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Quando Caxias circulava de moto: a trajetória do mecânico José Rech

09 de setembro de 2014 0
José Rech e uma Harley Davidson modelo 1938, restaurada por ele em 1946.  O local é a Rua Os 18 do Forte, quase esquina com a Andrade Neves. Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

José Rech e uma Harley Davidson modelo 1938, restaurada por ele em 1946. O local é a Rua Os 18 do Forte, quase esquina com a Andrade Neves. Ao fundo, o antigo casarão da família Bellini e o prédio do Senai. Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

Quem pilotou uma motocicleta entre os anos 1940 e 1990 muito provavelmente passou pela oficina de José Rech (1907-1992). Referência para gerações e gerações de pilotos, Giuseppe Reche (nome italiano contido na certidão de nascimento e no certificado de reservista de guerra) foi o primeiro mecânico de motos da região e teve boa parte de sua vida atrelada ao ofício – ou melhor, a uma paixão.

Toda essa trajetória remete ao início da década de 1930, época em que o jovem trabalhava na matrizaria da Metalúrgica Abramo Eberle. Quando começaram a chegar as primeiras motocicletas a Caxias do Sul, Rech logo tratou de garantir a sua: uma Zehnder adquirida do escultor Estacio Zambelli (proprietário do lendário atelier de imagens sacras), em 1935.

A “mão” e o talento para a mecânica, aperfeiçoados com o trabalho na metalúrgica, transformaram Rech numa referência em consertos e manutenção dos modelos ingleses, alemães e tchecos que começavam a circular pelas ruas caxienses nos anos 1940 – entram aí exemplares das marcas Indian, Harley-Davidson, BMW, DKW, Zundapp, Zehnder, BSA, Ariel, Puch, Triumph, Monark e Jawa.

Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

José Rech (em pé, à direita) e um grupo de amigos em 1946. Sentados na Harley Davidson estão o cunhado Aleixo De Stefani e seu filho Roberto (no colo). Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

O mecânico e a clássica Harley Davidson restaurada. Registro defronte à casa e oficina situadas na Rua Os Dezoito do Forte, no ano de 1946. Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

José Rech em ação na oficina mecânica em meados dos anos 1940. Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

A oficina

A oficina surgiu nos fundos de casa (na Rua Os Dezoito do Forte, entre a Andrade Neves e a Guia Lopes), onde o filho de imigrantes italianos também produzia peças terceirizadas para o império de Abramo Eberle.

Visionário, Abramo costumava financiar e incentivar os empregados da fábrica para que abrissem seus próprios negócios – além de vender a maioria das máquinas e ferramentas, o empresário ofereceu-lhe o terreno da moradia.

José Rech e Zelinda Palandi em um registro de janeiro de 1938, na Praça Dante Alighieri. Seis meses depois, em 2 de junho de 1938, eles oficializavam a união. Foto: Studio Geremia, acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

José Rech e Zelinda Palandi em um registro de janeiro de 1938, na Praça Dante Alighieri. Seis meses depois, em 2 de junho de 1938, eles oficializavam a união. Foto: Studio Geremia, acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

De pai para filho

O filho Alberto Rech, 67 anos, engenheiro mecânico e também um apaixonado por motos, recorda do trabalho na oficina desde que era pequeno, no final dos anos 1940. Pai e filho atuavam lado a lado, cada um na sua cadeira.

– Lembro de estar sempre junto, entregando as ferramentas ou lavando as peças, que depois seriam usadas na montagem das motos. Para consertar era preciso fabricar ou restaurar as peças. Não existiam lojas ou revendedoras, e as fábricas eram de outro continente – completa o filho, que até hoje preserva o rico acervo do pai.

Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

José Rech e sua clássica primeira moto Zehnder na oficina, em 1989. Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

Um padrinho

José Rech até hoje é lembrado com carinho pelos antigos clientes da oficina. Depois das broncas e xingões nos pilotos que apareciam com as motos danificadas, vinham conselhos do tipo: “se cuidem, não corram…” Era uma espécie de pai para os motoqueiros.

Primeira carteira em 1939

Na sequência abaixo detalhes da “Carta de Condutor de Motociclo Amador” de José Rech, expedida pela Delegacia de Trânsito e Acidentes em 1939.

A carteira integra o acervo mantido pelo filho Alberto Rech.

Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

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