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TV Caxias - Canal 8 em 1973

18 de setembro de 2014 0
Foto: Basílio Scalco, divulgação

Otoni Minghelli (em pé), entre os diretores Nestor Rizzo e Julio Cesar Pacheco, no Rincão da Lealdade em 1973. Foto: Basílio Scalco, divulgação

Idealizada pelos empresários NESTOR RIZZO, Otoni Minghelli e Maurício Sirotsky, a RBS TV Caxias – Canal 8 entrou em operação durante o certame da Festa da Uva de 1969. Quatro anos depois, em dezembro de 1973, um jantar no CTG Rincão da Lealdade serviu para apresentar as novidades em sua estrutura operacional.

Na ocasião, Minghelli (em pé, na foto acima) anunciou o ingresso de Julio Cesar Pacheco (à direita, de camisa preta) na gerência comercial. Além disso, revelou aos convidados as mudanças administrativas a serem implantadas para o ano de 1974.

Entre as inovações e aprimoramentos destacaram-se o contrato de patrocínio firmado com a empresa Madezatti e a aquisição de equipamentos para produção e veiculação de comerciais coloridos.

Leia mais sobre a chegada da TV Caxias – Canal 8 clicando AQUI.

Versatilidade

O comunicador e escritor Luiz Carlos de Lucena atuou na TV Caxias numa época que se exigia dos profissionais versatilidade para inúmeras funções.

Em seu primeiro período de trabalho na emissora, de 1969 a 1976, exerceu as funções de locutor de cabine, apresentador substituto e cobrador, além de desenvolver atividades no departamento pessoal.

Em 1971, Lucena e o cinegrafista Heraldo Molina produziram uma matéria na Sociedade Recreio Gramadense, que ficou marcada como a primeira gravação em videotape pela emissora (foto abaixo).

Foto: acervo pessoal de Luiz Carlos de Lucena, divulgação

Heraldo Molina e Lucena em 1971, durante a cobertura de um baile na Sociedade Recreio Gramadense. Foto: acervo pessoal de Luiz Carlos de Lucena, divulgação

Um ano depois, em 1972, durante a pioneira transmissão colorida para o Brasil, ocorrida na abertura da Festa da Uva, Lucena recepcionou artistas do elenco da Rede Globo como Francisco Cuoco, Tônia Carrero e Jô Soares.

Já no período de 1982 a 1985, atuou como gerente executivo. Na imagem abaixo, de outubro de 1983, Lucena (ao centro, de barba), Nestor Gollo e Paulo Caselani visitam as manobras militares do 3º GAAAé, na represa do Samuara, acompanhados dos cinegrafistas Eduardo Hammen (com a câmera) e Dino Brito.

Foto: acervo pessoal de Luiz Carlos de Lucena, divulgação

Gollo, Lucena e Caselani em 1983. Foto: acervo pessoal de Luiz Carlos de Lucena, divulgação

Espírito tradicionalista

A RBS TV Caxias sempre deu atenção especial às promoções e manifestações da Semana Farroupilha. O então gerente executivo Luiz Carlos de Lucena (de barba), que atualmente dedica-se à literatura regionalista, incentivou permanentemente o espírito tradicionalista no ambiente interno da emissora.

Abaixo, por exemplo, vemos funcionários trajados com a indumentária gaúcha há 30 anos, em setembro de 1984. Entre as prendas vemos a jornalista Marliva Gonçalves (a primeira sentada, à esquerda).

Foto: acervo pessoal de Luiz Carlos de Lucena, divulgação

Equipe da RBS TV Caxias – Canal 8 devidamente caracterizada para a Semana Farroupilha de 1984. À esquerda, sentada, a apresentadora e prenda Marliva Gonçalves. Foto: acervo pessoal de Luiz Carlos de Lucena, divulgação

Recorde da Kombi Daktari da TV Caxias – Canal 8 clicando AQUI.

Recorde dos antigos estúdios da emissora nos anos 1970 clicando AQUI.

As informações desta coluna são uma colaboração do repórter fotográfico Roni Rigon.

Um relato nostálgico

O jornalista Paulo Cancian iniciou na TV Caxias – Canal 8 em 1970 como redator de notícias. Em uma recente postagem no Facebook, relatou detalhes do dia a dia do lendário “canalóto” naqueles primórdios da televisão na Serra.

Parceiro de histórias e leitor da coluna, Cancian autorizou a reprodução do texto original aqui no blog. Confira essas saborosas lembranças a seguir:

Antes que minha memória vire “spam”, compartilho com os amigos episódios da notável conquista que foi o início das operações da TV Caxias Canal 8, também conhecida como “TV Canalóto”. O chiste carregava certa ambiguidade. Em determinados “territórios” soava como desdém, resultado da dor de cotovelo pela novidade local. Já os nativos faziam graça sublinhando o sotaque com uma ponta de orgulho pelas raízes itálicas já que no ano da graça de 1969 a “gringolândia” tinha uma emissora de TV para mostrar o “semblante e o sotaque” de sua gente.

Verdade que naqueles primórdios nem sempre estavam no ar ao mesmo tempo. Ora faltava semblante, ora faltava sotaque. Como a Rádio e TV Caxias Canal 8, hoje RBS TV comemora 45 anos, revisito a articulação bem sucedida liderada por Nestor Rizzo e Ottoni Adelino Zatti Minghelli, que estabeleceram um vínculo indissolúvel com Maurício Sirotsky Sobrinho. Eles eram os diretores da TV instalada numa garagem reformada e cheia de improvisos, prédio onde a RBS TV investiu, reformou e continua a operar até hoje. A programação era toda ao vivo o que alçava o “cast” aos píncaros da glória terrena. Tudo era preto e branco. Nada de vídeotape, muito menos telepromter.

Eram duas câmeras e três bancadas individuais com um microfone tipo “girafa”. Não vou me ater as relíquias tecnológicas que fizeram parte daquela fase até a chegada das câmeras Ikegami e do “cavalo de aço”, o primeiro equipamento de videotape da emissora, um monstrengo de dois metros de altura por 1,5 de largura e um metro de fundos. Heraldo Molina, ainda vivo e residindo no litoral é testemunha viva daquela evolução. Apresentada a programação local e feitos os primeiros ajustes a estrategia de Maurício Sirotsky foi dar visibilidade a cadeia 812 que entrava no ar a partir das 14hs. Antes disso era programação eminentemente local, com direito a um “rabicho” no JN (às 7h55 às 20hs) apresentado por Osvaldo Ferreira. E aos finais de semana Dr. Clóvis Pradel Pinheiro (tradicionalismo) e titio Homero (show de calouros) davam as cartas no período da manhã.

Para estabelecer um elo com a comunidade local seu Maurício lançou mão de alguns ícones da TV Gaúcha. Às sextas-feiras subia a serra o “Sala de Redação”, originalmente concebido e apresentado pelo jornalista Cândido Norberto. O formato do programa sofreu alterações mas ainda hoje tem grande audiência na Rádio Gaúcha. Era um programa de entrevistas por mim produzido que ia ao ar às 22hs30. Com Cândido, deputado cassado, profissional do mais alto gabarito, tive aulas que duravam pelo menos duas horas de alegres jantares no antigo Restaurante Martini, na esquina da Borges com a 20 de setembro. Até as cozinheiras vinham ouvir o Cândido (era fim de expediente), mais que um jornalista, um gentleman. Foi ele quem me ensinou a evitar refeições antes de qualquer compromisso que exigisse raciocínio rápido e concentração. Por isso jantarmos tão tarde. Gostava de um vinho mas nada de excessos. Gostava mesmo era de conversar, de trocar informações e aconselhar jovens privilegiados como eu. Pernoitava no Alfred Palace e no sábado retornava a POA.

Após um período a empresa enviou para substitui-lo outro bom amigo, o jornalista Cláudio Brito, ainda hoje na RBS. Continuei na produção e no convívio gastronômico, claro que sempre pago com a diária deles. Ao mesmo tempo em que o Sala de Redação veio para Caxias, outro programa explodia na praça com o pessoal de POA. O programa chamava-se “Futebol de Cartola”, ia ao ar às segundas-feiras das 23hs até a uma da matina. A denominação ao que me consta foi criação do então narrador e comentarista local, Marcolino Pereira Filho (Tico Pereira) já no Oriente Eterno. Tico Pereira era natural de São Paulo. Foi jogador de futebol do Grêmio Esportivo Flamengo e por aqui constituiu família Tinha espírito de boleiro, gozador, grande personagem. Era o âncora do programa e de Porto Alegre subia uma caravana de cronistas esportivos de primeira linha. Paulo Santana, Hugo Amorim e em outras oportunidades Jesus Afonso. Para confrontar os cronistas da capital que defendiam Grêmio e Inter, Tico convocava Luis Carlos Correa que levava o debate para a a ironia e o sarcasmo, terreno em que Santana era quase imbatível. Mas a esgrima e a retórica clubística se exacerbavam a ponto de chegarem ao desforço físico, obrigando a emissora a colocar o slide frisado de “voltamos em alguns minutos”. Sucesso total de audiência.

Anos mais tarde o futebol de cartola passou a ser comandado por Renato Cardoso, astro do basquete e da TV, com passagem pela Piratini, Difusora e Gaúcha. Assim a cadeia 812 foi base para a programação jornalística que passou a ser gerada de Porto Alegre com o nome de Jornal do Almoço. Para nós restou o orgulho de termos participado do momento mágico em que a então TV Caxias “Canalótto” tornou-se a pioneira no País a utilizar o espaço do meio dia como revista de notícias, o memorável “Hoje na Notícia”. Minhas saudações carinhosas a todos os que fizeram e assistiram a história da TV Caxias.

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