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Galópolis e as lembranças do padre João Schiavo

18 de dezembro de 2014 2
O religioso defronte à antiga igreja de Galópolis, com as crianças que integraram a primeira comunhão, em 1933Foto: Sisto Muner, divulgação

O religioso defronte à antiga igreja de Galópolis, com as crianças que integraram a primeira comunhão, em 1933. Foto: Sisto Muner, divulgação

O padre João Schiavo (1903-1967) realizou uma série de ações edificantes no ensino de Caxias do Sul. Nascido na Itália, foi ordenado em Vicenza no dia 10 de julho de 1927.

Chegado ao Brasil em 1931, Schiavo estabeleceu-se primeiramente em Jaguarão (RS). Posteriormente, suas atividades se desenvolveram nas localidades de Ana Rech, Galópolis e Fazenda Souza. Nomeado 1º Superior Provincial da Ordem dos Josefinos, o religioso organizou a fundação do Seminário em Fazenda Souza (1941).

O padre também foi diretor da Escola Normal Rural de Ana Rech e colaborou na constituição da Congregação das irmãs Murialdinas, em Fazenda Souza, em 1954. Sempre preocupado com o futuro das crianças, fundou o Abrigo de Menores, instituição voltada a oferecer perspectivas e oportunidades para o desenvolvimento espiritual e humano.

Foto: Studio Geremia, divulgação

O padre João Schiavo num clássico registro de estúdio. Foto: Studio Geremia, divulgação

Peregrinação

A peregrinação de Schiavo pelo mundo começou ainda na infância, quando ele caminhava cerca de seis quilômetros a pé para chegar à escola. Em 1919, antes de ingressar no seminário, fez votos de pobreza, castidade e obediência. Também se concentrava em vigílias, sacrifícios e orações antes de dar início a alguma obra importante.

O religioso morreu com apenas 63 anos, mas deixou um legado de belos exemplos no comportamento humano e um patrimônio incalculável na área da educação. Hoje, simpatizantes de sua história e devotos em geral visitam seu túmulo e buscam diversas graças, bem como agradecem por intercessões realizadas na cura de doenças.

Atualmente, a Igreja Católica analisa o processo de beatificação de Schiavo.

O padre João Schiavo com as crianças da primeira comunhão, em Galópolis, em 1937. À esquerda, João Laner Spinato. Foto: Sisto Muner, divulgação

O padre João Schiavo com as crianças da primeira comunhão, em Galópolis, em 1937. À esquerda, João Laner Spinato. Foto: Sisto Muner, divulgação

Foto: Roni Rigon, reprodução

O diploma de honra concedido pelo Colégio Chaves Irmãos, dirigido por Schiavo, em 1935. Foto: Roni Rigon, reprodução

Um diploma

A breve convivência dos moradores de Galópolis com o padre João Schiavo não motivou seu esquecimento. Para quem foi aluno do religioso, ficaram vários exemplos direcionados aos valores cristãos e de respeito pelo próximo.

Frederico Stragliotto foi um dos alunos de Schiavo no Colégio Chaves Irmãos, instituição sustentada pelo Lanifício São Pedro. Filho de seu Frederico, Geraldo Stragliotto, 61 anos, preserva dois diplomas de 1935 e 1936, que levam a assinatura de Schiavo como diretor do educandário.

O documento exibe letras impressas com tinta metalizada na cor ouro. Na época, esse detalhe evidenciava a importância de se ter um certificado impecável no aspecto artístico (na foto acima, o certificado de 1935).

Foto: Roni Rigon

Livro escrito pela Irmã Elisa Rigon traz passagens da vida do religioso. Foto: Roni Rigon

Dois livros

O processo de beatificação de João Schiavo desencadeou-se em 2001. A madre Elisa Rigon, da congregação das Murialdinas, aproveitou a coleta de documentos e escreveu dois livros.

O primeiro volume, Padre João Schiavo – Traços Biográficos, restringe-se à trajetória do religioso italiano, descrevendo sua caminhada como missionário em sua cidade natal, a vida em família, os estudos no seminário e a dedicação como educador e sacerdote. Já no livro Servo de Deus – Padre João Schiavo, Elisa realça as virtudes desenvolvidas na dimensão da caridade, amor, espiritualidade e fé.

A Irmã Elisa Rigon em 2008, junto ao túmulo de Schiavo, onde os fiéis pedem graças e milagres, em Fazenda Souza. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

A Irmã Elisa Rigon em 2008, junto ao túmulo de Schiavo, onde os fiéis pedem graças e milagres, em Fazenda Souza. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

As informações deste post são uma colaboração do repórter fotográfico Roni Rigon.

Comentários (2)

  • mario valentiniani diz: 20 de dezembro de 2014

    Padre João Schiavo foi nosso orientador educacional no colégio Abrigo de Menores São José em Caxias,(hoje, Centro Técnico-Social) no ano de 1966. A turma dos recém chegados, alunos internos se lembram, como se fosse hoje. Padre João Schiavo nos recepcionou e nos conduziu por imenso corredor até a sala de aula, nos trouxe caderno e lápis e nos disse:” jovens do primeiro ano primário, hoje está começando uma nova vida para vocês, aprendam o máximo que puderem, se dediquem, tirem notas boas e obedeçam seus mestres, pois o futuro começa já e em nome de Deus sempre vos acompanho, um abraço para seus familiares”.

    Sempre que podia nos visitava, reunia a turma para rezar, aconselhamentos nos dava a bênção.

    Padre João Schiavo, uma fonte de luz, um amigo fraterno, que nos inspirou e nos impulsionou para vida. Juntamente com os outros religiosos e educadores do Abrigo, se preocupava muito com nossa formação. Inúmeras são as obras e o legado deixados.

    Como Diretor-Provincial coordenava o Abrigo em Caxias, e os colégios de Ana Rech e Fazenda Souza, tinha uma vocação para a profissão dos alunos, pois tínhamos as áreas das oficinas, marcenaria, elétrica, gráfica, agrícola e desenho técnico, mais tarde os tornos mecânicos e as frezas. Dispertava no aluno a verdadeira vocação profissional.

    ” PADRE JOÃO SCHIAVO ” QUE BOM TER LHE CONHECIDO,
    ÉS UM ENVIADO DE DEUS. ORAMOS PELA SUA BEATIFICAÇÃO.

  • mario valentiniani diz: 20 de dezembro de 2014

    Muito obrigado jornalista RODRIGO LOPES DE OLIVEIRA do Jornal PIONEIRO, por esta brilhante matéria sobre a vida e obra do Padre JOÃO SCHIAVO.

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