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Cine Apollo, Cine Ópera e dois incêndios

24 de dezembro de 2014 0
O Ópera em 1993. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

O Ópera em 1993. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

O incêndio que destruiu o Cine Ópera há exatos 20 anos, na madrugada de 24 de dezembro de 1994, é lamentado até hoje. Ao mesmo tempo, as hipóteses de um sinistro criminoso nunca deixaram de ser cogitadas.

Porém, muito antes de o Ópera se consagrar na memória coletiva de seus frequentadores, a partir de 1950, Caxias já havia presenciado, ainda nos anos 1920, as chamas tomando a esquina das ruas Pinheiro Machado e Dr. Montaury.

Inaugurado em 1º de janeiro de 1921, todo em madeira, com alicerces de alvenaria e cobertura em zinco, o pioneiro Cine Theatro Apollo sofreu o primeiro sinistro em 28 de maio de 1927, “com gente pulando pelas janelas, a fim de se livrar das labaredas”, nas palavras do médico e cronista Francisco Michielin.

Conforme detalhado no livro Cinemas: Lembranças, de Kenia Pozenato e Loraine Slomp Giron, “o sinistro começou no vestiário, onde uma camareira distraída esqueceu-se de um ferro à brasa sobre uma roupa que passava. As roupas pertenciam à Companhia de Revista Sarah Nobre, que há uma semana se apresentava na cidade”. Ainda segundo o livro, (…) para completar a confusão, enquanto ocorria o incêndio, foi roubado o projetor, que havia sido retirado do prédio e posto a salvo.

Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O Cine Theatro Apollo em 1928, quando foi reinaugurado. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Apollo, o retorno

Um ano após o incêndio, em 7 de abril de 1928, o Apollo era reinaugurado. Com três pavimentos e excelente acústica, fruto do interior todo em madeira, o Apollo comportava 1,2 mil lugares, com poltronas fixas e três fileiras de camarotes (foto acima). Segundo Loraine e Kenia, além das escadas internas, havia uma externa – que possibilitava o acesso à parte superior, onde ficava a moradia do gerente. As dependências eram amplas, dando para a sacada sobre a entrada do cinema (bem na esquina).

O Apollo funcionou até o início dos anos 1950 sem grandes alterações físicas, o que deixou-o obsoleto também na parte técnica de projeção, principalmente em relação ao Guarany, seu maior concorrente. Uma reforma iniciada naquele ano, porém, mudou o nome, os detalhes da fachada e também o público, que passou a fazer fila para conferir as grandes estreias nacionais que a sala proporcionava.

Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O Ópera em meados dos anos 1960, quando atraía multidões. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O novo Ópera

O novo Cine Teatro Ópera foi inaugurado em 1952, sob a direção de Julio Ribeiro Mendes. Foram mantidas na fachada as liras sobrepostas às falsas colunas. Conforme detalhado pelas historiadoras Loraine Slomp Giron e Kenia Pozenato, foram acrescentadas ainda duas colunas, superpostas na parte superior da fachada.

No alto, ao centro, um letreiro em neon no formato de uma pauta musical destacava a clave de sol e a palavra Ópera, substituindo as notas musicais. A entrada recebeu novos vitrais, e uma porta de ferro passou a proteger a saída lateral, pela Dr. Montaury.

Porém, o momento máximo dava-se quando abriam-se as cortinas. O Ópera “recebeu novas cortinas brancas de voal, na parte interior, e de tecido grosso e áspero bordô, na exterior. Elas eram abertas quando começavam os primeiros acordes do ‘Coro dos Ferreiros’, de Giuseppe Verdi. Primeiro, abria-se a cortina externa, e após, muito lentamente, a interna”.

Tempos de Dia da Dama, flertes, matinês, balas de coco e tantos “namoros a distância” iniciados junto à bomboniére…

Leia mais sobre o Cine Ópera clicando AQUI.

Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

A esquina em janeiro de 1995: cenário de desolação e revolta. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

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