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Atelier Zambelli, um ícone da arte sacra

12 de dezembro de 2014 3

O Grande Laboratório Artístico de Tarquinio Zambelli e Filhos em 1909: Tarquinio (sentado), Mario Cilo (ao fundo), Annunzia (moldando o busto de Carlos Gomes) e Estácio Zambelli (à direita). Foto: acervo pessoal família Zambelli, divulgação

Pergunte a qualquer pessoa sobre a história da arte sacra produzida em Caxias do Sul desde os primórdios do século 20 e a referência será uma só: o Atelier Zambelli.

Pegando carona em duas datas icônicas – os 10 anos do Memorial Atelier Zambelli, comemorados hoje, e os 100 do lendário “Atelier de Escultura Michelangelo Zambelli & Cia Ltda”, fundado em 1915 e cujos festejos ocorrem no ano que vem –, retomamos parte dessa rica jornada.

A trajetória dos Zambelli tem início com a chegada do imigrante italiano Tarquinio Zambelli à Serra por volta de 1883. Egresso da Escola de Belas Artes de Milão, com amplo conhecimento em pintura, escultura e decoração, o patriarca logo introduziu os cinco filhos – Michelangelo, Mario Cilo, Annunzia, Estácio e Raffaele – no ofício, levando-os para trabalhar no então “Grande Laboratório Artístico de Tarquinio Zambelli e Filhos” (foto acima).

Conforme a professora e historiadora Irma Bufon Zambelli, nora de Estácio e autora do livro A Retrospectiva da Arte ao Longo de um Século, os trabalhos eram executados em madeira, concreto, gesso e diversos outros materiais. As obras baseavam-se em bustos, quadros em alto relevo, imagens sacras, decorações de altares, balaústres e troncos.

Leia mais sobre a trajetória de Estácio Zambelli clicando AQUI.

Os filhos de Tarquinio Zambelli: Annunzia e Michelangelo (atrás), com o pequeno Danilo (filho de Annunzia). À frente, sentados, Mario Cilo (à esquerda) e Estácio Zambelli. Foto: acervo pessoal família Zambelli, divulgação

Participação do Atelier Zambelli durante uma exposição em Santa Maria, em 1914, com Tarquinio Zambelli (à esquerda) e Antonio Motola. Pavilhão reunia ainda peças do Eberle, Moinho Germani, Cantina Pieruccini e trabalhos em madeira dos irmãos Torrezini. Foto: Giácomo Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Sobre Michelangelo Zambelli

De todos os filhos de Tarquinio Zambelli, Michelangelo, nascido ainda na Itália, em 1883, foi o que teve atuação mais intensa na cidade e na região de colonização italiana.

Após uma temporada em Buenos Aires, onde participou da decoração do Teatro Colón, o primogênito fundou em 1915 o “Atelier de Escultura Michelangelo Zambelli & Cia Ltda”, localizado na Av. Júlio de Castilhos, 815.

Michelangelo e o irmão Mario Cilo Zambelli, em um registro de 1905, época em que Michelangelo havia retornado da Itália com o diploma da Academia de Breda, em Milão. Foto: acervo pessoal família Zambelli, divulgação

Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A notoriedade e o reconhecimento foram imediatos: o cuidadoso acabamento artesanal, a pintura à mão e o requinte eram marcas registradas das peças, que passaram a ser obrigatórias na decoração de capelas, igrejas e residências.

Entram aí as estátuas de Nossa Senhora das Dores e Nosso Senhor dos Passos (na Capela do Santo Sepulcro), a imagem de Santa Terezinha (hoje no Museu Municipal), o índio-símbolo do Recreio Guarany e a Estátua da Liberdade (na Praça Dante), sem falar na participação e premiação em várias exposições pelo Estado.

Michelangelo Zambelli e a esposa Adelina Stangherlin Zambelli numa clássica foto de estúdio em 1925. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Após a morte de Michelangelo, em 1949, a esposa, Adelina Stangherlin Zambelli, assumiu a direção do negócio, juntamente com o sócio Nilo Tomasi. A produção seguiu até o início dos anos 2000, quando o velho casarão de madeira começou a sofrer com a degradação física.

Confira fotos da fase final do atelier, na Av. Júlio de Castilhos, clicando AQUI.


O acervo hoje

Passado um período de indefinições, entre 2002 e 2004, parte do acervo remanescente foi adquirido pela Festa Nacional da Uva, com suporte técnico e artístico do Departamento de Memória e Patrimônio Cultural, da Secretaria Municipal da Cultura.

Devidamente catalogadas e recuperadas, as cerca de 100 esculturas e os 900 casulos protetores, usados nas reproduções em série, foram levados para o subsolo do Monumento Jesus Terceiro Milênio, nos Pavilhões da Festa da Uva.

Nascia aí o Memorial Atelier Zambelli, espaço que nesta sexta à noite celebra 10 anos – e aguarda por sua visita.

Aniversário de 10 anos: memorial foi inaugurado em dezembro de 2004. Foto: Felipe Nyland

Esculturas e moldes compõem o acervo de aproximadamente mil peças. Foto: Felipe Nyland

Espaço está aberto à vistação pública de terça a domingo. Foto: Felipe Nyland

Programe-se

A solenidade desta sexta-feira (12) ocorre a partir das 20h, com entrada franca. O Memorial Atelier Zambelli também funciona de terça a domingo, das 13h às 17h.

Homenagem

Uma rua no bairro Sagrada Família leva o nome de Tarquinio Zambelli.

Comentários (3)

  • Silvana Antonio Caastilhos diz: 3 de janeiro de 2015

    Nunca vou esquecer da Fàbrica de Imagens Sacras ” ATELIER DE ESCULTURA ”

    Michelagelo Zambelli & Cia Ltda. Pois trabalhei de 01/03/1980 a 31/07/1987,

    inclusive trabalhei com a Dona Valesca, com quem aprendi muito, ÓTIMAS

    LEMBRANÇAS..

    Silvano Castilhos e Família

  • Silvano Antonio Castilhos diz: 3 de janeiro de 2015

    Nunca vou esquecer da Fàbrica de Imagens Sacras ” ATELIER DE ESCULTURA ”

    Michelagelo Zambelli & Cia Ltda. Pois trabalhei de 01/03/1980 a 31/07/1987,

    inclusive trabalhei com a Dona Valesca, com quem aprendi muito, ÓTIMAS

    LEMBRANÇAS..

    Silvano Castilhos e Família

  • Cristina Paulon diz: 30 de outubro de 2015

    Informação muito pertinente,pois estou estudando exatamente esse assunto.Poderia me passar o endereço do memorial,ou telefone?

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