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Central: cinema, teatro, quadra de esportes e bingo

02 de janeiro de 2015 0
Foto: acervo Aqruivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O Cinema Central em meados dos anos 1950, quando o footing dominical movimentava o centro e os jovens enamorados. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O Cine Theatro Central tem sua história atrelada ao pioneiro Cinema Juventude, inaugurado em 10 de março de 1927 – à época, as projeções ocorriam no salão de festas da antiga sede social do Recreio da Juventude, na esquina da Rua Visconde de Pelotas com a Sinimbu, posteriormente adquirida pelo CÍRCULO OPERÁRIO CAXIENSE.

Transferido no ano seguinte para o novíssimo prédio erguido na Av. Júlio, defronte à Praça Dante, o Central tornou-se o principal concorrente do então recém-reconstruído CINE THEATRO APOLLO (embrião do Ópera), atingido por um incêndio em 1927. Por boa parte da década de 1930, o Apollo e o Central foram as duas únicas salas de cinema de Caxias. Pelo prédio passariam ainda companhias de teatro, músicos, cantores e shows de variedades.

Conforme as historiadoras Loraine Slomp Giron e Kenia Pozenato, autoras do livro Cinema: Lembranças, em 1936 o Central sediou a apresentação da mitológica Companhia de Teatro de Dulcina de Moraes, primeira a trazer ao público brasileiro autores como García Lorca (Bodas de Sangue) e Bernard Shaw (Pigmaleão). Já o ano de 1941 ficou marcado pela passagem do tenor italiano Tito Schipa, acompanhado da atriz Caterina Boratto, com um variado repertório de árias. Ainda naquele ano, os caxienses assistiriam no Central ao clássico …E o Vento Levou.

Conforme descrito no livro, em 1939 o jornal A Época trazia uma curiosa matéria intitulada Creche ou Cine. O texto, em tom bastante crítico, reclamava dos pais que levavam seus filhos ao cinema e da algazarra que as crianças faziam, impedindo os demais espectadores de assistir às projeções em paz.

Leia mais sobre a arquitetura do prédio e as esculturas de Estácio Zambelli clicando AQUI.

Getúlio Vargas, então governador do RS, visita Caxias em 1928, e é aplaudido na sacada do Cine Central. Foto: Giácomo Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Getúlio Vargas, então governador do RS, visita Caxias em 1928 e é aplaudido na sacada do Cine Central. Foto: Giácomo Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: Luis Carlos Leite, banco de dados/Pioneiro

O Central em 1982: faixa destaca os dizeres Recreio da Juventude – Clube de Cinema. Ao lado, o acesso para o antigo Departamento de Judô. Foto: Luis Carlos Leite, banco de dados/Pioneiro

Agitos no entorno

O lendário footing dominical na Praça – passeio regado a flertes e troca de olhares entre os jovens – também foi potencializado pelo vaivém de seus frequentadores nos anos 1940 e 1950. Já a partir da década de 1960, o Central e seus “companheiros de rua” – Guarany, Real, Ópera e Imperial – passaram a sofrer com a crescente concorrência da televisão, mas ainda assim seguiram bastante prestigiados.

O baque mesmo veio em 1975, quando o espaço do primeiro piso foi transformado em uma quadra de esportes. Aos cinéfilos restou apenas o mezanino, onde passou funcionar o lendário Cineclube do Recreio da Juventude.

Foto: reprodução acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgaçãoO Cineclube

Registrado junto ao Conselho Nacional de Cineclubes, o Cineclube do Recreio da Juventude fazia coro a um movimento nacional de exibições independente do esquema das salas comerciais. Seguindo essa linha, propunha-se ainda a apresentar filmes em horários alternativos, geralmente após as sessões tradicionais, com debates na sequência.

Segundo informações contidas no livro Cinema: Lembranças, o espaço abrigou também a XII Jornada Nacional de Cineclubes, realizada de 11 a 15 de fevereiro de 1978 (cartaz acima). Em torno de 300 pessoas reuniram-se em Caxias para discutir temas como as relações entre o movimento cineclubista e o cinema brasileiro, a produção independente, a Embrafilme e, logicamente, a censura decorrente do regime militar.

O Central na época em que abrigou a Sorvelândia, em meados dos anos 1980. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O Central na época em que abrigou também a Sorvelândia, em meados dos anos 1980. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O Central em 1986, exibindo o clássico O Beijo da Mulher Aranha,  estrelado por Sonia Braga. Foto: Roberto Scola, banco de dados/Pioneiro

O Central em 1986, exibindo o clássico O Beijo da Mulher Aranha, estrelado por Sonia Braga. Foto: Roberto Scola, banco de dados/Pioneiro

A fachada do cinema em 12 de agosto de 1988. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

A fachada do cinema em 12 de agosto de 1988. Foto: Gilmar Gomes, banco de dados/Pioneiro

O Central às vésperas de seu fechamento, em janeiro de 1990. Foto: Antonio Galvão, banco de dados/Pioneiro

O Central às vésperas de seu fechamento, em janeiro de 1990. Foto: Antonio Galvão, banco de dados/Pioneiro

Matéria do Pioneiro de janeiro de 1990 destacava o fechamento do cinema e os motivos: ocupação do espaço pra quadras de ginástica olímpica e judô . Foto: reprodução

Matéria do Pioneiro de janeiro de 1990 destacava o fechamento do cinema e os motivos: ocupação do espaço para quadras de ginástica olímpica e judô. Foto: reprodução/Pioneiro

Fechamento há 25 anos

O retorno do Central como cinema aberto deu-se em meados de 1982, mas a fase final dos anos 1980 não foi das mais prósperas – a decadência física da sala dialogou com a baixa bilheteria das sessões e uma programação entremeada por filmes pornôs.

O Central fechou as portas no final de semana de 27 e 28 de janeiro de 1990, exibindo o derradeiro filme Cegos, Surdos e Loucos – título bastante irônico para o fim de um cinema daquele porte e importância histórica. Quando o encerramento das atividades foi anunciado pelo Pioneiro, dia 25, estava em cartaz a comédia Os Safados, com Steve Martin e Michael Caine.

Após uma ampla reforma, os enormes salões foram reabertos em 1994. Desta vez, porém, para o público… jogar bingo.

Há 25 anos: Pioneiro de 27 e 28 de janeiro de 1990 destaca a última sessão do central. Foto: reprodução/Pioneiro

Há 25 anos: Pioneiro de 27 e 28 de janeiro de 1990 destacava a última sessão do Central. Foto: reprodução/Pioneiro

Reportagem do Pioneiro abordou o declínio da sala nos últimos anos. Foto: reprodução/Pioneiro

Reportagem do Pioneiro abordou o declínio da sala nos últimos anos. Foto: reprodução/Pioneiro

O Cine Central pintado de azul em 1997, quando abriga o Bingo BJ. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

O antigo calçadão e o Cine Central pintado de azul em 1997, quando abrigava o Bingo do RJ. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Futuro

Fechado há dois meses, após a saída das Lojas Manlec, o prédio atualmente é uma incógnita. Alguém arrisca qual será sua próxima ocupação?

Leia mais sobre o antigo calçadão clicando AQUI.

Leia mais sobre o antigo Cine Imperial clicando AQUI.

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