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Memórias do Palacete Eberle

13 de janeiro de 2015 5
O palacete em construção no final dos anos 1930. Foto: Studio Geremia, divulgação

O palacete em construção no final dos anos 1930. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Até falecer, há exatos 70 anos, em 13 de janeiro de 1945, Abramo Eberle residiu no luxuoso palacete localizado na esquina da ruas Sinimbu e Borges de Medeiros. Foi lá, inclusive, que ocorreu o velório do empresário. Pegando carona nessa data, retomamos um pouco da história daquela que é considerada a mais bela construção de Caxias do Sul.

Com forte inspiração nos palacetes renascentistas italianos, o casarão começou a tomar forma em 1938. A partir do projeto arquitetônico encomendado ao escritório Barcellos & Cia, de Porto Alegre, a obra teve posterior execução pelo engenheiro e construtor Silvio Toigo – o luxo, o requinte e o fino acabamento, até então nunca vistos em uma propriedade particular da cidade, destacavam-se por todas as dependências.

Elisa Venzon Eberle e Abramo na sala de estar, em 1941. Entre os luxos da época, uma moderna  lareira elétrica. Foto: Studio Geremia, divulgação

Elisa Venzon Eberle e Abramo na sala de estar, em 1941. Entre os luxos da época, uma moderna lareira elétrica. Foto: Studio Geremia, divulgação

Tombado pelo Patrimônio Histórico do Município desde 2006, o “castelinho” é preservado em seus mínimos detalhes. Belíssimos vitrais nas janelas e no teto, executados no atelier dos Irmãos Conrado, em São Paulo, dialogam com suntuosas portas em madeira e cristal, confeccionadas no Liceu de Artes e Ofícios, também na capital paulista.

Pela paredes, pinturas do artista italiano Menegotto, que residia em Caxias à época. No torreão, frisos e pilastras coríntias. Na fachada e laterais, medalhões em relevo e apliques com guirlandas. Já no acesso, o esplêndido trabalho de ferro forjado na grade da porta principal e o “A”, de Abramo, reforçam a suntuosidade da construção.

Confira alguns desses detalhes no belo ensaio registrado pelo fotógrafo Ricardo Wolffenbüttel em 2008.

Foto: Ricardo Wolffenbüttel, banco de dados/Pioneiro

Foto: Ricardo Wolffenbüttel, banco de dados/Pioneiro

Foto: Ricardo Wolffenbüttel, banco de dados/Pioneiro

As dependências

Ao mesmo tempo em que a Metalúrgica Abramo Eberle consolidava seus produtos e destacava-se cada vez mais no mercado internacional, a mansão localizada a poucos metros dali traduzia a ascensão social, política e econômica de seu fundador.

Segundo detalhado no livro Memórias de Caxias do Sul pelo Viés do Patrimônio Tombado, lançado pela jornalista Heloisa Mezzalira em 2008, a residência é dotada de quatro pavimentos. No porão, localizavam-se os aposentos dos empregados e uma sala de jogos, onde Abramo recebia os amigos para partidas de bilhar.

O primeiro pavimento acomodava a cozinha e as salas de jantar, íntima e de estar, onde a família costumava recepcionar visitantes ilustres, principalmente durante as Festas da Uva.

No segundo piso ficavam os dormitórios, uma pequena capela e a varanda. Já o sótão estava reservado ao quarto de hóspedes, dotado de sala e banheiro.

Foto: Ricardo Wolffenbüttel, banco de dados/Pioneiro

Foto: Ricardo Wolffenbüttel, banco de dados/Pioneiro


















Visitas

Conforme descrito no livro, Abramo viveu na casa com a esposa, Elisa Venzon Eberle, e os filhos até 1945. Quando Elisa faleceu, em 1954, o palacete permaneceu habitado pela filha Rosália, casada com Aristides Peroni – seus últimos moradores.

Após cinco anos fechada, a residência, que hoje pertence à empresa das filhas de Rosália e Aristides, foi colocada para locação. Atualmente, o palacete abriga a sede da Imobiliária Ideal.

As dependências podem ser visitadas mediante agendamento, pelo fone (54) 3289.6700.

Comentários (5)

  • Art Leela diz: 13 de janeiro de 2015

    Impressionante a beleza, conservação,elegância,harmonia e bom gosto neste palacete!que bom poder conhecê-lo!

  • Vinícius Gatelli diz: 13 de janeiro de 2015

    Fiquei admirado com tanta beleza neste palacete.
    Esta parte do Pioneiro é muito boa, pois passamos por diversos prédios de Caxias e nem sabemos da história que se passa por atrás…
    Bela matéria!Parabéns!

  • Joelma Esteves diz: 13 de janeiro de 2015

    Um local com um passado tão rico merecia uma fim mais cultural do que uma imobiliária…

  • Rodrigo Varela diz: 13 de janeiro de 2015

    Realmente é uma bela construção,remete aos tempos antigos de descobrimentos e glorias da cidade.O pioneiro poderia também fazer uma mesma reportagem como esta,mas com a antiga chácara Eberle a “casa rosa”,que agora infelizmente está escondida atrás da nossa era moderna.

  • Liliana Peroni Ody diz: 15 de janeiro de 2015

    Que saudades! Esta casa foi construida, de fato, pelo nosso avô Abramo Eberle. Nossos pais Rosalia Eberle e Aristides Peroni adquiriram a casa dos herdeiros quando a faleceu nossa avó Elisa. Atualmente ela pertence a Liliana Peroni Ody e Beatriz Peroni Barp, filhas de Aristides e Rosalia e netas de Elisa e Abramo Eberle.

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