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O ocaso do Cine Vêneto

04 de junho de 2014 0
O Cine Vêneto em janeiro de 1992, quando amargava baixas bilheterias e exibia filmes pornográficos. Foto:  Toni do Espírito Santo, banco de dados/Pioneiro

O Cine Vêneto em janeiro de 1992, quando amargava baixas bilheterias e exibia filmes pornográficos. Foto: Toni do Espírito Santo, banco de dados/Pioneiro

Caçula entre os antigos cinemas de Caxias do Sul, o Cine Vêneto fechou as portas pouco antes de completar a maioridade. Inaugurada em finais de 1979, a sala teve sua exibição derradeira em 26 de fevereiro de 1997. Reportagem do Pioneiro do dia 28 daquele mês destacava o encerramento das atividades no título: “A agonia do Vêneto chega ao fim”.

Então programador da Distribuidora de Filmes Wermar, Antonio Sousa justificava na época que a sala recebia de 50 a 60 pessoas por semana – às vezes bem menos –, e os rendimentos de bilheteria não cobriam sequer o aluguel do espaço. “O dinheiro arrecadado com uma sessão não paga nem a conta de luz. Nosso prejuízo com o Vêneto era superior a R$ 2 mil por mês”, revelava Sousa a repórter Rogéria de Paula.

A última sessão exibiu o filme de aventura A Sombra e a Escuridão para apenas oito pessoas. A capacidade total da sala era de 400 lugares.

Depois de abrigar uma igreja por anos, atualmente o espaço está para alugar.

A clássica fachada luminosa em 1979, anunciando uma das maiores bilheterias do cinema nacional: Dona Flor e seus Dois Maridos, com José Wilker e Sonia Braga. Foto: banco de dados/Pioneiro

A clássica fachada luminosa em 1979, anunciando uma das maiores bilheterias do cinema nacional: Dona Flor e seus Dois Maridos, com José Wilker e Sonia Braga. Foto: banco de dados/Pioneiro

O cinema em março de 1989, após dez anos de atividades. Foto: Maurício Moraes, divulgação

O cinema em março de 1989, após dez anos de atividades. Foto: Maurício Moraes, divulgação

O surgimento

Localizado na Avenida Júlio de Castilhos, na divisa entre o Centro e o bairro Lourdes, o Cine Vêneto foi fundado pelo empresário Firmino Pelini, na época também proprietário do prédio onde funcionava a sala. Passados alguns anos, Pelini alugou o espaço e transferiu-o para a Distribuidora de Filmes Wermar, a mesma do extinto Cine Prataviera.

Após o breve período áureo, com filmes alternativos e ciclos – entre 1979 e 1988 –, a direção começou a exibir produções mais comerciais e títulos pornôs. Nessa época, os letreiros permaneciam vazios, e os cartazes eróticos eram afixados em cavaletes na recepção.

A estratégia, porém, não evitou uma tendência que atingiria praticamente todos os cinemas de rua do país a partir dos anos 1990: migração das salas para os shoppings, baixa procura do público, prejuízo e consequente fechamento.

A retirada das antigas  cadeiras de madeira e dos equipamentos de projeção em fevereiro de 1997. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

A retirada das antigas cadeiras de madeira e dos equipamentos de projeção em fevereiro de 1997. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Em 1997

Quando o Vêneto fechou, em 1997, Caxias já estava órfã do Real, do Guarany, do Central e do Imperial. O Ópera havia sucumbido três anos antes, em 1994, em um misterioso incêndio que completa 20 anos em dezembro.

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