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Um abraço no Cine Ópera em 1991

03 de julho de 2014 2
O Abraço ao Ópera em 3 de setembro de 1991. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

O Abraço ao Ópera em 3 de setembro de 1991. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Pegando carona no abraço virtual e presencial à Maesa, proposto pelo pioneiro.com nesta quinta-feira (3), a coluna recorda do Abraço ao Ópera, ato que mobilizou cerca de 2 mil pessoas na manhã de 3 de setembro de 1991.

No centro de uma polêmica envolvendo poder público, defensores do patrimônio e proprietários do imóvel, o antigo Cine Ópera sucumbiu em 24 de dezembro de 1994, vítima de um misterioso incêndio, mal esclarecido até hoje.

Entre a comunidade cultural não foram poucas as tentativas de salvar um dos ícones arquitetônicos do centro. Além do abraço, dezenas de reuniões, mobilizações e audiências públicas dominaram o noticiário naquele início dos anos 1990.

Ao mesmo tempo em que cartazes alertavam para a recuperação do prédio, já em avançado estado de deterioração interna e externa (“Vamos abraçar o Ópera, não vamos deixar que a nossa história fique na lembrança”), uma faixa com dizeres bem menos simpáticos ficou na memória de muita gente que transitou pela esquina da Pinheiro Machado com a Dr. Montaury, em 1994.

“Queremos casas, Ópera não” eternizou-se como uma espécie de epitáfio para um dos símbolos que Caxias mais lamenta ter perdido até hoje (foto abaixo).

A faixa que se tornou um dos símbolos do fim do Ópera, em 1993. Foto: Tatiana Sager, banco de dados/Pioneiro

A faixa que se tornou um dos símbolos do fim do Ópera, em 1993. Foto: Tatiana Sager, banco de dados/Pioneiro

Apesar de todas as mobilizações, o Ópera foi reduzido a um estacionamento vertical, ironicamente batizado de Garagem Ópera.

O Abraço ao Ópera em 3 de setembro de 1991. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

O Abraço ao Ópera e a mobilização da comunidade estudantil em 3 de setembro de 1991. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

O Abraço ao Ópera, noticiado em 4 de setembro de 1991. Foto: reprodução

O Abraço ao Ópera, noticiado em 4 de setembro de 1991. Foto: reprodução

A esquina

Sucesso dos cinemas em 1991, o filme Ghost – Do Outro Lado da Vida, estrelado por Demi Moore e Patrick Swayze, teve o letreiro dividindo espaço com o cartaz de divulgação da ópera O Barbeiro de Sevilha e os alertas para a preservação, conforme mostra a imagem acima.

O espetáculo, o último apresentado no palco do cinema, teve sessão única em 4 de setembro daquele ano, um dia após o abraço da população. A apresentação marcava o início das comemorações do jubileu de prata da Universidade de Caxias do Sul, fundada em 1967.

A apresentação de "O Barbeiro de Sevilha", noticiada pelo Pioneiro. Foto: reprodução

A apresentação de “O Barbeiro de Sevilha”, noticiada pelo Pioneiro. Foto: reprodução

O Abraço ao Ópera, em 3 de setembro de 1991, levou centenas de pessoas à esquina da Pinheiro com a Dr. Montaury. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

O Abraço ao Ópera, em 3 de setembro de 1991, levou centenas de pessoas à esquina da Pinheiro com a Dr. Montaury. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Repare também nas ruas Pinheiro Machado e Dr. Montaury, ainda dominadas por paralelepípedos e com estacionamento oblíquo.

O Abraço ao Ópera, em 3 de setembro de 1991, levou centenas de pessoas à esquina da Pinheiro com a Dr. Montaury. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Mobilização para salvar o cinema levou centenas de pessoas à esquina da Pinheiro com a Dr. Montaury. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

O Abraço ao Ópera, em 3 de setembro de 1991, levou centenas de pessoas à esquina da Pinheiro com a Dr. Montaury. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Luta pela preservação do prédio atraiu centenas de pessoas à esquina da Pinheiro com a Dr. Montaury em 1991. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Audiências públicas, encontros e reuniões dentro do cinema não impediram o trágico desfecho do cinema. Foto: Antônio Galvão, banco de dados/Pioneiro

Audiências públicas, encontros e reuniões dentro do cinema não impediram o trágico desfecho do Ópera. Foto: Antônio Galvão, banco de dados/Pioneiro

Alerta

Neste dia 3 de julho, quando governo do Estado e prefeitura assinam o projeto para repasse do complexo a Caxias, com finalidades públicas, recordar do trágico destino do Ópera não significa apena lamentar o que se perdeu.

É hora de se apropriar da história da Maesa, encaminhar o tombamento o mais rápido possível, garantir a ocupação e perpetuar tudo o que a metalúrgica representou para a cidade.

Leia mais sobre a Maesa AQUI.

Comentários (2)

  • Marilena Turra diz: 3 de julho de 2014

    A ”extinção” de um tempo, uma era, uma história! Lamentável! Neste cinema, assisti e muitos caxienses também, filmes memoráveis!
    O cinema Òpera era, sem duvida,um local para encontros culturais, familiares,era adentrar no tempo.E não querer sair dali.Um povo que não considera e preserva sua história será com certeza, absorvido por outras manifestações culturais que ”invadem” a todo o momento espaços vazios de cultura.

  • jose diz: 3 de julho de 2014

    uma cicatriz na história de nossa cidade. que sirva de exemplo e não se cometa mais tamanha estupidez.

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