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Martha Rocha, Miss Brasil 1954, visita Caxias do Sul

29 de agosto de 2014 3

Martha Rocha conhece a prataria da Metalúrgica Abramo Eberle, acompanhada pelos diretores Caetano Pettinelli (ao centro) e Hugo Argenta. Foto: Studio Geremia, coleção particular de Carlos Caetano Pettinelli, divulgação

Na metalúrgica: Martha é ciceroneada por Enio Luiz Arioli, gerente e mentor do Varejo do Eberle (à esquerda), e pelo engenheiro Carlos Caetano Pettinelli (à direita). Foto: Studio Geremia, coleção particular de Carlos Caetano Pettinelli, divulgação

O ano de 1954 deu a largada para os concursos de Miss Brasil. E a eterna Martha Rocha, vencedora daquela primeira edição, logicamente passou por Caxias do Sul.

Foi em maio do ano seguinte, quando a loura chegou à cidade a convite da direção do Recreio da Juventude e do Clube Juvenil, presididos respectivamente por Miguel Sehbe e Josué Ponzi. Também agilizaram a vinda da miss o jovem empresário Carlos Caetano Pettinelli e colegas da turma de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Hospedada na extinta mansão da família Pettinelli, localizada na Rua Sinimbu, entre a Borges de Medeiros e a Alfredo Chaves, a jovem de 19 anos cumpriu uma concorrida agenda festiva e turística durante três dias: 21, 22 e 23 de maio de 1955.

Além de participar de dois bailes, promovidos pelo Recreio da Juventude e pelo Clube Juvenil, Martha deu o pontapé inicial em uma partida de futebol do Grêmio Esportivo Flamengo contra o Juventude, na antiga Baixada Rubra, hoje Estádio Centenário. O roteiro incluiu ainda visitas à Metalúrgica Abramo Eberle, à Malharia Salatino e a Kalil Sehbe S/A Indústria do Vestuário.

Martha e o engenheiro Carlos Caetano Pettinelli, o Carluccio, conferem a produção têxtil da fábrica Kalil Sehbe S/A Indústria do Vestuário. Foto: Studio Geremia, coleção particular de Carlos Caetano Pettinelli, divulgação

A Miss Brasil, acompanhada pela assistente pessoal e o engenheiro Carlos Caetano Pettinelli (ao centro), durante visita à fábrica da família Sehbe. À esquerda, Jorge Sehbe e os filhos. À direita (de perfil), o empresário Miguel Sehbe, também presidente do Recreio da Juventude. Foto: Studio Geremia, coleção particular de Carlos Caetano Pettinelli, divulgação

Martha confere os clássicos alfinetes esculpidos por Bruno Segalla por ocasião da visita do presidente Getúlio Vargas à Festa da Uva, em 1954. Foto: Studio Geremia, coleção particular de Carlos Caetano Pettinelli, divulgação

Alfinetes de Bruno Segalla

Os alfinetes espiados por Martha Rocha na foto acima são duas preciosidades que integram o acervo do Instituto Bruno Segalla, em Caxias do Sul. Eles foram esculpidos por Bruno Segalla por ocasião da visita do presidente Getúlio Vargas à Festa da Uva de 1954 – na época, Segalla trabalhava no setor de gravação da empresa.

Na cabeça de um deles lê-se a frase: Salve Getúlio Vargas. A vontade soberana do povo quis que ele voltasse. Com ele estarão todos aqueles que trabalham e esperam por um Brasil maior. No outro está uma efígie do presidente.

Com um milímetro de diâmetro, as obras só podem ser vistas com o auxílio de um microscópio. A inspiração para o trabalho surgiu a partir do contato de Segalla com a arte milenar da escrita em grão de arroz.

Leia mais sobre o Instituto Bruno Segalla e a trajetória do artista clicando AQUI.

Martha Rocha defronte à antiga mansão da família Pettinelli, na Rua Sinimbu, entre a Borges de Medeiros e a Alfredo Chaves, em maio de 1955. Na imagem, a miss aparece entre Caetano Pettinelli e Angelina Eberle Pettinelli. Foto: Studio Geremia, divulgação

Miss ficou hospedada no antigo casarão da família Pettinelli, na Rua Sinimbu, atraindo centenas de curiosos e fãs. Foto: Studio Geremia, coleção particular de Carlos Caetano Pettinelli, divulgação

Martha Rocha durante um jantar oferecido na mansão da família Pettinelli, em maio de 1955. Foto: coleção particular de Carlos Caetano Pettinelli, divulgação

Miss Brasil cumpriu uma vasta agenda de compromissos, entre eles um almoço tradicionalista promovido pelo CTG Rincão da Lealdade no antigo restaurante do Pavilhão da Festa da Uva, na Rua Alfredo Chaves. Foto: Studio Geremia, coleção particular de Carlos Caetano Pettinelli, divulgação

A visita

Vaidosa ao extremo, a miss veio escoltada por uma secretária particular e uma cabelereira, que costumavam acompanhá-la em todas as visitas pelo país.

Celebridade absoluta da época, ela também movimentou o centro – durante a breve estadia na casa da família Pettinelli, uma multidão de fãs costumava se aglomerar defronte ao muro da Rua Sinimbu para tentar vê-la e tirar fotos.

Mas o auge da passagem por Caxias ocorreu no sábado, dia 22 de maio de 1955, quando Martha foi a convidada de honra do baile de gala que integrava a programação do jubileu de ouro do Clube Juvenil, fundado em 1905.

Naquela noite, ela coroou a jovem Lourdes Ponzi como a Rainha de Maio.

Pós-reinado

Em junho de 1955, Martha Rocha passaria a faixa de Miss Brasil para Emília Barreto Corrêa Lima, representante do Estado do Ceará. Porém, o ideal de beleza consolidado pela baiana seguiria influenciando gerações e gerações de mulheres pelas décadas seguintes.

Atualmente com 78 anos anos, Martha Rocha vive em Niterói, no Rio de Janeiro.

Dois clássicos dos anos 1950: Martha e a revista O Cruzeiro. Foto: reprodução

Miss estampou centenas de capas de revistas nos anos 1950/1960. Foto: reprodução

As duas polegadas

Após conquistar a faixa de Miss Bahia, Maria Martha Hacker Rocha foi eleita Miss Brasil em 26 de junho de 1954, no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Um mês depois, disputando o Miss Universo nos Estados Unidos, Martha perdeu o título para a americana Miriam Stevenson.

Reza a lenda que a derrota se deveu a duas polegadas a mais nos quadris – na verdade, uma invenção do jornalista João Martins, da revista O Cruzeiro, para consolar o público brasileiro, inconformado com o segundo lugar no certame. 

Miss inspirou criação de um clássico da gastronomia. Foto: Valdir Friolin, Agência RBS

Inspiração para torta e carro

Eterno hit gastronômico dos aniversários, principalmente no sul do Brasil, a torta Martha Rocha seria uma invenção de dona Dair da Costa Terzado. Proprietária da Confeitaria das Famílias, em Curitiba, ela teria se inspirado na imagem da miss (de pele bastante clara, olhos azuis e cabelos louros cacheados) para criar a iguaria e compensar a derrota.

Aparentemente simples, uma massa de pão-de-ló branca e de chocolate, recheada com creme de ovos moles, nozes e chantilly, a torta segue imbatível, tal qual sua musa inspiradora.

Outra curiosidade da época foi a picape 3100 com duas polegadas a mais de distância entre os eixos, lançada pela Chevrolet em 1955. O utilitário, apelidado de Martha Rocha, pegou carona nas polêmicas “medidas extras” da miss.

Picape com duas polegadas a mais nos eixos também levou nome da Miss. Foto: reprodução

Agradecimento especial

As fotos deste post foram cedidas por Maria Angélica Pettinelli Angonese e integram o acervo particular da família Pettinelli.

Comentários (3)

  • Adauto Celso Sambaquy diz: 29 de agosto de 2014

    Realmente é uma das mulheres mais lindas que eu encontrei em minha vida. Estive no baile do Recreio da Juventude e a vi bem de perto. Até hoje eu acredito que foi uma injustiça não ter sido a Miss Universo. Essa baiana marcou a vida de muita gente com sua beleza irradiante. Tenho uma foto dela com o time do G. E. Flamengo, junto com o Senhor Décio Vianna.

  • Vini diz: 29 de agosto de 2014

    Injustiça não ter sido a Miss Universo? Deixamos de ser bairristas, o corpo perdeu para a americana (duas polegadas não é um centímetro, são quase sete centímetros a mais). Mas era linda e iluminada de rosto. Eu sou um estudioso sobre o assunto. O Miss Universo naquela época já era bem criterioso e hoje infelizmente, está uma verdadeira esculhambação política, encabeçado por Trump. E essa mansão que devia ter sido tombada do Pettinelli dando lugar a um edifício sem expressão? Do que vale essa história se os caxienses não sabem como preservar?

  • Roberto Macêdo diz: 30 de agosto de 2014

    Martha é praticamente unanimidade em todo o mundo: deveria ter sido realmente a Miss Universo 1954. Essa questão de medidas é balela, ninguém levava isso a sério. Inclusive, ninguém tomou suas medidas em Long Beach, onde foi realizado o concurso. Só para corrigir, uma polegada equivale a 2,54cm. Logo, ela tinha apenas 5cm a mais de quadris.
    Sou jornalista e também estudioso do assunto e acabo de escrever a biografia de Martha Vasconcellos, a outra Martha baiana famosa, Miss Universo 1968. O livro será lançado em outubro, pela Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, dentro do projeto Gente da Bahia. Vejam aqui uma reportagem a respeito na TV Bahia (Globo):

    http://redeglobo.globo.com/ba/redebahia/redebahiarevista/videos/t/edicoes/v/conheca-a-historia-de-martha-vasconcellos-baiana-e-unica-miss-universo-do-brasil/3585349/

    E eu sendo entrevistado por Jô Soares:

    https://www.youtube.com/watch?v=8lepOKok_BU

    Abraço

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