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Um incêndio agita o Centro de Caxias em 1952

13 de agosto de 2014 5

Incêndio na esquina das ruas Sinimbu e Marquês do Herval assustou e mobilizou população do centro de Caxias em 1952. Foto: José Dallabilia, acervo pessoal de Maria Angélica Pettinelli Angonese, divulgação

O ano de 1952 ficou marcado por um dos incêndios que mais assustaram a área central. Em 23 de novembro, uma explosão na antiga Ferragem Caxiense – localizada na Rua Sinimbu, defronte ao Eberle – consumiu parte do prédio de alvenaria, um casarão de dois pavimentos em madeira ao lado, onde funcionava o curso de desenho da metalúrgica, e a antiga Casa Minghelli, estabelecimento comercial situado na esquina com a Marquês do Herval.


Mesmo com a rápida ação de bombeiros, populares e funcionários do Eberle, o trecho ficou reduzido a escombros, fuligem e tábuas enegrecidas, tamanha a quantidade de madeira e material inflamável.

As fotos deste post, disponibilizadas pela leitora Maria Angélica Pettinelli Angonese, filha do ex-diretor da metalúrgica Carlos Caetano Pettinelli, trazem uma rara sequência da tragédia. As imagens, mostrando o teto da ferragem sendo consumido pelas chamas e os arredores da fábrica, foram captadas pelo também funcionário da Eberle José Dallabilia, posicionado no terraço.

O prédio da antiga Ferragem Caxiense, na Rua Sinimbu, tomado pelas chamas em 1952. Foto: José Dallabilia, acervo pessoal de Maria Angélica Pettinelli Angonese, divulgação

Registro captado do terraço da Metalúrgica Abramo Eberle mostra o fim da lendária Casa Minghelli, hoje Edifício Minghelli, na esquina da Sinimbu com a Marquês do Herval. Foto: José Dallabilia, acervo pessoal de Maria Angélica Pettinelli Angonese, divulgação

Toda em madeira, Casa Minghell  ficou destruída em poucas horas. Foto: José Dallabilia, acervo pessoal de Maria Angélica Pettinelli Angonese, divulgação

Reportagem do jornal Pioneiro daquela semana destacou um prejuízo de Cr$ 5 milhões, além da perda de quase todos os estoques das duas lojas. À época, conforme relatos do jornal, não houve registros de vítimas fatais.

Anos depois, no final da década de 1950, o terreno da Casa Minghelli cedeu lugar ao Edifício Minghelli, hoje conhecido como o prédio da Joalheira Kayser (foto abaixo).

A esquina no início dos anos 1960, já com o novíssimo Edifício Minghelli, hoje conhecido como o prédio da Joalheria Kayser. Foto: Studio Geremia, acervo pessoal de Beatriz Gollo, divulgação

Tragédia premiada

Apesar do pânico, o sinistro rendeu uma das imagens mais conhecidas e premiadas do fotógrafo Mauro De Blanco: “O Inferno de Dante”. Naquela manhã de domingo, De Blanco (1924-2010) enquadrou o busto de Dante Alighieri em primeiro plano, como que a testemunhar o desespero da população e as enormes labaredas atingindo a Casa Minghelli e a ferragem.

Coisa de mestre!

O Inferno de Dante, uma das imagens mais conhecidas e premiadas do fotógrafo Mauro De Blanco. Foto: Mauro De Blanco, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Comentários (5)

  • João Carlos Pieruccini Faé diz: 14 de agosto de 2014

    Este incêndio ficou muito marcado em mim. Naquele domingo minha família tinha ido na missa da Catedral e eu estava junto. Tinha apenas três anos, mas lembro bem das explosões e das enormes labaredas. Sempre tive grande curiosidade de ver as fotos do fato, e agora finalmente pude. Apenas uma correção: O incêndio ocorreu no domingo, dia 23, e não no dia 22 como foi divulgado na reportagem.
    Parabéns pelo trabalho!

  • Maria Helena Muratore diz: 30 de setembro de 2015

    Esta reportagem ,as fotos e a filmagem deste grande incêndio me levou ao ano de 1952,quando com 12 anos e morando nos fundos do mesmo,na Av. Júlio de Castilhos,estávamos apavorados porque diziam que a quadra inteira poderia ser atingida.
    Ficou na minha lembrança e agora pela primeira vez vejo um documentário rico em detalhes e fotografias da tragédia . Parabéns Rodrigo pela extraordinária Matéria.

  • Ivan Zeni dos Santos diz: 24 de fevereiro de 2016

    Exatamente no dia desse histórico incêndio da Ferragem Caxiense à Rádio Caxias ZYF-3, a promotora de eventos esportivos na época, realizava uma prova de ciclismo com percurso Caxias-Farroupilha-Caxias. A transmissão radiofônica da competição foi interrompida para levar informações do incêndio ao vivo. Os ciclistas foram chegando na avenida Julio de Castilhos, defronte ao Café Central, pulando sobre as mangueiras do Corpo de Bombeiros, estavam entendidas através da Praça “Rui Barbosa”. Essa informação foi me passada por Charles Milton Lamb, o “chaleira” o ciclista vencedor naquele dia. Estou preparando material para relembrar o ciclismo caxiense dos anos 40/50/60 em nossa região.

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