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Eleições: no tempo das cédulas de papel

25 de outubro de 2014 2
Apuração de votos na eleição para governador em 1986, no Salão dos Capuchinhos, em Caxias do Sul. À direita, o juiz eleitoral Pedro Panazzolo (com a mão na urna), Pedro Baumgartner (segurando a urna), Victorio Trez (à direita) e José Tessari (de óculos, mais atrás). Foto: Roberto Scola, banco de dados/Pioneiro

Apuração de votos na eleição para governador em 1986, no Salão dos Capuchinhos, em Caxias do Sul. À direita, o juiz eleitoral Pedro Panazzolo (com a mão na urna), Milton Rossarolla (segurando a urna), Victorio Trez (à direita) e José Tessari (de óculos, mais atrás). Foto: Roberto Scola, banco de dados/Pioneiro

O juiz Pedro Panazzolo abre o primeiro voto da eleição de 1986, em Caxias do Sul. Voto foi para o candidato Carlos Alberto Chiarelli. Foto: Roberto Scola, banco de dados/Pioneiro

O juiz Pedro Panazzolo abre a primeira cédula da eleição de 1986, em Caxias do Sul. Primeiro voto ao governo do RS foi para o candidato Carlos Alberto Chiarelli, derrotado por Pedro Simon. Foto: Roberto Scola, banco de dados/Pioneiro

Antes do aparecimento das urnas eletrônicas, o eleitor brasileiro convivia com a cédula de papel. O ato de digitar um número na maquininha e se deliciar com o sinal sonoro a cada voto atrás da cabina indevassável é novidade que tomou corpo só a partir de 1996. Chegou, aos poucos, às capitais e às cidades com mais de 200 mil habitantes.

Até então, a vida do eleitor não era tão fácil. O votante apresentava-se aos mesários, que lhe repassavam uma cédula devidamente carimbada e rubricada. Era uma espécie de envelope, dobrado em quatro, e com ele o eleitor se retirava ao reduto da cabina. Desdobrava a tal cédula e marcava com um x o candidato da nominata ao Executivo.

A cédula da eleição de 1986, com os espaços para governador, senador e deputados. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

A cédula da eleição de 1986, com os espaços para governador, senador e deputados. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

O problema era votar entre as dezenas de concorrentes ao Legislativo. Era necessário escrever o nome do candidato. Se era comum a atrapalhação ao marcar apenas o x, imaginem na hora de nominar o seu eleito. Por isso, as filas se perpetuavam nas seções eleitorais. Muito voto foi anulado por preenchimento incorreto. Ou mesmo por manifestações de protesto em vez do nome do candidato – lembram do Macaco Tião, nas eleições à prefeitura do Rio, em 1988? Naquele pleito, o lendário mamífero do zoológico carioca chegou a receber cerca de 400 mil votos.

O eleitor depositava a sua consciência em urnas de papelão ou de lona. E havia o arrastado séquito do escrutínio. Com a apuração eletrônica, em vez de resultados em semanas, em questão de horas já é possível conhecer os eleitos. Fernando Henrique Cardoso se elegeu em 1998 após 64 horas e 34 minutos. Em 2010, a presidente Dilma Rousseff foi confirmada em 10 horas e 47 minutos.

Equipamentos para a contagem dos votos no pleito de 1986, em Caxias do Sul, quando Pedro Simon foi eleito governador do Estado. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Equipamentos para a contagem dos votos no pleito de 1986, em Caxias do Sul, quando Pedro Simon foi eleito governador do Estado. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

O pleito de 1986 em Caxias

As fotos abaixo mostram a apuração dos votos em Caxias do Sul nas eleições de 15 de novembro de 1986, com os fiscais dos partidos conferindo a contagem para deputado estadual, deputado federal, senador e governador.

Ao governo do Rio Grande do Sul concorriam Carlos Alberto Chiarelli, Fulvio Celso Petracco, Aldo Pinto, o caxiense Pedro Simon e Clóvis Ilgenfritz da Silva. Simon elegeu-se com 2.009.381 votos.

A contagem de votos no salão dos Capuchinhos, em 1986. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

A contagem de votos sob o olhar atento dos fiscais dos partidos, no salão dos Capuchinhos, em 1986. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

O escrutínio no Rincão da Lealdade, então sede da 16ª Zona Eleitoral em 1986. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

O escrutínio no Rincão da Lealdade, então sede da 16ª Zona Eleitoral em 1986. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Fiscais dos partidos acompanhavam contagem voto a voto. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Fiscais dos partidos acompanhavam contagem voto a voto. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Urnas chegavam das centenas de seções de votação, e contagem chegava a durar cinco dias. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Urnas chegavam das centenas de seções de votação, e contagem chegava a durar cinco dias. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

Em 1960 e 1989

Na primeira eleição direta para presidente após a ditadura, em 1989, 22 candidatos concorreram ao cargo (foto abaixo).

Os candidatos da eleição presidencial de 1989. Foto: Eloir Gonçalves, banco de dados/Agência RBS

Os candidatos da eleição presidencial de 1989. Foto: Eloir Gonçalves, banco de dados/Agência RBS

Já no pleito de 1960, os candidatos à presidência e a vice-presidência concorriam separadamente.

A cédula da época mostra os postulantes a presidente Jânio Quadros, Adhemar de Barros e Marechal Henrique Baptista Duffles Teixeira Lott. Pleiteavam a vice-presidência Fernando Ferrari, João Goulart e Milton Campos.

A cédula de 1960; Foto: banco de dados/Agência RBS

A cédula de 1960; Foto: banco de dados/Agência RBS

Algumas das informações deste post são uma colaboração do colega Ricardo Chaves, titular da coluna Almanaque Gaúcho, do jornal Zero Hora.

Comentários (2)

  • Ediberto Chukst diz: 21 de abril de 2015

    Na primeira foto quem segura a urna é Milton Rossarola e não Pedro Baungarten como diz a legenda

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