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Aniversário do blog Memória: um ano recordando do Studio Geremia

21 de janeiro de 2015 4
Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Anos 1940: a lendária sala de fotografia no segundo andar, com o mobiliário e os fundos falsos que compunham o cenário para as imagens. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Anos 1940: sala no segundo andar, com os clássicos cenários de fundo, ainda recebia iluminação de uma abertura no telhado. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Processo artesanal: os equipamentos e a pia para a revelação e ampliação. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Há um ano, a coluna Memória ampliava seu espaço nas páginas do Pioneiro e ganhava conteúdo estendido no blog homônimo. Nesse período, boa parte do material fotográfico publicado foi disponibilizada pelo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami – mais especificamente da coleção do lendário Studio Geremia. É exatamente um recorte dessa trajetória, passada de pai, Giácomo (1880-1966), para filho, Ulysses (1911-2001), que abordamos hoje.

Em 1911, um ano após a chegada do trem e a elevação de Caxias à categoria de cidade – e pegando carona nesse visível crescimento –, o filho de imigrantes Giácomo instala na Av. Júlio de Castilhos, 1.872, o seu pioneiro atelier de “photographia”. Autodidata, Giácomo trazia na bagagem a experiência como fotógrafo itinerante, registrando o processo de ocupação da região colonial italiana.

Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O antigo estúdio “photographico” em meados dos anos 1930, na Júlio entre a Visconde e a Dr. Montaury. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Referência em toda a região, o Studio Geremia adentra a década de 1920 consolidando-se também como uma escola para a formação de novos profissionais. Já em meados dos anos 1930, Ulysses, crescido em meio a negativos, lentes e maquinário, aperfeiçoa os conhecimentos com o pai e mergulha definitivamente no ofício.

A partir daí, ambos passam a retratar o crescimento da cidade, o comportamento, o cotidiano de seus moradores, a Festa da Uva, as manifestações religiosas, o interior, o desenvolvimento da indústria – documentos imagéticos preciosos que permitem entender a Caxias de ontem e de hoje.

Sem falar na “obrigatoriedade” de se passar no Studio Geremia para registrar instantes significativos de família. Não há quem não possua alguma imagem de criança, pai, mãe, irmãos, avós ou bisavós que não tenha sido feita lá.

Giácomo aposentou-se em 1960, aos 80 anos. Ulysses só abandonaria a atividade em 1997, aos 86, devido a problemas de saúde.

A fotografia foi a vida de ambos.

Confira uma galeria com algumas das fotos mais emblemáticas produzidas pelo Studio Geremia durante o século 20 clicando AQUI.

Foto: Tatiana Sager, banco de dados/Pioneiro - 23/11/1993

Ulysses Geremia em seu lendário estúdio em 1993. Foto: Tatiana Sager, banco de dados/Pioneiro 

Foto: banco de dados/Pioneiro

Ulysses em um raro registro no laboratório, em 1980. Foto: banco de dados/Pioneiro

Foto: Carla Pauletti/banco de dados/Pioneiro/1992

Ulysses em ação em 1992, pouco antes antes de abandonar o ofício em função da saúde fragilizada. Foto: Carla Pauletti/banco de dados/Pioneiro

Acervo preservado no Arquivo

Conforme detalhado no antigo Boletim Cenas, editado pelo Arquivo, todo o acervo do Studio Geremia foi adquirido pela prefeitura em 2002. Embora Ulysses tivesse doado ainda em vida vários negativos em vidro do pai, grande parte de décadas de produção permaneceu no estúdio até seu fechamento, em 1997.

Ciente de toda essa riqueza histórica, cinco anos depois a administração municipal e os herdeiros assinaram o contrato de aquisição do acervo. Por meio dele, o Arquivo tem, desde então, o direito de reprodução e uso de todas as imagens.

Um fragmento delas, inclusive, integra a obra Geremia – Um Olhar de Pai para Filho, lançada em 2010 pelo escritor Marcos Fernando Kirst.

Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A vitrine do Studio Geremia em 1969. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O interior da loja no início dos anos 1970. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Júlio de Castilhos, 1.872: a fachada do casarão no final dos anos 1970. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O prédio

Recentemente pintado e adequado à lei que regulamenta a publicidade visual, o casarão que abrigou o Studio Geremia – desde os primórdios, em 1911, até o fechamento, em 1997 –, é um dos destaques do trecho da Av. Júlio de Castilhos entre as ruas Visconde de Pelotas e Dr. Montaury.

Foi nesse simpático sobrado, mais especificamente na sala localizada no segundo andar, que milhares de pessoas foram eternizadas em quase um século de paixão pela arte de fotografar.

Reverências, portanto, ao passar pela Júlio, nº 1.872.

O prédio do lendário Studio Geremia atualmente, pintado e livre da poluição visual exagerada. Foto: Roni Rigon

O prédio do lendário Studio Geremia atualmente: pintado e livre da poluição visual exagerada. Foto: Roni Rigon

Foto: Roni Rigon

Pintura e detalhes da arquitetura original do casarão foram recuperados. Foto: Roni Rigon

Foto: Roni Rigon

Casarão é um dos poucos sobreviventes do trecho da Júlio entre a Visconde e a Dr. Montaury que mantém características do início do século 20. Foto: Roni Rigon

Foto: Roni Rigon

Riqueza arquitetônica coroa o espaço. Foto: Roni Rigon

Últimas fotos

Em 1999, o fotógrafo do Pioneiro Ricardo Wolffenbüttel captou algumas das últimas imagens do mestre, que faleceria em 2001, aos 90 anos.

Foto: Ricardo Wolffenbüttel, banco de dados/Pioneiro/1999

Ulysses Geremia em 1999. Foto: Ricardo Wolffenbüttel, banco de dados/Pioneiro

Vaidade alheia

(…) se tirar uma 3×4, eu te boto sentada e mando o rapaz bater. Se tu vens fazer uma fotografia séria, eu tenho que estudar o tipo de rosto, como está vestida, como estão os cabelos, e procurar o ângulo, a janela ideal. Então é aquela história, ninguém gosta de sair como é. Tem que ter um ar um pouco diferente, a psicologia é esta. Nós, infelizmente, exploramos a vaidade alheia.

Ulysses Geremia, em depoimento ao Banco de Memória do Arquivo Histórico Municipal.

Comentários (4)

  • Alberto Rech diz: 21 de janeiro de 2015

    Prezado Rodrigo…. Agora tu me fez voltar ao meu tempo de criança. Naquela primeira foto acima dos anos 1940, identifiquei o “banquinho” onde o Ulisses Geremia fez a minha primeira foto quando eu deveria ter uns 2 anos de vida… Que lembrança maravilhosa , obrigado amigo…. Parabens por tôdas as manhãs nos dar estas alegrias….Vou enviar por e-mail a minha foto….

  • Maria Helena Muratore diz: 21 de janeiro de 2015

    Que homenagem magnifica ao Fotógrafo Ulisses Geremias .Minha Mãe , muitas vezes ,me levou ao seu estúdio para fotografar momentos de minha vida. Enviarei fotos que guardo com muito carinho. Parabéns Rodrigo por nos proporcionar a volta ao passado.

  • Maria Amelia Duarte Flores diz: 3 de março de 2015

    Lindíssima e cheia de sensibilidade esta coluna. Estou escrevendo a hstória da Vinícola Peterlongo e temos um acervo de imagens do Studio Geremia que são de arrepiar. As mulheres trabalhando nos ano 30 e 40, a construção do prédio. Os detalhes, a luz, os cabelos. É demais. Uma verdadeira jóia da serra gaúcha.

  • içara maineri diz: 21 de janeiro de 2016

    Grande artista que Caxias teve, aqui passaram gerações.
    na minha memória o fantoche de palhaço q ele usava para fazer os bebês sorrirem na polifotos.
    a bronca pq meu vestido de comunhão não fechava …abronca pq na foto da formatura eu estava com rosto inchado pela extração de um dente.
    que personalidade forte….ou estava numa boa de alegria ás vezes estava de mal com o mundo.ADORAVA ELE..AINDA BEM Q CAXIAS ESTÁ RECUPERANDO SUA MEMÓRIA

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