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Cantina Antunes nos anos 1980: um período de indefinições

02 de junho de 2014 0
O complexo da cantina visto do alto em 1988. Repare na enorme área verde ainda intacta nos fundos do terreno, hoje dominada por prédios. Foto: Geraldo André Susin, divulgação

O complexo da cantina visto do alto em 1988. Repare na enorme área verde ainda intacta nos fundos do terreno, hoje dominada por prédios. Ruínas à esquerda dariam lugar ao Fórum. Foto: Geraldo André Susin, divulgação

Em tempos em que se discute o futuro da Maesa, incluindo o tombamento pelo Patrimônio Histórico e as propostas de repasse pelo Estado, a coluna recorda de outro complexo que, nos anos 1980, virou um símbolo do abandono e da inércia pública para a a preservação: a antiga Cantina Antunes.

Mesmo com uma lei de 1984 determinando que o espaço arquitetônico fosse transformado em uma área de preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Caxias – e de laudos técnicos apontarem para a urgência dos trabalhos de recuperação -, o que se viu nos anos 1980 e boa parte dos 1990 foi uma crescente deterioração do espaço.

São do caótico período compreendido entre 1982 e 1988 – ano em que União repassou o complexo ao município – os registros desse post. Como a prefeitura optou por não investir em imóveis que “não lhe pertenciam”, a cidade acompanhou durante mas de uma década um melancólico processo de degradação – e desrespeito por sua história.

O pórtico em 1986, ainda com parte dos prédios que dariam lugar ao Fórum (à direita). Foto: Maria da Graça, banco de dados

O pórtico em 1986, ainda com parte dos prédios que dariam lugar ao Fórum (à esquerda). Foto: Maria da Graça, banco de dados

A via de acesso com o pórtico ao fundo em 1985, período em que o complexo sofreu com o abandono. Foto: Maria da Graça, banco de dados/Pioneiro

A via de acesso com o pórtico ao fundo em 1985, período em que o complexo sofreu com o abandono. Foto: Maria da Graça, banco de dados/Pioneiro

O complexo já em fase de abandono em 1982. Ao fundo, o prédio que restou, hoje sede do Centro de Cultura Ordovás. Foto: Roberto Scola, banco de dados

O complexo já em fase de abandono em 1982. Ao fundo, o prédio que restou, hoje sede do Centro de Cultura Ordovás. Foto: Roberto Scola, banco de dados

Apogeu e queda de um império

Fundada em 1865, em Porto Alegre, a Cantina Antunes chegou a Caxias por volta de 1910, mas teve seu apogeu verificado entre as décadas de 1930 e 1950. Filho do português Luiz Antunes –  e aconselhado por ele -, Armando Luiz Antunes mudou-se para a cidade em 1913 (provável data da construção do pórtico) para abrir uma filial da empresa. Químico prático, com especialização em vitivinicultura, Antunes buscava impulsionar o cultivo de uvas e o comércio de vinhos.

Após transformar Caxias na principal fornecedora da bebida na região, o empresário transferiu-se definitivamente para a Serra. Junto ao complexo do bairro Panazzolo, Armando construiu um amplo casarão para morar com a esposa, Jandira Neves, e as quatro filhas: Noêmia, as gêmeas Ilka e Ilza (que veio a falecer aos dois anos) e Nilza.

Nos tempos áureos, quando fornecia vinhos para vários estados brasileiros, a vinícola chegou a somar mais de 100 mil parreirais de diversas espécies de uva e empregar centenas de trabalhadores.

Trabalhadores nos vinhedos da Antunes em meados da década de 1930. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Trabalhadores nos vinhedos da Antunes em meados da década de 1930. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O início do fim

As constantes crises do setor registradas entre os anos 1960 e 1980 contribuíram para o fechamento da empresa, em 1982.  Dívidas decorrentes de impostos com a União resultaram em um leilão de praticamente todo o maquinário e equipamentos, em 1984 – a área construída, no entanto, ficou de fora.

Quatro anos depois, em 1988, prédio e área foram cedidos pela Fazenda Nacional ao município. Porém, a demora da administração em recuperar o patrimônio resultou em abandono, saques e na rápida deterioração do complexo.

A estrutura comprometia em 1987, com o Parque do Sol ao fundo. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados

A estrutura comprometia em 1987, com o Parque do Sol ao fundo. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados

Detalhes de uma arquitetura que se perdeu.  Foto de 1989: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Detalhes de uma arquitetura que se perdeu, em registro de 1989. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Os prédios que cederam espaço ao Fórum em 1986. Foto: Vasco Rech, banco de dados/Pioneiro

Os prédios que cederam espaço ao Fórum em 1986. Foto: Vasco Rech, banco de dados/Pioneiro

Pipas em meio aos escombros em 1985. Foto: Roberto Scola, banco de dados/Pioneiro

Pipas em meio aos escombros em 1985. Foto: Roberto Scola, banco de dados/Pioneiro

Parte dos fundos dos prédios onde hoje localizam-se a UAB e a Casa das Etnias, em 1986. Foto: Maria da Graça, banco de dados/Pioneiro

Parte dos fundos dos prédios onde hoje localizam-se a UAB e a Casa das Etnias, em 1986. Foto: Maria da Graça, banco de dados/Pioneiro

Parte do complexo em 1984.  Casa à direita abriga hoje Casa das Etnias e UAB. Foto: Luiz Carlos Leite, banco de dados/Pioneiro

Parte do complexo em 1984. Casarão à esquerda, onde funcionava o antigo escritório da vinícola, abriga hoje Casa das Etnias e UAB. Foto: Luiz Carlos Leite, banco de dados/Pioneiro

Os prédios que cederam espaço ao Fórum em 1985. Foto: Maria da Graça,banco de dados/Pioneiro

Os prédios que cederam espaço ao Fórum em 1985. Foto: Maria da Graça,banco de dados/Pioneiro

Construção do Fórum em 1993. Foto: Raul Ben, banco de dados/Pioneiro

Construção do Fórum em 1993. Foto: Raul Ben, banco de dados/Pioneiro

Mudança de cenário

No início dos anos 1990, parte da área onde os prédios já haviam ruído foi escolhida para abrigar o novo Fórum de Caxias. Nos anos seguintes, o derradeiro prédio sobrevivente foi recuperado e transformado no Centro Municipal de Cultura Henrique Ordovás Filho.

Já o casarão da família Antunes, de propriedade particular e localizado nos fundos do terreno, transformou-se na boate Quinta Estação, hoje um misto de restaurante e casa de eventos. Dois outros prédios vizinhos, restaurados recentemente, abrigam a União das Associações de Bairro (UAB) e o Ponto de Cultura Casa das Etnias.

Prédio para descarregamento de produtos em 1987. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Prédio para descarregamento de produtos em 1987. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Velhas pipas em meio a escombros em 1986. Foto: Maria da Graça, banco de dados/Pioneiro

Velhas pipas em meio a escombros em 1986. Foto: Maria da Graça, banco de dados/Pioneiro

O Parque do Sol, ícone da arquitetura caxiense, captado em meio aos escombros de uma arquitetura que se foi. Foto: Maria da Graça, banco de dados/Pioneiro

O Parque do Sol, ícone da arquitetura caxiense, em meio aos escombros de uma arquitetura que se foi, em 1986. Foto: Maria da Graça, banco de dados/Pioneiro

Ruínas em 1989. Foto: Gilmar Gomes, banco de dado/Pioneiro

Ruínas em 1989. Foto: Gilmar Gomes, banco de dado/Pioneiro

Interior da cantina com infiltrações de água em 1986. Foto: Roberto Scola, banco de dados/Pioneiro

Interior da cantina com infiltrações de água em 1986. Foto: Roberto Scola, banco de dados/Pioneiro

Remoção de maquinário e pipas em 1985. Foto: Roberto Scola, banco de dados/Pioneiro

Remoção de maquinário e pipas em 1985. Foto: Roberto Scola, banco de dados/Pioneiro

Técnicos avaliam as condições do espaço em 1985. Foto: Roberto Scola, banco de dados/Pioneiro

Técnicos avaliam as condições do espaço em 1985. Foto: Roberto Scola, banco de dados/Pioneiro

O Parque do Sol, ícone da arquitetura caxiense, captado em meio aos escombros de uma arquitetura que se foi, em 1987. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

O Parque do Sol, ícone da arquitetura caxiense, captado em meio aos escombros de uma arquitetura que se foi, em 1987. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

O complexo com boa parte já destruída em 1990; Foto: Carla Pauletti, banco de dados/Pioneiro

O complexo com boa parte já destruída em 1990. Recuperado, o prédio ao fundo abriga desde 2001 o Centro de Cultura Ordovás. Foto: Carla Pauletti, banco de dados/Pioneiro

Em tempo: o pórtico, um dos poucos símbolos originais da época, veio abaixo em 2012, após um caminhão ultrapassar a altura permitida – felizmente, foi reconstruído meses depois.

Mais sorte teve a chaminé: permanece até hoje intacta nos fundos do Ordovás. Confira nas duas imagens abaixo.

A chaminé e o prédio que foi transformado no Centro de Cultura Ordovás, em imagem de 1991. Foto: Raul Ben, banco de dados/Pioneiro

A chaminé (ao fundo) e o prédio que foi transformado no Centro de Cultura Ordovás, em imagem de 1991. Foto: Raul Ben, banco de dados/Pioneiro

A chaminé atualmente, nos fundos do Centro de Cultura Orodovás. Foto: Rodrigo Lopes/Agência RBS

A chaminé atualmente, nos fundos do Centro de Cultura Orodovás. Foto: Rodrigo Lopes/Agência RBS

Leia mais sobre as antigas chaminés de Caxias AQUI.

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