Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Nossa Senhora de Lourdes: uma gruta surge em 1943

29 de dezembro de 2014 8
Foto: acervo pessoal de Leonardo Maltauro, divulgação

A gruta no dia da inauguração, em 11 de fevereiro de 1943. Foto: acervo pessoal de Leonardo Maltauro, divulgação

Ignorada por boa parte da população, sofrendo com o vandalismo e carente de uma revitalização, a Gruta de Nossa Senhora de Lurdes é um ponto turístico a ser redescoberto. E a beleza do lugar, localizado a 10 quilômetros do centro de Caxias, em Conceição da Linha Feijó – nos arredores do bairro Desvio Rizzo –, equivale à sua rica história.

O surgimento da gruta remete ao ano de 1942, quando a comunidade de Conceição da Linha Feijó recebia, pela primeira vez, o procurador da república do Estado do Rio Grande do Sul, Alceu Barbedo. Em visita à usina hidrelétrica de Luiz Rossato (cujas ruínas existem até hoje), o político sugeriu que no rochedo fosse feita uma gruta, aproveitando-se a geografia e a localização privilegiada – ideia posteriormente acolhida pelo reverendo Frei Félix e pelo então primeiro bispo de Caxias do Sul, Dom José Barea.

Nesse meio tempo, a seca que assolou praticamente todas as lavouras da região motivou um mutirão de trabalhadores a realizar melhorias no local, além de erguer uma espécie de altar em honra a Nossa Senhora de Lurdes.

Logo após a posse do novo vigário da paróquia, o Frei Paulino, em 31 de janeiro de 1943, os trabalhos foram acelerados, culminando com a inauguração, em 11 de fevereiro daquele ano, durante a Festa de Nossa Senhora de Lourdes.

Foto: acervo pessoal de Leonardo Maltauro, divulgação

A cerimônia religiosa, da qual participaram Frei Paulino e o Padre Giordani. Foto: acervo pessoal de Leonardo Maltauro, divulgação

Foto: acervo pessoal de Leonardo Maltauro, divulgação

Alceu Barbedo corta a fita inaugural do novo espaço, após um ano de trabalhos. Foto: acervo pessoal de Leonardo Maltauro, divulgação

A festa

A solenidade contou com o idealizador do espaço, Alceu Barbedo, e mais 35 padrinhos e madrinhas, além do prefeito Dante Marcucci e dos padres Eugênio Giordani (pároco de São Pelegrino) e João Schiavo (diretor dos Padres Josefinos de Murialdo de Ana Rech) – Schiavo inclusive abençoou a comunidade com a água que brotava do rochedo.

Conforme registros históricos disponibilizados pela paróquia, uma grande romaria de fieis estendeu-se por todo o dia em torno da fonte de água benta naquele 11 de fevereiro de 1943. Desde então, o local é ponto de visitação, pedidos de graças e agradecimentos a Nossa Senhora de Lurdes e a Santa Bernadete.

Um registro do almoço oferecido às autoridades e convivas. Foto: acervo pessoal de Leonardo Maltauro, divulgação

Um registro do almoço oferecido às autoridades e convivas, entre eles o empresário Romano Facchin (primeiro sentado à esquerda, na mesa ao fundo). Foto: acervo pessoal de Leonardo Maltauro, divulgação

A comissão

Na época, a comissão responsável pela gruta foi composta por Luiz Rossato, proprietário do local, Carlos Fabris e Valerio Zattera, colaborador e fabriqueiro da paróquia. Parte das informações deste texto integra a ata oficial escrita pelo senhor Valerio Zattera.

Foto: acervo pessoal de Leonardo Maltauro, divulgação

Atualmente, gruta sofre com um certo abandono e a insegurança do local. Foto: acervo pessoal de Leonardo Maltauro, divulgação

A gruta hoje

Mais de 70 anos após sua construção, o lugar sofre não apenas com o descaso da população. Segundo moradores, empresas próximas costumam largar dejetos no arroio e esgoto é despejado nas águas da antiga barragem. Também há relatos de ponto de venda e uso de drogas.

Foto: acervo pessoal de Leonardo Maltauro, divulgação

Foto: acervo pessoal de Leonardo Maltauro, divulgação

Foto: acervo pessoal de Leonardo Maltauro, divulgação

Foto: acervo pessoal de Leonardo Maltauro, divulgação

Comentários (8)

  • Leonardo Maltauro diz: 29 de dezembro de 2014

    Boa tarde
    Fico muito agradecido pela publicação desta reportagem, pois creio que a mesma ira fazer com que as pessoas se conscientizem em preservar e ajudar a manter e divulgar este local tão bonito mas que atualmente passa por despercebido e abandono pela população de Caxias do Sul e moradores do próprio local.

  • Rafaela Dallegrave diz: 29 de dezembro de 2014

    É galerinha,o lance é o seguinte: vcs que moram na comunidade,tem o direito e dever de conservar esse local…a prefeitura tbm pode e deve auxiliar para que o local seja conservado e organizado….
    É um lugar de fácil acesso,lindo e calmo,que pode facilmente ser incluso na rota turística de Caxias….infelizmente,o banho de rio não é recomendado,embora suas águas passem por tratamento,mas mesmo assim,é um belíssimo local para se descansar e aproveitar o contato com a natureza…Vale a pena conhecer!!!

  • Fernanda Gabriela Maltauro de Sousa diz: 29 de dezembro de 2014

    Reportagem excelente!! ótimas lembranças de infância neste lugar lindo(apesar do descaso atual) banhos com meu primo Leonardo Maltauro na época eram apropriados e ótimos

  • ITAMAR LIZOTT diz: 29 de dezembro de 2014

    Me recordo do tempo de criança,isto e muito bom, saber que tem gente que ainda se preocupam com estes lugares lindo,Parabéns Leo, um abraço!!!.

  • Luciane Maltauro Gil diz: 29 de dezembro de 2014

    Precisamos conservar esses lugares belíssimos para que as próximas gerações conheçam a história dos nossos antepassados.

  • Cesar Jonatan Spuldaro diz: 29 de dezembro de 2014

    Boa noite!
    É lamentável a falta de vontade política para a preservação de obras como esta, criada por um idealizador que infelizmente não está mais aqui para manter. Gostaria de ver esse lugar mais organizado e explorado no turismo, quem sabe algum empresário não se habilita? Vamos torcer…

  • Beatriz teresa Rossato Finimundy diz: 30 de dezembro de 2014

    olá
    Sou filha de Guilhermina Mengatto Rossato e neta de Guilherme Mengatto. Muitos de meus parentes ainda residem em Conceição. participei de muitas festas neste lugar magnífico, mas que foi abandonado devido à invasão de delinquentes de toda espécie o que ocasiona medo na comunidade. Tentei por diversas vzs visitar a gruta, qdo em férias, já que agora resido no Mato Grosso, mas ninguém se atreveu a me acompanhar. lamento demais que as coisas estejam nesta situação e a comunidade não tem culpa, pois por muitíssimos anos conservou e cuidou muito deste lugar fabuloso onde aconteceram festas memoráveis. só um destacamento policial permanente resolveria, mas isso é impossível, obviamente. os criminosos se aproveitam bem desta situação.

  • Lucimara Mengatto diz: 30 de dezembro de 2014

    Olá!!
    Fico imensamente feliz em ver a gruta que tanto fez parte da minha infância, pena vê-la nessa situação.Sei do quanto ela depende somente de algumas pessoas para mantê-la visitável.Mas tenho certeza que com a comunidade unida e o poder publico fazendo mais a gruta voltará a ser um lugar de muitas festas e de grande acervo histórico.

Envie seu Comentário