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Patronato Agrícola: passado, presente e futuro

07 de janeiro de 2015 6
Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A construção do prédio, em meados de 1927/1928. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Prédio foi inaugurado pelo então governador do Estado Getúlio Vargas em 1928. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

O prédio do Patronato em agosto de 2013, quando estava em obras. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Construção icônica do bairro Cinquentenário e tombada pelo Patrimônio Histórico do Município desde 2003, o antigo casarão do Patronato Agrícola ganha seus primeiros inquilinos nos próximos dias.

Após um amplo processo de reforma – iniciado em 2009 e concluído em 2013 – e de meses à espera de locatários, o espaço deve ser ocupado pela Emercor Emergências Médicas até 10 de janeiro. A iluminação noturna percebida nos últimos dias, aliás, é uma atração à parte do prédio projetado pelo italiano Luigi Valiera em 1928 – e que quase ruiu no início dos anos 1980, devido ao abandono.

Símbolo maior do início dos trabalhos de assistência social em Caxias, o Patronato Agrícola funcionou até 1937 como internato para meninos órfaõs (confira abaixo). Pelo espaço também passaram importantes entidades de relevância comunitária, como a Escola de Artes e Ofícios, a Escola Normal, a creche do Conselho Municipal de Apoio à Infância (Comai) e a Associação do Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), proprietária do imóvel desde 1969.

Apesar da importância histórica do espaço, são poucos os documentos do período. Jornais de 1928, como o Jornal de Caxias e o Jornal Regional, destacam as ações comunitárias para arrecadar recursos à obra e a inauguração oficial por Getúlio Vargas, em 22 de abril, mas não detalham o funcionamento da instituição. Também não são conhecidos registros com nomes dos internos que passaram por lá.

Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Grupo de internos no início dos anos 1930. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Relatos

Em 2002, um documento produzido para o Inventário do Patrimônio Cultural de Caxias localizou um ex-interno do patronato, Artur Scalabrin. Ele relatou como foi seu dia a dia durante dois anos:

“Levantávamos cedo, tomávamos café da manhã e, em seguida, íamos para a roça ou para as hortas, onde se plantava trigo, feijão e legumes. Na parte da tarde, frequentávamos aulas dadas pelo diretor, e os alunos mais velhos trabalhavam na marcenaria.”

Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O casarão em meados da década de 1930. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A construção

* O Patronato Agrícola foi inaugurado em 22 de abril de 1928 por Getúlio Vargas, então governador do RS. A instituição começou a funcionar quatro meses depois, em agosto.

* A proposta dos patronatos implantados no país a partir de 1918 era coibir a marginalidade infantil, ensinando ofícios aos internos em vez de aprisioná-los nos então populares orfanatos. Eles aprendiam muito sobre plantações, hortas, criação de animais e manutenção de lavouras.

* Em Caxias, a instituição foi construída com dinheiro público e ofertas beneficentes. A primeira turma foi de 12 meninos.

* O Patronato funcionou até 1937, quando o governo mudou o foco de suas políticas públicas e, por falta de recursos, encerrou o projeto.

Foto: Roni Rigon

O Patronato em 2012, quando passava por obras emergenciais de infraestrutura. Foto: Roni Rigon

Foto:

Visão privilegiada da cidade é um dos atrativos do prédio. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Pertencente a Apae, construção mantém até hoje detalhes de sua arquitetura original, datada de 1928. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Foto: Roni Rigon

Conjunto foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Município em 2003. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Foto: Roni Rigon

O acesso principal em 2006, antes do início das reformas. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Sacadas permitem ampla visão do bairro São Pelegrino e do Parque Cinquentenário (à direita). Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Janelões e parte das aberturas originais foram recuperados. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

A ocupação

* Com o fim das atividades do patronato, em 1937, o prédio foi repassado à Ordem dos Irmãos Josefinos, vinculados ao Instituto La Salle. Até 1952, o local abrigou a Escola de Artes e Ofícios e a Escola Normal, para meninas, sob administração das Irmãs do Sacré-Coeur de Marie.

* Em 1961, o casarão funcionou como alojamento de funcionários do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), que construíam a ponte sobre o Rio das Antas, entre Bento Gonçalves e Veranópolis.

* Em 1962, a creche do Conselho Municipal de Auxílio à Infância (Comai) utilizou o prédio e emprestou salas para o Instituto Mario Totta, que, mais tarde, se tornaria a Apae.

* Em 1963, a Apae passou a utilizar totalmente o prédio e, em 1969, recebeu em doação as terras do entorno. A Apae funcionou no local até 1981, quando mudou-se para a atual sede. Desde então, e até 2009, o prédio estava abandonado.

Outras matérias

Confira matéria sobre o início dos trabalhos de recuperação do prédio, em 2010, clicando AQUI.

Leia mais sobre a reforma de 2013 clicando AQUI.

Veja uma galeria de imagens do Patronato em reformas em 2013 clicando AQUI.

Foto: Porthus Junior

Nova sede do Emercor: o prédio atualmente, valorizado pela iluminação noturna. Foto: Porthus Junior

Foto: Porthus Junior

Estrutura construída nos fundos facilita acessibilidade. Foto: Porthus Junior

A estrutura

O prédio do Patronato Agrícola possui 630 metros quadrados e quatro pavimentos, com sacadas abertas, torre e mirante. Nos fundos, foram acrescidos outros 300 metros quadrados, em uma estrutura de aço, vidro e policarbonato. A nova ala inclui banheiros, cozinha e elevador, privilegiando a acessibilidade.

Com a mudança, a Emercor Emergências Médicas deixa para trás o belo casarão modernista dos anos 1950/1960 localizado na Av. Júlio de Castilhos, quase esquina com a Conselheiro Dantas, no bairro Lourdes.

Um dos destaques da mansão é o mural de seixos na fachada (foto abaixo). Quiçá permaneça de pé…

Foto: Rodrigo Lopes

Casarão modernista da Av. Júlio, cujo destaque é um mural de pedras, deixará de ser ocupado pelo Emercor. Foto: Rodrigo Lopes

Comentários (6)

  • Juliano Busetti diz: 7 de janeiro de 2015

    Bela matéria e um patrimônio que permanece para Caxias! Ainda bem!

  • Dirceu Soares diz: 7 de janeiro de 2015

    Rodrigo, muito bom. Cumprimento você e ao Pioneiro! Vosso trabalho de resgate da história de Caxias do Sul é magnífico. Respeitoso abraço.

  • Karine diz: 7 de janeiro de 2015

    Apenas não entendi se esse prédio atualmente é de propriedade privada ou pública…

  • César diz: 26 de janeiro de 2015

    Interessante, caro Rodrigo, que a primeira e a quinta fotos jamais foram localizadas no Arquivo Histórico durante a pesquisa que eu e alguns colegas de curso fizemos em 2009. Onde você as conseguiu?
    Existe também uma imagem bem interessante da casa nos anos 30, vista a partir do atual SENAC, mostrando como o contexto era rural.

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