Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Busto de Dante Alighieri completa 100 anos na praça

14 de novembro de 2014 2
Captada a partir da Rua Marquês do Herval, imagem traz a solenidade oficial em 15 de novembro de 1914, com autoridades, políticos e população ao redor do busto de Dante. Ao fundo, o busto de Júlio de Castilhos. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A inauguração do busto de Dante Alighieri em 15 de novembro de 1914. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Ícone que dá nome a principal praça de Caxias do Sul, o busto do poeta italiano Dante Alighieri completa exatos 100 anos neste sábado. A estrutura foi inaugurada em 15 de novembro de 1914, em solenidade que reuniu centenas de moradores nas proximidades da Catedral.

Conforme texto do jornalista Duminiense Paranhos Antunes, organizador do Documentário Histórico do Município de Caxias do Sul (1875-1950), até o início dos anos 1910, o acidentado terreno da praça ainda não possuia um nome específico.

O batismo oficial foi sugerido pelo então intendente municipal José Penna de Moraes – como uma espécie de homenagem aos pioneiros colonizadores italianos. Logo após a nominação, o médico Vicente Bornancini, representando a crescente população, sugeriu erigir um monumento com a efígie do autor da Divina Comédia. Surgia aí um dos maiores símbolos da área central.

Captada a partir da Marquês do Herval, a imagem acima traz a solenidade oficial, com a presença de autoridades, políticos e população ao redor do busto de Dante Alighieri. Ao fundo, à direita, o busto de Júlio de Castilhos. À esquerda, as escadarias frontais da Catedral.

Veja um vídeo com imagens raras da Praça Dante Alighieri em 1957 clicando AQUI.

Busto de Dante Alighieri, na Praça Dante Alighieri, em meados da década de 1920. Foto: Oscar Hampe, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Busto de Dante Alighieri, na Praça Dante Alighieri, em meados da década de 1920. Foto: Oscar Hampe, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A confecção

Executado na Itália pelo escultor Eugenio Belloto, então professor de anatomia artística da real Academia de Belas Artes de Veneza, o busto em bronze mede 3,7 metros. Uma base cúbica de mármore róseo está assentada sobre a coluna, adornada por quatro águias. E, em relevo, as inscrições “1321-1921, I caxiensi per onorari L’Altissimo Poeta”.

Na imagem acima, o busto de Dante em um registro de meados da década de 1920, ainda protegido por grades. Repare também nos prédios da esquina da Sinimbu com a Marquês do Herval. À esquerda, o antigo Hotel Bela Vista, administrado pela família Grossi. À direita, o lendário casarão que abrigou a Adega Pezzi, produtora dos Vinhos Perdigueiro. O Eberle ainda resumia-se aos casarões de madeira da funilaria e da residência de Abramo.

O busto de Júlio de Castilhos em meados da década de 1920, com a Catedral Diocesana (ainda com as escadas frontais) e o prédio do Bispado, inaugurado em 1917. Foto: Giácomo Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O busto de Júlio de Castilhos em meados da década de 1920, com a Catedral Diocesana (ainda com as escadas frontais) e o prédio do Bispado, inaugurado em 1917. Foto: Giácomo Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Duas inaugurações

Naquele mesmo dia, mais um monumento era inaugurado na praça: o busto de Júlio de Castilhos, localizado na outra extremidade, mais próximo à Rua Dr. Montaury (foto acima). Foi uma homenagem ao patriarca republicano gaúcho e governador do Estado – que acabou por nomear a principal avenida da cidade.

Também desenvolvida na Itália, a estátua foi obra do escultor Prosperi. Em mármore, o busto é adornado por armas riograndenses talhadas em bronze. Circundando a parte superior da coluna estão ainda duas ramagens, também em bronze, representando o carvalho e o louro, símbolos da força e da glória. À frente a mensagem “A Júlio de Castilhos, a Pérola das Colônias Italianas”.

José Ariodante Mattana (ao centro) e os engenheiros que estudaram a mudança de traçado da BR-116, Nelson Góes e José Sayão, à frente do busto de Dante Alighieri, em 1938. Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

José Ariodante Mattana (ao centro) e os engenheiros que estudaram a mudança de traçado da BR-116, Nelson Góes e José Sayão, à frente do busto de Dante Alighieri, em 1938. Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Na década de 1920

Embora a Praça Dante tenha passado por uma série de mudanças a partir dos anos 1930, como nivelamento, ajardinamento e calçamento dos passeios internos, os monumentos citados sempre permaneceram no mesmo lugar.

Na imagem acima, de 1938, os engenheiros de obras da prefeitura José Ariodante Mattana (ao centro), Nelson Góes (D) e José Sayão defronte ao busto de Dante. À esquerda, a antiga Casa Minghelli, destruída por um INCÊNDIO EM 1952. É do dia desse incêndio, aliás, a famosa imagem “O Inferno de Dante”, que rendeu ao fotógrafo Mauro De Blanco vários prêmios.

"O Inferno de Dante", a mais premiada das fotos de Mauro De Blanco. Foto: Mauro De Blanco, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

“O Inferno de Dante”, a mais premiada das fotos de Mauro De Blanco. Foto: Mauro De Blanco, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Atualmente, com a proliferação de pombos na praça e arredores, o busto de Dante é praticamente um aeroporto de aves, conforme mostra o flagrante abaixo.

Dante e as pombas. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Dante e as pombas. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Dois nomes

Em 1942, o fascismo italiano e a onda de xenofobia decorrente da Segunda Guerra Mundial impactaram na mudança do nome para Praça Rui Barbosa. A nova alcunha, porém, só foi oficializada pela Câmara de Vereadores em 1948.

A praça atendeu por Rui Barbosa até 1990, quando seu nome original foi restituído.

Postal da década de 1920 com o busto de Dante Alighieri e o Bispado ao fundo. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Postal da década de 1920 com o busto de Dante Alighieri e o Bispado ao fundo. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Comentários (2)

  • luiz carlos ponzi diz: 14 de novembro de 2014

    Duminiense Paranhos Antunes, veio de Cruz Alta com a família para assumir o posto de agente do IAPC (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciário).
    Morou somente 17 anos em Caxias do Sul. Além de historiador – editou dois Almanaques de História na Festa da Uva de 1950 e na de 1954 – foi um bom poeta. Duminiense foi pai de Christiano Carlos Carpes Antunes o “Christian”, cronista social do Jornal Pioneiro e um dos fundadores da Academia Caxiense de Letras. Essa gente fez história em Caxias do Sul.

Envie seu Comentário