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Eberle: um relógio de ouro no jubileu de prata

17 de dezembro de 2014 2

A homenagem ao diretor Arlindo Giovenardi (ao centro, sentado, atrás da mesa) pelos 25 anos de empresa, em 1950. Foto: José Dallabilia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A cerimônia de entrega do relógio de ouro a funcionários com 25 anos de atuação na Metalúrgica Abramo Eberle foi um dos tantos rituais eternizados pela empresa – e que até hoje é recordado por antigos colaboradores e suas famílias.

As solenidades também costumavam reunir diretores, trabalhadores e a alta cúpula da fábrica para a foto oficial. No registro acima, de 21 de janeiro de 1950, vemos a homenagem ao então diretor Arlindo Giovenardi (sentado ao centro, atrás da mesa) – Giovenardi foi admitido oficialmente no Eberle em 21 de janeiro de 1925.

Ex-funcionário do setor de corte do Eberle, José Viero, 88 anos, é um dos tantos colaboradores que aparecem na imagem (ao centro, mais ao fundo, de camisa xadrez). Graças a ele, conseguimos identificar boa parte do grupo.

Sentados, a partir da direita, estão os diretores Hugo Argenta, Glacir Moré, Alberto Bellini, Oscar Martini, Pedro Moré, o homenageado Arlindo Giovenardi, Júlio João Eberle, Antônio Fedrizzi, Érico Raabe, Agostinho Fochesato (criador do departamento pessoal) e Antonio Rasia.

Ainda na foto, nas fileiras de trás, identificamos Hipólito Tissot, Nerval Sambaquy, Celeste Pavan, Homero Madalena, Alcides Fedrizzi, José Zini, Silvio Zampieri, Alberto Müller, Cândido de Oliveira, Vitório Segalla, Oddino Sartori, Davi Milani, Joaquim Giusti, Serafim Serafini, Vitório Buffon, Silvio Torresini e Clodomiro Marques. Por fim, o chefe do setor de gravação, Honório Marotto (primeiro em pé, à direita).

Conforme Viero, essas solenidades costumavam reunir dezenas de chefes e funcionários de várias seções, como as de gravação, polimento, corte, prensa, limagem e banhos de ácido – daí a dificuldade de identificar muitos deles.

Se você reconhece mais alguém na imagem, entre em contato com a coluna.

Clique na imagem para ampliar.

Foto: Rodrigo Lopes

Funcionário do Eberle de 1944 a 1956, José Viero guarda até hoje a foto da cerimônia de 1950, onde aparece junto a colegas e diretores da seção de corte. Foto: Rodrigo Lopes

Atuação de 1944 a 1956

O aposentado José Viero, 88 anos, atuou no Eberle de janeiro de 1944 a abril de 1956. Nos primeiros anos, era um dos tantos responsáveis pelo corte da concha das colheres. Posteriormente, trabalhou na seção de ganchos para fivelas e, por fim, na regulação de maquinário.

Entre 1944 e 1945, ele também colaborou na produção de utensílios de cutelaria destinados ao Exército Brasileiro, em combate na Segunda Guerra Mundial. Nas imagens abaixo e acima, Viero mostra a foto de 1950 e uma das milhares de colheres que ajudou a moldar em seus 12 anos de Eberle.

Foto: Rodrigo Lopes

Trabalho de José Viero nos anos 1940 e 1950 consistia em cortar a concha das milhares de colheres produzidas pela Metalúrgica Abramo Eberle. Foto: Rodrigo Lopes

Abramo Já Tocou

Conforme seu José Viero, o diretor Antonio Rasia (um dos que aparecem na imagem de 1950) era o responsável por tocar a sineta, também lembrada como “a campanela”. As badaladas soavam em dois momentos: o primeiro era um alerta avisando que faltavam 5 minutos para a entrada e saída dos funcionários. O segundo, a hora exata.

O hábito traduziu-se na lendária expressão Abramo Já Tocou, que nomeou também um livro sobre a trajetória da metalúrgica. O relógio-ponto só surgiria a partir de 1956.

Confira a história do lendário relógio do Eberle clicando AQUI.

Confira mais fotos antigas do Eberle clicando AQUI.

Foto: Studio Geremia

“Abramo já Tocou”: expressão que marcou diversas gerações de trabalhadores da metalúrgica. Foto: Studio Geremia, divulgação

Placas de bronze no Salão de Honra

Conforme o aposentado Alvis Fiedler, 84 anos, ex-funcionário do setor de gravação do Eberle, vários outros diretores e operários receberam o relógio de ouro pelos 25 anos de trabalho. Entre eles, Honório Marotto (em 1948), Hugo Seidl (em 1952) e Rui Raabe.

Nos primeiros tempos, o modelo era de bolso, com uma corrente. Anos depois, passou a ser de pulso, para privilegiar também as funcionárias laureadas. Além do relógio, os funcionários ganhavam uma espécie de broche de ouro para fixar junto à lapela. A peça reproduzia o logotipo e a piteira-símbolo da empresa.

Leia mais sobre a história da piteira clicando AQUI.

Foto: Rodrigo Lopes

O gravador Alvis Fiedler, ex-funcionário do Eberle e responsável pela confecção das placas de bronze com o nome dos jubilados. Foto: Rodrigo Lopes

Os nomes dos trabalhadores com 25 anos de casa também eram gravados por Fiedler em pequenas placas de bronze. Elas eram cuidadosamente dispostas por ele em murais emoldurados no Salão de Honra, localizado no último andar do prédio central.

Na fase final do Eberle, esse número já ultrapassava 100 unidades. Elas traziam a data de admissão de cada um. Quando o funcionário falecia, Fiedler acrescentava uma cruz ao lado do nome.

Quando a empresa fechou, a maior parte das placas foi arrancada. O destino delas é desconhecido.

Confira um vídeo de como ficará o prédio do Eberle Centro após as reformas clicando AQUI.

Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

O lendário Salão de Honra, localizado no último andar, em julho de 2013, antes da limpeza do prédio. Todas as placas já haviam sido arrancadas dos painéis. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

O Salão de Honra em 2013: um cenário de abandono. Atualmente, prédio aguarda interferências para ser transformado em um centro comercial e de negócios. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Comentários (2)

  • Adauto Celso Sambaquy diz: 17 de dezembro de 2014

    Que alegria poder ver essa foto, na qual aparece o meu querido pai NERVAL SAMBAQUY. Ele é o que está à frente da coluna da esquerda, na terceira fileira.
    Esse relógio era uma relíquia e de um valor imensurável para ele. Infelizmente foi roubado, quando de uma visita ao cemitério, para ornamentar o tumulo de minha mãe.
    Muitas vezes ele emprestava para mim, quando tinha a intenção e impressionar alguma gatinha, mas tinha de devolver quando chegasse em casa. Era a reliqua dele.
    Obrigado por essa oportunidade de poder curtir meu saudoso pai com uma foto inédita para mim.

  • Inacio Santini diz: 17 de dezembro de 2014

    Parabéns por este artigo publicado. Meu pai também recebeu este relógio no inicio da década de 70 e para ele era como se fosse uma medalha militar. Infelizmente nossa cidade esta perdendo sua identidade com a destruição de vários prédios que contam nossa historia. O Sr Alvis Fiedler e um grande conhecedor da histórica Metalúrgica Abramo Eberle e foi um excelente profissional na área de gravação.
    Rodrigo Lopes de Oliveira mais uma vez parabéns pelo lindo trabalho que voce faz

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