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Alberto Rech e as relíquias do motociclismo caxiense

10 de setembro de 2014 16
Alberto Rech em sua garagem, um misto de oficina e museu, onde são restauradas motos e contadas muitas histórias. Foto: Jonas Ramos

Alberto Rech em sua garagem, um misto de oficina e museu onde são restauradas motos e contadas muitas histórias. Na imagem, uma Indian 1929. Foto: Jonas Ramos

A paixão de Alberto Rech por motocicletas acompanha-o desde o início dos anos 1950, quando, ainda criança, ele auxiliava o pai, o também mecânico José Rech, na antiga oficina da família – localizada na Rua Os Dezoito do Forte, entre a Andrade Neves e a Guia Lopes.

Mas foi quando Alberto cursava o último ano de Engenharia Mecânica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, em 1969, que essa vocação tomou outro rumo.

Estreava nas telas o clássico Sem Destino, ícone da rebeldia no final dos anos 1960, responsável por fazer a cabeça de boa parte daquela geração. A história, porém, não importava tanto. O que interessava a Rech eram as motos:

- Disse para o meu pai: “quero uma igual”.

Em 1967: Rech em sua primeira moto, uma Zundapp DS 350 1937, ganha de presente do pai, aos 20 anos. Acompanham o jovem a irmã Maria Luiza, o irmão Paulo e a sobrinha Taisa. Foto: acervo pessoal, divulgação

Em 1967: Rech em sua primeira moto, uma Zundapp DS 350 1937, ganha de presente do pai, aos 20 anos. Acompanham o jovem a irmã Maria Luiza, o irmão Paulo e a sobrinha Taisa. Foto: acervo pessoal, divulgação

Alberto Rech e sua A Harley-Davidson em 1971. O local é o início da Rua Pinheiro Machado, próximo ao Parque da Imprensa. Foto: acervo pessoal, divulgação

Alberto Rech e sua Harley-Davidson em 1971. O local é o início da Rua Pinheiro Machado, próximo ao Parque da Imprensa. Foto: acervo pessoal, divulgação

Quando tudo começou: o clássico Sem Destino (Easy Rider, de 1969) motivou Rech a construir uma moto igual a do filme. Foto: Jonas Ramos

Quando tudo começou: o clássico Sem Destino (Easy Rider, de 1969) motivou Rech a construir uma moto igual a do filme. Foto: Jonas Ramos

De volta a Caxias e à oficina de seu José, ele trabalhou durante um ano em sua “criação”. De uma velha Harley-Davidson 1948, obtida de um amigo em Galópolis, sobraram apenas a caixa e o motor. Moldando peça por peça, Rech transformou-a em um modelo Chopper praticamente idêntico aos usados por Peter Fonda e Dennis Hoopper.

Até chegar lá, porém, foram dezenas de idas ao cinema, muitas fotos, pôsteres e pesquisas em revistas importadas. Tudo para que o jovem mecânico conseguisse reproduzir fielmente a Harley eternizada nas telas.

- Acho que vi o filme umas 40 vezes. Não dava para memorizar todos os detalhes – recorda ele, 24 anos em 1971.

Reportagem do jornal Folha da Tarde, de 1972, detalhou a "construção" da moto. Foto: acervo pessoal de Alberto Rech. divulgação

Reportagem do jornal Folha da Tarde, de 1972, detalhou a “construção” da moto. Foto: acervo pessoal de Alberto Rech. divulgação

Enfim, a “Sem Destino”

A estreia, num passeio pela Av. Júlio até o Cristóvão de Mendoza, levou muita gente para as janelas e sacadas e impressionou as meninas, conforme detalhou uma reportagem do antigo jornal Folha da Tarde. Todos queriam ver a moto “Sem Destino”.

A partir daí, Rech seguiu o caminho do pai: fez do universo motociclístico e das detalhadas restaurações e customizações o trabalho de uma vida. Porém, quase sempre atuando nos bastidores.

Enquanto a maioria dos amigos pilotava nos campeonatos de motocross nos anos 1980, ele só fazia a preparação:

- Costumava dizer: “andem vocês, que eu fico só ouvindo, para ver se está tudo bem regulado” – conta.

Foto: Jonas Ramos

Alberto Rech em sua oficina: um templo de raridades e histórias. Foto: Jonas Ramos

Universo particular

Adentrar o térreo da casa de Alberto Rech, na Rua Andrade Neves, é muito mais do que visitar uma oficina mecânica. O local concentra boa parte da história do motociclismo caxiense, brasileiro e mundial.

Pela paredes, registros das clássicas corridas realizadas na área central da cidade nos anos 1950, pôsteres, fotos antigas, cartazes, adesivos e um sem número de suvenires. Por toda extensão do porão, motocicletas, peças, acessórios, revistas, manuais, ferramentas, pneus, motores e praticamente todo o acervo herdado de seu José Rech, falecido em 1992.

Foto: Jonas Ramos

Detalhes da oficina Rech Motos. Foto: Jonas Ramos

Foto: Jonas Ramos

Paredes são recheadas de fotografias antigas do motociclismo caxiense, cartazes, pôsteres e propagandas. Foto: Jonas Ramos

Foto: Jonas Ramos

Detalhe do modelo Indian 1929, atualmente sendo restaurado. Foto: Jonas Ramos

Raridades no acervo

Entre tantas preciosidades, o primeiro modelo adquirido pelo pai, em 1935: uma Zehnder 1927, atualmente em fase de restauração.

- Só quatro pessoas andaram nela nesses 80 anos: o antigo dono (Estacio Zambelli, que vendeu-a para meu pai, em 1935), o meu pai, eu e o meu filho. O próximo será o meu neto, que farei questão de levar para passear – completa.

O escultor Estacio Zambelli (ao centro) vendeu o modelo Zehnder 1927 ao pai de Alberto Rech em 1935. A moto é mantida na oficina até hoje. Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

O escultor Estacio Zambelli (ao centro) vendeu uma Zehnder 1927 ao pai de Alberto Rech, em 1935. A moto é mantida na oficina até hoje. Foto: acervo pessoal de Alberto Rech, divulgação

Foto: Jonas Ramos

Detalhe da Zehnder 1927, atualmente sendo restaurada por Alberto Rech. Foto: Jonas Ramos

Foto: Jonas Ramos

Zenhder 1927 que pertenceu ao pai de Alberto Rech é uma das preciosidades do acervo. Foto: Jonas Ramos

Confira um vídeo em que Alberto Rech detalha o processo de restauração de um modelo Indian 1929 e comenta o acervo do pai, José Rech.

Leia mais sobre a trajetória de José Rech, o primeiro mecânico de motos de Caxias do Sul, clicando AQUI.

Encontro de Carros e Motos Antigas ocorre neste domingo, no estacionamento da prefeitura. Foto: divulgação

Encontro de Carros e Motos Antigas ocorre neste domingo, no estacionamento da prefeitura. Foto: divulgação

Encontro neste domingo

Neste domingo, dia 14, das 8h ao meio-dia, ocorre mais uma edição do Encontro Mensal de Carros e Motos Antigos, no estacionamento inferior da prefeitura, na Rua Alfredo Chaves. É a chance de conferir raridades, trocar informações e conhecer um pouco mais sobre a história do motociclismo caxiense.

Aberta a colecionadores e curiosos, a atração ocorre sempre no segundo domingo de cada mês desde 2005. Em caso de chuva, o encontro fica para o mês seguinte.

Vocação demonstrada desde cedo: Rech posa junto a um modelo Zundapp 1937 250 cc, que o pai usava para levá-lo passear nos anos 1940 e 1950. Foto: acervo pessoal, divulgação

Vocação demonstrada desde cedo: o pequeno Alberto Rech posa junto a um modelo Zundapp 1937 250 cc, que o pai usava para levá-lo passear nos anos 1940 e 1950. Fotos: acervo pessoal/divulgação (antiga) e Jonas Ramos (atual)

Comentários (16)

  • Gisele Reech diz: 10 de setembro de 2014

    Difícil expressar o agradecimento por retratar de forma tão brilhante a história desse homem que é meu exemplo, meu herói… chorar de felicidade por ler tão belas palavras não tem preço… parabensss Rodrigo, fizeste feliz uma filha que longe está de corpo, mas de coração vive grudada nesse cara ai!!!!

  • Idalino Mazzocchi diz: 10 de setembro de 2014

    Ter historia é ter passado. Quem não tem passado não tem historia. Parabéns Alberto

  • jeferson mallmann diz: 10 de setembro de 2014

    ola alberto…li sua reportagem em ZH…tambem possuo um pequeno museu em casa c 3 motos de epoca….qualquer dia vou lhe visitar…ok jeferson de teutonia RS

  • Luiz Carlos Palandi Theil diz: 10 de setembro de 2014

    Parabéns Alberto, brilhante tuas memórias e histórias.
    Fiquei por demais contente e emocionado, ao ver e relembrar um pedaço
    deste passado.
    Minha emoção, além disso, foi ver também fotos em que meu Pai, Ernesto
    se faz presente.
    Aceite meus cumprimentos, forte abraço.

  • Juliana Rosa de Souza diz: 10 de setembro de 2014

    Sr Alberto, diante destas lindas reportagens, eu lhe parabenizo, não chego a tanto…
    me contento com a minha Neo Yamaha ….ahahahhaha.
    Abraços.

  • Bruno Wunsch diz: 10 de setembro de 2014

    Sr. Alberto, quando vi a reportagem na Zero, vim correndo ver as raridades, pois tenho uma Suzuki 100 ano 1973. Parabéns pela dedicação a preservação da história do motociclismo, fazendo a restauração das raridades. ABRAÇÃO

  • Luiz Claudio Franzoi diz: 11 de setembro de 2014

    Rech, esta reportagem magnífica ainda é pouco para registrar teu conhecimento e tua paixão pela mecânica e pelas motos mais especificamente… Aprendi muito contigo, e acho que tamanho conhecimento e simpatia mereciam mesmo uma divulgaçao em nosso jornal da serra. O vídeo que fizeram não é capaz de registrar todo teu (nosso) amor por motos antigas, ou quase antigas…
    Que continues sempre agitando no mundo das duas rodas, e algum dia terminaremos aquela quinhentinha…Abraços, do LC.

  • Nilva Maria Dartora diz: 11 de setembro de 2014

    Sou fissurada por tudo o que se remete ao passado, pois somos imigrantes, e portanto, viemos dos antepassados, e que bom que pessoas como tu, vem tornar público uma maravilha dessas.
    Parabéns por esta iniciativa.
    Meu filho e eu, gostaríamos se fosse possível, conhecer tua coleção de motos, e acervo .

  • Marco Antonio Guidini diz: 14 de setembro de 2014

    merecida homenagem. parabéns pelos anos dedicados em preservar a história das motocicletas. um abraço!!!!

  • Augusto Mario Artico diz: 18 de setembro de 2014

    Prezado Alberto Rech
    Esta vivo em minha memoria, a Rua os 18 do Forte na subida da ladeira, o casarão da família Rech. Uma rampa que dava acesso a oficina do Rech. Vivo na memoria visual e no odor das narinas. Sempre que passava por ali sentia o cheiro de óleo característico de motor 4 tempos. Uma que outra moto estacionada necessitando de reparos. Seu pai Jose Rech subindo a rampa ou conversando com clientes. Era o ano de 1967 no qual eu cursava o primeiro cientifico do Carmo. Você e meu irmão Osvaldo já cursavam a engenharia em POA. Boas e saudosas lembranças essas. Parabéns ao jornal Pioneiro pela reportagem real e verdadeira dos Rech. Foi o pai quem se dedicou e o filho que continua com paixão no convívio da mecânica deste mundo das motocicletas.
    Forte abraço
    Augusto M. Artico

  • Leonel Niemeyer diz: 22 de dezembro de 2015

    Olá Sr Alberto, moro em Brasília e tenho um pequeno acervo de máquinas clássicas; BSA, Matchless; Triumph, harleys ( 1928 e 1929 e outras….) e duas Indians Scout Junior 1928 e Uma Scout 101 1928 ( igual à sua !! ) e estou procurando que nem um doido, um tanque de gasolina para essa Scout 750cc, se o amigo souber de algum, ficarei grato por qualquer informação.
    Outra moto que ronda meus sonhos ,é uma NSU Konsul 500cc e acho que é mais fácil de encontrar uma , ai pelo Sul….
    Parabéns por essa Historia tão bonita ! Gosto tanto dessas máquinas que prometo uma visita, assim que passar ai por caxias…se eu puder ajudar em alguma coisa, conte comigo. Paz e saúde.
    Leo

  • Fabio Perazzo diz: 1 de março de 2016

    Boa tarde, tenho algumas peças raras de uma Harley Davidson Panhead 1948 que era de propriedade do meu pai falecido infelizmente dia 14/02/2016 , desculpa usar o espaço para auxilio de sua experiência, caso tenha algum contato que se interesse nas peças ficaria grato, são peças históricas boa para recuperação ou decoração, tenho algumas fotos se necessitar , muito obrigado.

  • ANSELMO LUIS PEREIRA DE SOUZA diz: 20 de março de 2016

    SR. ALBERTO BOAS RECORDAÇÕES EU TENHO DESTES TEMPOS,POIS MEU PAI TINHA TB MOTOCICLETAS ANTIGAS TIPO INDIAN 1200 CHEFE,ROYAL ENFIELD,JAWA250 E OUTRAS FUI CRIADO RODEADO POR ELAS, PORTANTO HERDEI DE MEU PAI O GOSTO POR TD ISSO.AGORA QUE ESTOU APOSENTADO PORÉM TRABALHANDO RESTA UM POUCO MAIS DE TEMPO PRA ME DEDICAR A RECUPERAÇÃO DE MOTOCICLETAS QUE ELE JÁ FALECIDO DEIXOU NO FUNDO DA CARAGEM.COMECEI A RECUPERAR A ROYAL ENFIELD G350CC 1947, PORÉM ESTOU COM DIFICULDADE EM CONCLUIR O CÂMBIO E A EMBREAGEM, POIS FALTA ALGUMAS PÇS, MESMO COM O MANUAL NÃO CONSIGO DIMENCIONAR A PÇ POIS SÓ EXISTE A FOTO.O IDEAL ERA VER SE CONSEGUIA UM COMPLETO E TIRAR AS PÇS.A PARTE DO MOTOR JÁ CONSEGUI, O QUADRO,RODAS AS PARTES DAS LATAS, TÁ TD ANDANDO.JÁ FIZ PESQUISA DE DETALHES PORÉM AGORA EU PRECISO DE AJUDA PARA CONCLUIR MAIS ESTA ETAPA.DEPOIS NA SEQUECIA SERIA A REFROMA DO JAWA 250 QUE ME ESPERAR.
    SE O SENHOR PODER ME AJUDAR FICO MUITO AGRADECIDO.
    MAIS UMA VEZ PARABENS, LINDA HISTÓRIA.

    ATT.ANSELMO LUIS

  • Lauri Antônio Rosa Gobo diz: 19 de junho de 2016

    Ola Alberto tenho uma Zundapp DB 200 1937, mas me faltam algumas peças e se possível algumas dicas e locais onde posso conseguir seriam de grande ajuda. Abraços de um amante das raridades. Sou de Palmeira das Missões R/S.

  • Alberto diz: 22 de julho de 2016

    Olá, Sr. Alberto.
    Lindo o seu trabalho e capricho na recuperação de tantas motos. Um atelier como poucos!!!
    Possuo uma yamaha RD 50cc ano 1975 e estou a procura de dicas e informações que possam me auxiliar na restauração. Gostaria muito de conhecer o seu acervo e trocar algumas idéias contigo. Seria possível ? grande abraço

  • LUIZ FERNANDO MULLER diz: 21 de setembro de 2016

    Ola,Sr. Alberto vendo o seu trabalho com as motos peço seu auxilio, pois tenho uma moto jawa perak 250 1947 sendo recuperada . Moro em Taquara,RS,comprei algumas peças na MCA Motos antigas e estou a procura do chicote elétrico pois eles não tem mais a venda esta peça.Aguardo resposta, desde já agradeço e um grande abraço
    .

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