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A praça das rosas

01 de julho de 2014 2
Rosas dominavam os canteiros nas alamedas da Praça Ruy Barbosa, no início dos anos 1960. Ao fundo, os prédios do Banrisul, do Cine Guarany e do antigo Hotel Menegotto, na Rua Marquês do Herval. Foto: Hildo Boff, Ótica Caxiense Ltda, acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Rosas dominavam os canteiros nas alamedas da Praça Ruy Barbosa, no início dos anos 1960. Ao fundo, os prédios do Banrisul, do Cine Guarany e do antigo Hotel Menegotto, na Rua Marquês do Herval. Foto: Hildo Boff, Ótica Caxiense Ltda, acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Houve um tempo em que a Praça Dante Alighieri atendeu por Praça Ruy Barbosa (meados dos anos 1940 até 1990). Mas outra denominação também ficou na lembrança de quem tem mais de 40 anos.

A chamada praça das rosas remete à época em que os canteiros eram delimitados por baixas cercas de arame, o chafariz era rodeado de roseiras vermelhas e brancas, e o cartão-postal de Caxias ainda figurava como roteiro para passeios e todo tipo de registro para a posteridade.

Tal característica, banal para os caxienses que circularam pelo Centro até os anos 1980, chamou a atenção da escritora Rachel de Queiroz (1910-2003) durante uma breve passagem por Caxias, à época em que colaborava com a revista O Cruzeiro, nos anos 1940/1950.

Recordada pelo jornalista e ex-colaborador do Pioneiro Jimmy Rodrigues (1925-2013) em 2003, na crônica As Rosas de Rachel, a história ressurgiu novamente a partir de uma publicação dos alunos do curso de Jornalismo da Universidade de Caxias do Sul no site Tá na Pauta (www.tanapauta.com.br) – espécie de laboratório on line para os estudantes, coordenado pela professora Branca Sólio.

Embora hoje os canteiros e aleias da praça cheguem aos noticiários mais pela profusão de pombas e ratos, o coração de Caxias já contou com uma referência bem mais poética.

Os canteiros recheados de roseiras em meados dos anos 1960, com o clássico edifício Caixa de Fósforo ao fundo. Foto: José Guinart, Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Os canteiros recheados de roseiras em meados dos anos 1960, com o clássico edifício Caixa de Fósforo ao fundo. Foto: José Guinart, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Em livro

A crônica As Rosas de Rachel (leia abaixo) também integrou o livro A Voz e a Palavra – O Fluir da Vida sob o Olhar do Cronista, coletânea de textos de Jimmy Rodrigues, organizada pelo jornalista e escritor Marcos Fernando Kirst e lançada pela editora Belas Letras em 2008.

Jimmy Rodrigues faleceu aos 87 anos em 6 de junho de 2013.

O chafariz da praça rodeado de rosas em meados dos anos 1960. Ao fundo, o antigo Hotel Bella Vista (na esquina da Sinimbu com a Marquês do Herval) e o prédio da Metalúrgica Abramo Eberle. Foto: Hildo Boff, Ótica Caxiense Ltda, acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

O chafariz da praça rodeado de rosas no início dos anos 1950. Ao fundo, o antigo Hotel Bella Vista (na esquina da Sinimbu com a Marquês do Herval) e o prédio da Metalúrgica Abramo Eberle, ainda sem o relógio. Foto: Hildo Boff, Ótica Caxiense Ltda, acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

As rosas de Rachel (crônica publicada originalmente no jornal Pioneiro em 11 de novembro de 2003)

Desde menino, eu gostava de admirar as rosas da Praça Dante Alighieri (que foi também Rui Barbosa). Nas tardes ensolaradas do verão serrano, sentava-se em um dos bancos toscos de madeira e ficava olhando para as roseiras.

Perdia-me em pensar que artista divino haveria executado aquela beleza e variedades de cores, os traços delicados das pétalas, aqueles ramalhetes que aliviavam o coração da gente. Logo que soube, terça-feira, da morte de Rachel de Queiroz, lembrei-me das rosas que namorei tanto tempo.

Certa vez, Rachel veio conhecer Caxias, no tempo em que escrevia crônicas na penúltima página da revista O Cruzeiro. 
Como todas as almas sensíveis, a escritora cearense encantou-se com as rosas de nossa praça. Deixou de lado parreirais, cantinas, fábricas, para fazer das rosas o tema que a revista de Chateaubriand espalhou por todo o país.

Fiquei feliz ao constatar que não somente eu e algumas outras pessoas mais inebriaram-se diante daquele tapete de flores. 
Para Rachel de Queiroz, as rosas da Praça Dante haviam sido uma das vistas mais lindas da cidade dos imigrantes italianos que plantaram no chão pedregoso da serrania verdejante não apenas a uva que nos dá o vinho e o trigo como que se faz o pão. Mas também rosas magníficas brotavam da terra generosa para alimentar-nos o espírito.

As rosas de Rachel, que eram minhas também, não eram perpétuas. E transformaram-se em pó. 
Pó que, no entanto, é como o luzir das estrelas eternas plantadas no jardim azul do firmamento celeste. Nunca mais encontrei a folha com a crônica das rosas, mas passado tanto tempo, teimo em pensar que ela foi escrita para aquele menino que jamais esqueceu as flores que tanto encantavam as tardes ensolaradas do verão serrano.

E voltarão um dia, por que não sei como, mas guardo a certeza de que tudo o que é belo foi feito para sempre, mesmo que em pó venha a se tornar.

Jimmy Rodrigues (1925-2013)

O escritor Jimmy Rodrigues em 2003. Foto:  Edson Costa, banco de dados/Pioneiro -  03/09/2003

O escritor e jornalista Jimmy Rodrigues em 2003. Foto: Edson Costa, banco de dados/Pioneiro – 03/09/2003

A então Praça Ruy Barbosa, captada para um cartão-postal de divulgação da Festa da Uva de 1969. Foto: acervo pessoal de Aires Lopes de Oliveira, divulgação

A então Praça Ruy Barbosa, captada para um cartão-postal de divulgação da Festa da Uva de 1969. Foto: acervo pessoal de Aires Lopes de Oliveira, divulgação

Comentários (2)

  • Maria Helena Muratore diz: 7 de outubro de 2014

    Que belo histórico e fotos da nossa querida Caxias do Sul .Parabéns ao Rodrigo Lopes pela divulgação em sua sua Coluna Memória ,no Jornal Pioneiro .

  • Maria Helena Muratore diz: 14 de maio de 2015

    As roseiras da praça Dante eram ( não sei se existem ainda… ) belíssimas. A variedade das rosas era grande ,elas proporcionavam encantamento em quem se detinha em observa-las . Adorei a Matéria e as fotos. Parabéns !!!

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