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Menina-prodígio agita o Cine Teatro Real em 1950

21 de agosto de 2014 2
A apresentação de 1950, no Cine Teatro Real, integrou turnê de Giannella pela América do Sul. Foto: acervo pessoal de Lourdes Curra, divulgação

A apresentação de 1950, no Cine Teatro Real, integrou turnê de Giannella pela América do Sul. Foto: acervo pessoal de Lourdes Curra, divulgação

No dia 9 de setembro de 1950, o público de Caxias do Sul aplaudiu uma legítima menina-prodígio: a maestrina italiana Giannella de Marco, de apenas sete anos. Foi no palco do antigo CINE TEATRO REAL, inaugurado no início daquele ano por ocasião da Festa Nacional da Uva.

Giannella regeu um grupo de 40 professores da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, que acompanhava o tenor Gonçalo Cortes. Na foto acima, um raro registro da apresentação, quando parte do coro das alunas do Curso de Formação de Professores Primários da Escola Normal Duque de Caxias homenageou a menina cantando a valsa Giannella.

Na imagem, entre outras alunas, aparecem Lourdes Curra, Zilda Schio, Evalina Manfredini, Ceci Puerari e Doroty Scartazzini.

Foto: reprodução jornal Pioneiro

Anúncio na capa do jornal Pioneiro destacava a apresentação única. Foto: reprodução jornal Pioneiro

Talento precoce

Giannella tornou-se uma sensação mundial a partir de 1949, quando a imprensa a destacava como a mais jovem maestrina a reger orquestras de primeiro nível, entre elas a Sinfônica de Roma.

O talento precoce levou o então chamado “anjo ruivo” a uma série de apresentações pela Europa e América do Sul, todas calcadas nos repertórios de Mozart, Verdi, Rossini, Grieg e Wagner.

Em 1953, por exemplo, a garotinha contabilizava sua 123ª atuação como maestrina dirigindo nada menos do que a London Philarmonic Orchestra, na capital britânica.

Giannella de Marco em 1949. Foto: acervo pessoal de Raul Quevedo, divulgação

Giannella de Marco em 1949. Foto: acervo pessoal de Raul Quevedo, divulgação

Uma valsa

A apresentação de Giannella de Marco pelo Estado mereceu uma composição-tema, Giannella, assinada pelos professores Angelo e Eleonardo Caffi, diretores do Conservatório Musical Rossini, localizado em Porto Alegre.

Em 1950, além de lotar o Theatro São Pedro, na capital gaúcha, e passar por Caxias e Pelotas, Giannella de Marco regeu orquestras no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. A turnê latino-americana incluiu ainda cidades como Buenos Aires e Montevidéu.

Detalhe do programa de apresentação; Foto: acervo pessoal de Lourdes Curra, divulgação

Detalhe do programa de apresentação. Foto: acervo pessoal de Lourdes Curra, divulgação

Detalhe do programa de apresentação, com a música Giannella, composta por Caffi. Foto: acervo pessoal de Lourdes Curra, divulgação

Detalhe do programa de apresentação, com a música em homenagem a Giannella, composta por Angelo e Eleonardo Caffi. Foto: acervo pessoal de Lourdes Curra, divulgação

Detalhe do programa de apresentação. Foto: acervo pessoal de Lourdes Curra, divulgação

Detalhe do programa de apresentação. Foto: acervo pessoal de Lourdes Curra, divulgação

Por onde anda?

O destino de Giannella de Marco é praticamente desconhecido. Referências em jornais dão conta de apresentações somente até o início dos anos 1960, quando a menina saía da adolescência.

Em pesquisas na Internet, a maestrina costuma aparecer em links sobre superdotados e crianças prodígio. Em um artigo no site www.vivaocharque.com.br, sobre o município de Pelotas, há um relato da filha de Giannella. Segundo uma mensagem de Cristina Pini de Marco, a mãe teria falecido em 2010.

Lourdes Curra (à direita) e as colegas do magistério da Escola Normal Duque de Caxias, em um baile no Clube Juvenil, em 1950. Foto: Studio Tomazoni Caxias, acervo pessoal de Lourdes Curra, divulgação

Lourdes Curra (à direita) e as colegas do magistério da Escola Normal Duque de Caxias, em um baile no Clube Juvenil, em 1950. Foto: Studio Tomazoni Caxias, acervo pessoal de Lourdes Curra, divulgação

Festa no Clube Juvenil

A escritora e professora aposentada Lourdes Curra, homenageada da Feira do Livro de Caxias 2014,  possui um vasto acervo sobre a vida social e cultural da cidade nos anos 1950. Na foto acima, ela aparece junto a um grupo de colegas de magistério da Escola Normal Duque de Caxias, durante um baile no Clube Juvenil, em outubro de 1950, poucas semanas após o concerto de Giannella de Marco no Cine Real.

O flagrante acima destaca, a partir da direita, Lourdes, Vilma Rivoire, Ida Reis, Ney Ramos, Joana Pagnon (de óculos), Evalina Manfredini, Rudemir Marchioro, a então diretora da escola Rosalba Hipólito (sentada, de perfil) e a professora Dinorah (sentada, ao centro).

Comentários (2)

  • Rocco diz: 21 de agosto de 2014

    Bom dia
    Fiquei curiosa e fui ler sobre a menina Giannella! Pelo relato infelizmente ela já faleceu!

    Dear Mr. Perello, first of all I have to apologize for my delay in answer, but some lot of troubles took me off from computer.
    Thanks a lot of remembering my mom,. It’s a honour and a pleasure for me to talk with someone who saw her conducting as a child, and remembering her after all this time.
    I’ve lots of photos picturing her conducting in Brazil, so when I found your beautiful article remembering her I was so excited that I couldn’t resist to write to you.
    Unfortunately Giannella died on january, exactly the 24th, after a life signed of troubles and ills. Giannella had a beautiful and full of success childhood, but at the age of 20 something seems has happened, something that let her loose her demon. I don’t know how and why exactly, but it’s happened and she was never the same Giannella.
    After all she was a good piano teacher in Santa Cecilia’s conservatory until 1995, when she felt in a bad and long ill.
    I miss her very much, but the big photo box picturing her conducting orchestras all over the world and the unimaginable amount of newspapers articles, keep her alive.
    Regarding the Giannella’s photo you’ve published on vivacharque.com, it’s one of my favourite one. I’m really very honoured too to be aware that the wooden plate I’ve always seen in my famyly house, it’s the same of a bronze one placed in the Teatro Guarani in Pelotas.
    Giannella always talked about Brazil, how it was her country of choice.
    Unfortyunately she never went back, and it was a big regret for her.
    Dear mr. Perello thank a lot of remembering her, she deserve it….

    With all of my gratitude,
    Cristina Pini de Marco
    Roma / Itália

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