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Humberto Storchi: 90 anos e uma vida atrelada ao Eberle

23 de janeiro de 2015 3

Humberto Storchi e o amigo Ulisses Guerra na Praça Dante Alighieri, em meados dos anos 1950. Foto: acervo família Storchi, divulgação

Em tempos em que a história da Maesa está no centro de uma polêmica sobre o asfaltamento da Rua Plácido de Castro, as memórias de quem teve sua vida atrelada ao lugar também são fundamentais.

Humberto João Storchi, que completa 90 anos nesta sexta (23), ingressou no Eberle Centro em 1940, mora desde 1962 na mesma casa na Rua Tronca, a poucos metros da Maesa, e faz coro à manutenção da rua original – e de tudo que ela representa para a preservação do contexto histórico da metalúrgica.

Nascido em 23 de janeiro de 1925, Humberto integrou a segunda geração de descendentes de imigrantes italianos nascidos no Brasil. Filho do músico Olympio Storchi e de Solange Vergamini Storchi, ele morava com a família no então Burgo (hoje bairro Jardelino Ramos), na colônia que pertencia aos avós.

Na foto acima, Storchi (à esquerda) e o amigo Ulisses Guerra, sob o busto de Júlio de Castilhos, na Praça Dante Alighieri, em meados da década de 1950. Abaixo, com os pais e irmãos em 1934.

A família Storchi em 1934: os pais Olympio Storchi e Solange Vergamini Storchi e os filhos Ligia, Homero (ao centro), Geni e Humberto (à direita, com nove anos). Foto: Sisto Muner, acervo família Storchi, divulgação

A seção de mecânica do Eberle em 1957, onde trabalhavam Agostinho Scopel, Umberto Bertassi e Humberto Storchi (ao fundo, o primeiro junto à divisória). Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Banco de Memória

Em duas entrevistas concedidas ao Banco de Memória do Arquivo Histórico Municipal, em 2003 e 2010, ele recordou um pouco dessa trajetória:

“Meu pai gostaria que eu fosse artista, então ele falou com o Michelangelo Zambelli para me ensinar escultura. Com 13 anos, eu saía lá do Burgo de tamanco, passava pelo logradouro público, atalhava por umas trilhas até chegar no Atelier Zambelli. Eu lixava os santos e ia comprar cigarro e fósforo para o Michelangelo. Eu ainda lembro das marcas: o cigarro era da marca Odalisca, tinha o desenho de uma mulher bonita; o fósforo se chamava Duelo. O Michelangelo usava sempre um terno branco de linho, e a dona Adelina, sua esposa, me chamava de “mouro” e me pedia sempre para colher as frutas do pomar que tinha atrás do atelier. Eu não gostava muito daquele trabalho, então fui trabalhar na Metalúrgica Gazola, trabalhei de 1938 a 1940. Lá eu cortei esse dedo, e meu pai me tirou do Gazola. Lembro que ele disse: chega de Gazola, agora vai ser difícil tu tocar um instrumento.”

A seção de mecânica da Maesa na década de 1950: Humberto Storchi (o segundo sentado à direita) junto a colegas como Umberto Bertassi, Sigilfredo Lazzarotto e Romeo Pieruccini. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

54 anos na metalúrgica

No dia 11 de novembro de 1940, seu Humberto ingressou na Metalúrgica Abramo Eberle, onde trabalhou por 54 anos. Começou ainda na antiga funilaria, quando o novo prédio da Sinimbu estava sendo construído:

“ Eu comecei no Eberle limpando os tanques de água, os motores das máquinas (…) Depois eu passei pra mecânica, comecei a trabalhar nas plainas, nas máquinas mais simples; eu já conhecia um pouco de mecânica, aprendi com o meu tio Gervásio lá no Gazola. No Eberle, eu tive vários mestres, o Pedro Buffon, o Vitório Braghini, o Oscar Sirena. Eu fui aprendendo, foi indo, me passaram pra chefe depois que a mecânica foi transferida pra Maesa (…) Eu passei metade da minha vida dentro do Eberle (…) Eu ensinei os meus filhos, que também trabalharam no Eberle. Um deles fez jubileu de prata quando eu fiz jubileu de ouro dentro do Eberle.”

Time de futebol do Eberle Centro nos anos 1960: da esquerda para a direita, agachados, Umberto Bertassi (o primeiro) e Humberto Storchi (ao centro, com a bola). Em pé, da esquerda para a direita, Mansueto Demore (o primeiro) e Agostinho Scopel (o quinto). Foto: acervo família Bertassi, divulgação

Flores roubadas

Foi no Eberle também que Humberto Storchi começou a namorar a jovem Nair Demore, primeira e única namorada.

“De noite, após o serão, no caminho de casa eu entrava no jardim do Gobetti, do Piccoli e roubava flores e levava pra Nair. Eu entrava na casa dela na ponta dos pés pra ninguém ver que eu estava chegando e dava uma braçada de rosas, de cravos. Casamos em 1947. Começou uma nova vida para nós, vieram os filhos, seguimos trabalhando, tentando fazer sempre o melhor”.

Os números desses 90 anos justificam a celebração prevista para o final de semana: 54 anos de trabalho no Eberle, 57 de casado, 12 filhos, 16 netos e quatro bisnetos.

Parabéns!

Em 2015: Humberto Storchi e os companheiros Mima, Mimo e Zulmira. Foto: acervo família Storchi, divulgação

Comentários (3)

  • Georgio Guerra diz: 23 de janeiro de 2015

    Justa homenagem ao Seu Storchi. Homem de referência, para uma sociedade tão carente de personalidades como ele!

    Parabéns e vida longa!

    Abraços,

    Georgio Guerra

  • Sarimam Storchi diz: 23 de janeiro de 2015

    Homenagem linda ao meu Nono! !
    Ele realmente é um exemplo de ser humano, principalmente pela sua simplicidade e honestidade. Ele fez e faz a diferença na vida de muitas pessoas!
    Parabéns nono!!

  • Francisco José Berton diz: 24 de janeiro de 2015

    fiquei emocionado ao ver a foto da equipe de funcionários da seção de mecânica da Maesa da década de 1950 onde aparece meu falecido pai Francisco Berton que está sentado na primeira fila. Ele é o quarto da esquerda para a direita.

    Saudações . Francisco J Berton

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