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A Caxias moderna de Silvio Toigo

28 de outubro de 2014 3
O emblemático prédio da Auto Palácio, na esquina das ruas Sinimbu e Do Guia Lopes, hoje totalmente descaracterizado. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O emblemático prédio da Auto Palácio, na esquina das ruas Sinimbu e Do Guia Lopes, hoje totalmente descaracterizado. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Alguns dos mais emblemáticos prédios históricos de Caxias do Sul levam a assinatura do italiano Silvio Toigo. E seus traços, eternizados na memória coletiva a partir do crescente processo de urbanização e modernização da cidade, nos anos 1930, ganham novo reconhecimento.

Trata-se do Mérito Silvio Toigo de Construção Civil, que será concedido hoje à noite, na Câmara de Vereadores, a professores, empresas e profissionais liberais da área (confira ao lado). Projeto da vereadora Denise Pessoa (PT), o mérito também pega carona no ano do cinquentenário de morte do arquiteto, falecido em 15 de abril de 1964.

Natural de Arten di Fonzaso, província de Beluno, em 1889, Toigo chegou ao Brasil em 1922 – e logo passou a assinar projetos encomendados pela então Intendência Municipal, administrada por Penna de Moraes. Naquele mesmo ano, surgia na Praça Dante Alighieri uma de suas primeiras obras: o pedestal da Estátua da Liberdade (obra de Michelangelo Zambelli), em comemoração ao centenário da Independência do Brasil (foto abaixo).

Pedestal da Estátua da Liberdade, inaugurada em 1922, foi uma das primeiras obras de Toigo em Caxias. Na foto, a Praça Rui Barbosa emmeados dos anos 1940. Foto: Reno Mancuso, acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação

Pedestal da Estátua da Liberdade, inaugurada em 1922, foi uma das primeiras obras de Toigo em Caxias. Na foto, a Praça Rui Barbosa emmeados dos anos 1940. Foto: Reno Mancuso, acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação

A então Praça Rui Barbosa, em meados dos anos 1940, com a Estátua da Liberdade ao centro. Foto: Reno Mancuso, acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação

A então Praça Rui Barbosa, em meados dos anos 1940, com a Estátua da Liberdade ao centro. Foto: Reno Mancuso, acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação

A década de 1920 veria surgir ainda outra construção icônica da cidade até hoje:o prédio do atual Círculo Operário Caxiense, que há 90 anos abrigou a pioneira sede do Recreio da Juventude (abaixo).

O prédio do Círculo Operário Caxiense à época em que era sede do Recreio da Juventude, nos anos 1920/1930. Foto: acervo Recreio da Juventude, divulgação

O prédio do Círculo Operário Caxiense à época em que era sede do Recreio da Juventude, nos anos 1920/1930. Foto: acervo Recreio da Juventude, divulgação

O estilo art déco

Atuando até meados da década de 1950, Toigo foi responsável também pela consolidação do estilo art déco na cidade, acompanhando uma estética mais funcional verificada na Europa e Estados Unidos desde os anos 1920 – em contraponto ao colonial dominante.

Entram aí prédios como a Casa Magnabosco, o Cine Guarany, a fábrica 1 da Metalúrgica Abramo Eberle e a revendedora Auto Palácio – de todas as citadas, a mais castigada e descaracterizada até hoje, na esquina das ruas Sinimbu e Do Guia Lopes.

O Magnabosco à época de sua construção, em 1937, quando a Praça Dante ainda sediava a Festa da Uva. Foto: Studio Geremia, coleção particular de Hildo Boff, divulgação

O prédio do Magnabosco, um dos ícones de Silvio Toigo, à época de sua construção, em 1938. Nova loja foi inaugurada em 1939. Foto: Studio Geremia, coleção particular de Hildo Boff, divulgação

O prédio do Magnabosco em 1951. Foto: acervo Loja Magnabosco, divulgação

O prédio do Magnabosco em 1951. Foto: acervo Loja Magnabosco, divulgação

O prédio do Magnabosco hoje, valorizado pela adequação à leia da poulição visual. Traços originais do estilo art déco podem ser melhor apreciados. Foto: Porthus Júnior

O prédio do Magnabosco hoje, valorizado pela adequação à leia da poulição visual. Traços originais do estilo art déco podem ser melhor apreciados. Foto: Porthus Júnior

Atuação paralela

O envolvimento comunitário de Silvio Toigo deu-se em várias outras frentes. Além da engenharia civil, Toigo foi o primeiro presidente do Grêmio Esportivo Flamengo (atual SER Caxias), fundado em 10 de abril de 1935. Também atuava como tenor de um coral que costumava apresentar-se no Cine Ópera.

Naturalizado brasileiro em 1947, Silvio Toigo foi um dos integrantes da comissão responsável pela construção do Monumento Nacional ao Imigrante, inaugurado em 1954, 10 anos antes de sua morte.

Silvio Toigo faleceu há 50 anos, em 15 de abril de 1964. Foto: acervo de família, divulgação

Silvio Toigo faleceu há 50 anos, em 15 de abril de 1964. Foto: acervo de família, divulgação

Acervo

Documentos pessoais, fotos, projetos e documentos da empresa Sílvio Toigo e Cia foram doados pela família ao Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami em 1987, quando foi organizada uma exposição em homenagem ao construtor. Recentemente, ele também foi homenageado pela Associação Sala de Arquitetos.

Os homenageados

Ana Elísia Costa: professora, arquiteta, uma das idealizadoras do curso de Arquitetura e Urbanismo da UCS e autora da obra A Poética dos Tijolos Aparentes e o Caráter Industrial – MAESA (1945).

Hugo Grazziotin: engenheiro e um dos responsáveis pela concepção e construção de alguns dos primeiros arranha-céus de Caxias: o Parque do Sol e dos edifícios Dona Ercília e Guadalupe.

“Os 4 arquitetos”: equipe formada pelos profissionais Paulo Bertussi, Rubens Baldisserotto, João Marchioro e Antonio Filippini. Os quatros venceram o concurso público do anteprojeto do Parque de Exposições da Festa da Uva, que completou 40 anos em 2014.

Comentários (3)

  • Dirceu Soares diz: 28 de outubro de 2014

    Belíssimo trabalho! conheci o Auto Palácio, exatamente da forma original e era um encanto de prédio. Cumprimentos, Rodrigo Lopes e Pioneiro.

  • Maria Amelia Duarte Flores diz: 2 de fevereiro de 2015

    Que lindo este artigo. O artista morre, a obra fica. Gostaria de incluir entre as obras monumentais de Silvio Toigo o Castelo e Vinícola Peterlongo, em Garibaldi. Temos aqui as cadernetas de pagamento do serviço e descritivo da obra, é emocionante. Neste ano, a Peterlongo chega a seus 100 anos de registro da empresa, e todos estes temas estão sendo estudados e registrados.

  • everson boijink gonçalves diz: 10 de abril de 2015

    Eu adorei essa reportagem mas eu tive o prazer de conhecer o finho de silvio toigo um senhor de 87 anos com uma memoria incrivel foi um prazer conhece lo

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