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Polêmica no entorno da Maesa

15 de janeiro de 2015 2
Foto: Porthus Junior

Cobertura asfáltica descaracterizaria a via, que abriga ícones históricos como a Maesa (e seus tijolos aparentes), o Senai, o Emílio Meyer e a Praça Monteiro Lobato. Foto: Porthus Junior

A decisão vertical da prefeitura pelo asfaltamento do trecho da Rua Plácido de Castro defronte à Maesa (já para os desfiles do Carnaval 2015) pegou de surpresa entusiastas da área, defensores do patrimônio histórico e, principalmente, a comunidade em geral – grande responsável pela atual e futura ocupação de todo aquele espaço, tanto o interior quanto o seu entorno.

Desde terça-feira à noite, manifestos pelas redes sociais pedem “Não ao Asfaltamento da Rua Plácido de Castro”. O texto elaborado pelo coletivo Faço Parte Maesa, do Facebook, por exemplo, defende a preservação do pavimento original da via e também propõe um questionamento: “de que forma a sociedade está sendo consultada e contemplada nestas decisões sobre a Maesa e seu entorno?”.

Até a noite desta quarta (14), a postagem já contabilizava mais de 200 compartilhamentos e dezenas de manifestações – a maioria contrárias à determinação da prefeitura.

Foto: Porthus Junior

Paralelepípedos perfeitos: área não carece de asfaltamento, nem para os desfiles de Carnaval, nem para qualquer outra atividade. Foto: Porthus Junior

Ação popular

Uma ação popular contra o asfaltamento, protocolada pelo servidor público federal Ricardo Fabris de Abreu, tramita na Justiça. O texto alega que o asfalto afeta o entorno do prédio, atualmente em processo de tombamento, e acaba com a pavimentação original de uma rua histórica.

Foto: Porthus Junior, banco de dados/Pioneiro

Nana Corte em 2008: asfaltamento dos trilhos da Estação Férrea motivou uma intervenção artística com band-aids em protesto. Foto: Porthus Junior, banco de dados/Pioneiro

Curativos na Estação Férrea em 2008

No meio de todo esse impasse, vale lembrar que asfalto e preservação do patrimônio histórico já estiveram no centro de uma polêmica ainda em 2008.

Em 30 de junho daquele ano, a artista plástica caxiense Nana Corte considerou o asfaltamento sobre os trilhos em frente à antiga Estação Férrea, atual sede da Secretaria de Cultura, um ato de vandalismo, tal qual pichar um monumento da cidade. E tentou, à sua maneira, demonstrar isso: refez a linha dos trilhos soterrados com curativos descartáveis (fotos).

“O asfaltamento ficou feio, faz mal ao olhar”, disse Nana, em 2008.

Foto: Porthus Junior, banco de dados/Pioneiro

Dormentes suprimidos e curativos na linha do trem em 2008. Foto: Porthus Junior, banco de dados/Pioneiro

Foto: Porthus Junior, banco de dados/Pioneiro

Para lembrar: prefeitura voltou atrás e retirou o asfalto, que alterava o cenário histórico da Estação Férrea, em 2008. Foto: Porthus Junior, banco de dados/Pioneiro

Foto: Porthus Junior, banco de dados/Pioneiro

Sem asfalto: intervenção da artista plástica Nana Corte e chuva de críticas da população devolveram os trilhos ao cenário histórico da Estação em 2008. Foto: Porthus Junior, banco de dados/Pioneiro

O manifesto artístico e outras repercussões negativas do episódio deram resultado. Dias depois, a cobertura asfáltica colocada sobre os trilhos pela prefeitura foi removida, devolvendo à linha o seu aspecto original.

“Não tenho problema nenhum em reconhecer e voltar atrás”, comentou à época o então secretário de Cultura Antonio Feldmann.

Sete anos depois, o prefeito Alceu Barbosa Velho poderia muito bem seguir o mesmo raciocínio…

Dito e feito

Em entrevista publicada no Pioneiro de 26 de novembro do ano passado, às vésperas da lei que autorizava a doação ser sansionada pelo então governador Tarso Genro, em 8 de dezembro, o prefeito Alceu Barbosa Velho enalteceu a expressão “não errar” em relação ao complexo.

Pioneiro: Após a doação da antiga Maesa para Caxias, prevista para os próximos dias, a prefeitura terá um ano para elaborar o projeto de ocupação. Como a população poderá opinar? O que senhor gostaria de ver instalado lá?

Alceu: A ocupação será debatida numa comissão que vamos criar assim que a Maesa nos for passada definitiva e legalmente. A comissão deve ser a mais ampla possível para, como tenho dito, não errarmos. O tempo de um ano é exíguo e nós teremos que trabalhar muito. Pessoalmente, já gosto de ver a certeza da preservação da memória.

Dias antes, em 19 de novembro, Alceu ratificava as decisões em conjunto:

“A Maesa é nossa. É preciso que ela sirva a Caxias. Mas como, vamos ter que descobrir juntos.”

O discurso, pelo visto, mudou.

Luis Carlos Leite, banco de dados/Pioneiro

Argumentos pífios: paralelepípedos nunca dificultaram as coreografias e o desfile das escolas, como mostra o registro acima, do Carnaval de 1988, na Sinimbu. Luis Carlos Leite, banco de dados/Pioneiro

Samba e paralelepípedos

Em relação ao desfile das escolas de samba, beira o pífio o argumento do coordenador do Carnaval, Elvino Santos, de que a irregularidade das pedras prejudica a coreografia das alas.

Por décadas, até 1991, o carnaval de rua deu-se em uma Sinimbu ainda tomada de paralelepípedos, conforme mostra a imagem acima, de 1988 – e ninguém deixou de cair na folia por causa disso.

Carnaval e diversas outras manifestações artísticas ao ar livre em toda a área do entorno da Maesa são mais do que bem-vindas. Porém, fica a pergunta: dois dias de folia por ano justificam a eliminação de um aspecto histórico de, pelo menos, cinco décadas?

Em tempo: o colunista é totalmente favorável à manutenção da Rua Plácido de Castro tal como está.

Foto: banco de dados/Pioneiro

Carnaval em 1982: folia em plena Sinimbu dominada por paralelepípedos. Foto: banco de dados/Pioneiro

O texto do manifesto

As pedras de basalto são parte da fisionomia urbana da cidade. São parte da história e traduzem a cultura do trabalho com a pedra. O asfalto impermeabiliza o solo, separa os vizinhos, acelera o tempo, destroi a história. 

Vai descaracterizar a unidade paisagística do entorno do complexo da Maesa, composto por monumentos arquitetônicos como o prédio do Senai, o Colégio Estadual Henrique Emílio Meyer e o parque Monteiro Lobato.

Somos a favor do uso do entorno da Maesa por todas expressões culturais e artísticas, porém com respeito à história e à cultura que ali já existem.

Texto reproduzido da comunidade Faço Parte Maesa, do Facebook.

Para fechar, uma observação do arquiteto urbanista, morador vizinho da Maesa e idealizador do projeto Caminhos da Memória, Roberto Filippini:

“Asfalto no paralelepípedo para mim é o mesmo que rebocar o muro da Maesa”.

Comentários (2)

  • Enio ORTIZ diz: 15 de janeiro de 2015

    asfalto não

  • GILBERT diz: 16 de janeiro de 2015

    O ASFALTO EM CAXIAS DO SUL foi um enorme erro em todas as ruas, a velocidade é 40 50 por hora ao inves de asfaltar ajustar os paralelepipedos e não colocar o asfalto em cima deles como fizeram em toda a cidade mal feito, sem planejamento, sem respeiro ao embelezamento da cidade tem ruas que mais de 30 marcas de alfalto jogado de cima de uma tombeira, sem ver onde cai, onde voce ajustaria com 200 reais jogam 1000 de asfalto sem ver onde cai, observe a cidade as marcas de asfalto em cima dos paralelepipedos a cada dia a cidade parece que saem as ruas para fazer ela envelhecer mais rapido, tem construções de 2 3 anos que parece que ja tem 40 anos de baixa qualidade a a cidade envelhece rapido pela falta de qualidade nas contruções etc…

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