampla área arborizada e um complexo gastronômico/cultural naquele amplo espaço.

  • Viviane diz: 19 de maio de 2014

    Talvez fique muito bom se usado para educação, quem sabe para Universidade Federal? Não sei como é dentro. Só uma sugestão.

  • raulino cercato diz: 19 de maio de 2014

    A ocupação por um centro comercial, com praça de alimentação,cinemas, teatro e sala de exposiçao seria viável e benéfico para aquela região.

  • Michael diz: 19 de maio de 2014

    Cabe muito bem um centro de cultura, casa noturna, festas, bares, cinemas, quadras de esportes, lazer, etc.
    Mas deve ser feito um projeto com investimento privado, regulado pela prefeitura.
    A área é muito grande, deveria ser dividido em pequenas partes/aluguéis, e então alugado cada espaço individualmente.
    Se deixar na sua totalidade para a iniciativa publica, um prédio tão antigo, logo vai estar sucateado, pois não vão ser feitos todos os reparos necessários, ou , pelo contrário, vai se tornar um elefante branco.

  • andre diz: 19 de maio de 2014

    uma área deste tamanho, com prédios históricos e tanta área verde, em plena zona central da cidade é uma preciosidade. Só espero que, para a decisão a ser tomada, se tenha a noção da importância de uma área destas para a cidade.

  • Marina diz: 19 de maio de 2014

    Todos têm um pouco de razão. Espero q nao se torne um elefante branco por má gestão da prefeitura. A iniciativa privada associada ao poder público tem um bom exemplo de sucesso na revitalização do patrimonio do largo da estação férrea. Me parece indiscutível a preservação da área verde destinada ao uso público pois faltam espaços de convivência na cidade. Indiscutível é tambem é a realizacao de concurso público de projetos de arquitetura para a revitalização deste complexo urbano que é a MAESA.

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