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Igreja São Pelegrino nos tempos do pintor Emilio Sessa

25 de novembro de 2014 2
Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Parte das Misericórdias Corporais, pintadas por Emilio Sessa em 1956, na lateral esquerda do templo. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Tão importante para a pintura mural sacra quanto o colega Aldo Locatelli, mas nem sempre lembrado na mesma proporção – visto que era considerado um dos pintores decorativos de Locatelli -,  o italiano Emilio Sessa (1913-1990) tem sua obra cada vez mais reconhecida. Exemplo disso é o lançamento do livro/catálogo Emilio Sessa, Pintor: Tempos Intermediários, segundo volume de uma trilogia iniciada em 2012 e que aborda a produção do artista entre 1954 e 1960.

A publicação, organizada pelo historiador Arnoldo Doberstein, ganha sessão de autógrafos nesta quarta-feira (26), exatamente no local em que suas pinturas dominam boa parte do cenário: a Igreja São Pelegrino.

Basta circular pelas laterais do templo e apreciar: foram pintadas por ele, a partir dos esboços e desenhos desenvolvidos por Aldo Locatelli, as belíssimas 14 Estações de Misericórdia, a partir de 1956. À esquerda de quem entra estão situadas as Misericórdias Corporais: “dar de comer ao faminto”, “dar de beber ao sedento”, “agasalhar os desnudos”, “hospedar os peregrinos”, “visitar enfermos e doentes”, “resgatar os cativos” e “sepultar os mortos”.

No lado direito figuram as Misericórdias Espirituais:“ensinar os incultos”, “aconselhar os hesitantes”, “corrigir os faltosos”, “consolar os aflitos”, “perdoar os injuriantes”, “tolerar os molestados” e “rogar pelos vivos e mortos”.

Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Obras “hospedar os peregrinos”, à esquerda, e “agasalhar os desnudos” compõem as Misericórdias Corporais. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Manifestação da caridade

Na doutrina da Igreja Católica, as Obras de Misericórdia são a manifestação da virtude da caridade e, por consequência, do amor pelo próximo. Conforme a historiadora Maria Regina Lisbôa, em 1956, quando Sessa assumiu a pintura dos 14 painéis, substituindo Aldo Locatelli – primeira opção do padre Giordani –, Caxias do Sul vivia um momento especial de seu desenvolvimento econômico, social e artístico-cultural. Ao mesmo tempo, a cidade começava a perceber um visível cinturão de pobreza trazido na carona de todo esse crescimento.

Encomendadas pelo padre Giordani, essas imagens (anjos alimentando famintos, vestindo desvalidos, visitando enfermos), portanto, poderiam ser classificadas também como uma representação do que os caxienses praticavam naqueles tempos. “(…) se tantas Obras de Misericórdia eram praticadas, era porque haveria muita gente necessitando delas”, explicita Maria Regina no capítulo dedicado a Emilio Sessa em Caxias.

Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Localizadas acima da Via Sacra, as Estações de Misericórdia costumam ser equivocadamente atribuídas a Aldo Locatelli, mas foram pintadas por Emilio Sessa em 1956. Foto: Tatiana Cavagnolli, banco de dados/Pioneiro

Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Obras de Sessa e Locatelli são um convite à contemplação. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Foto: banco de dados/Pioneiro

Beleza das pinturas de Aldo Locatelli e Emilio Sessa atraem milhares de turistas ao templo. Foto: Ary Attab Filho, divulgação

Os Quatro Evangelistas

O pintor também contribuiu no altar, na obra Os Quatro Evangelistas, situado logo abaixo da Santa Ceia de Locatelli. Conforme detalhado no livro, eles aparecem representados na forma de anjos – com rostos humanizados (Mateus) e zoomorfizados (o leão para Marcos, o boi para Lucas e a águia para João) – e iluminados pelo símbolo do Espírito Santo (a pomba no medalhão superior).

Ao centro, o medalhão de Maria Rainha dos Céus (foto abaixo).

Foto:

Obra “Os Quatro Evangelistas”, localizada no altar, abaixo da Santa Ceia, foi a primeira intervenção de Emilio Sessa na igreja, em 1952. Foto: Jefferson Botega, banco de dados/Pioneiro

Sessa e a moto Vespa

Na imagem abaixo, o pintor e os filhos Franco e Nella em sua clássica vespa italiana, nos anos 1950.Conforme documentos preservados no Instituto Cultural Emilio Sessa (ICES), a moto teria sido adquirida ainda em 1948, na Europa. Quando da mudança de Sessa para o Brasil, em 1949, a vespa não veio junto. Quem ficou encarregado de cuidar dos interesses do pintor na Itália foi o cunhado de Sessa, Mario Bizioli.

E um dos assuntos que Bizioli tratou (além da aplicação dos recursos que o artista enviava do Brasil), logicamente, foi o embarque do veículo para os trópicos – uma “novela” que se arrastou por bastante tempo, entre os anos de 1952 e 1954.

O filho Franco Sessa, que aparece na carona da Vespa e atualmente mora em Porto Alegre, também estará no lançamento desta quarta-feira.

Emilio Sessa e os filhos Franco e Nella em sua clássica vespa italiana, nos anos 1950. Foto: acervo ICES, divulgação

Emilio Sessa e os filhos Franco e Nella em sua clássica vespa italiana, nos anos 1950. Foto: acervo ICES, divulgação

Aldo Locatelli, Attilio Pisoni e Emilio Sessa defronte ao painel A Conquista do Espaço, pintado no Aeroporto Salgado Filho em 1953, em Porto Alegre.  Foto: acervo ICES, divulgação

Aldo Locatelli, Attilio Pisoni e Emilio Sessa defronte ao painel A Conquista do Espaço, pintado no Aeroporto Salgado Filho em 1953, em Porto Alegre. Foto: acervo ICES, divulgação

O pintor

Emilio Sessa nasceu em Bergamo (Itália) em 1913. Migrou para o Brasil em 1949, sendo responsável, entre outras obras, pelas pinturas da Catedral São Francisco de Paula, em Pelotas, e do Palácio Piratini, da Igreja Santa Teresinha do Menino Jesus e do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Sua produção também estendeu-se a cidades como Santa Maria e Itajaí (SC).

Em 1965, Sessa e a família retornaram à Itália. O pintor faleceu em 1990, em sua cidade-natal.

Auto-retrato de.. Foto: reprodução acervo ICES

Auto-retrato de Emilio Sessa, datado de 1940, quando o pintor tinha  27 anos. Foto: reprodução acervo ICES

Saiba mais sobre o pintor e o Instituto Cultural Emilio Sessa pelo site www.emiliosessa.com.br.

Em 2015/16 está previsto o lançamento da última parte da trilogia, com a trajetória do artista a partir de 1960.

O livro que terá lançamento nesta quarta, dia 26. Foto: reprodução

O livro que terá lançamento nesta quarta, dia 26. Foto: reprodução

Programe-se

O que: lançamento do livro Emilio Sessa – Tempos Intermediários.
Quando: nesta quarta, dia 26, na Igreja São Pelegrino. Às 20h, ocorre a palestra do professor e organizador da publicação Arnoldo Doberstein. A sessão de autógrafos ocorre às 20h30min.
Quanto: o livro, de 186 páginas, estará à venda por R$ 50. O patrocínio é da Caixa Econômica Federal.

Comentários (2)

  • Vini diz: 25 de novembro de 2014

    É incrível, porque lido com criação, tive aulas sobre essa Igreja e nunca imaginei que outro artista, a não ser Aldo, tivesse emprestado sua arte nesse lugar. Sempre apresentei tudo como de Aldo. Fico feliz pela novidade, mas triste porque sei que todo mundo pensa que não existiu ninguém além de Aldo. Estamos péssimos culturamente mesmo. Obrigado pela informação.

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