Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Tempo de vindima: a trajetória de João Slaviero

31 de janeiro de 2015 1

Slaviero exibe as amostras de uvas finas ao presidente Jânio, à primeira-dama Eloá Quadros e ao governador Leonel Brizola, durante a Festa da Uva de 1961. Foto: Studio Geremia, acervo pessoal de Floriano Molon, divulgação

Em tempo de vindima na Serra, retomamos parte da história de João Slaviero, um dos responsáveis pela modernização da vitivinicultura na região a partir da década de 1930.

Nascido em 1901 no Travessão Carvalho, distrito de Otávio Rocha, em Flores da Cunha, seu João era um dos 11 filhos dos imigrantes italianos Cristiano Slaviero e Emília Facci Slaviero.

Criado junto à lendária Granja São Mateus, o jovem perdeu o pai aos 11 anos, o que obrigou-o desde cedo a assumir o trabalho na agricultura. Atuando inicialmente como carreteiro – e devido ao convívio com vários donos de cantinas –, ele logo vislumbrou o potencial do setor vinícola.

Um casarão de alvenaria erguido em 1926 junto à granja deu a largada para a produção de vinhos. Visionário para a época, o empreendedor viabilizou ainda a vinda de dois enólogos europeus para produzir uvas com padrões técnicos competitivos: o francês Pierre Rafour e o grego Epaminondas Nicolas Mangos.

Era o início de um reconhecimento que extrapolaria os limites do Estado e contribuiria para a consolidação da empresa. O engarrafamento no Travessão Carvalho inicia-se em 1954, com os vinhos das marcas Slaviero, Fragança e Granja São Mateus. Já em 1958, o empresário adquire os bens das antigas cooperativas vinícolas Otávio Rocha – que ajudou a fundar, em 1929 – e Santo Antônio.

As benfeitorias incluíram a construção de um moderno imóvel no centro de Otávio Rocha, com o engarrafamento dos vinhos na parte inferior e uma nova moradia para a família na superior. Na sequência vieram um escritório para a contabilidade e uma destilaria para a produção de graspa.

Em 1961: João Slaviero (ao fundo, de terno branco) e o empresário Bertilo Wiltgen (presidente da Festa da Uva) recepcionam o presidente Jânio Quadros no estande da vinícola. Foto: Studio Geremia, acervo pessoal de Floriano Molon, divulgação

Jânio Quadros, a esposa Eloá e o governador Leonel Brizola conferem as uvas de mesa da Vinícola Slaviero em 1961. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Helena Robinson, rainha da Festa da Uva de 1961, admira as uvas da lendária Granja São Mateus. Foto: Studio Geremia, acervo pessoal de Floriano Molon, divulgação

Produção a mil

No início dos anos 1960, a produção dos Slaviero chegava a 1 milhão de litros. A empresa, segundo a Secretaria da Agricultura, ficou em 8º lugar em engarrafamento em 1961, superada pelas não menos emblemáticas Michielon, Dreher, Vinícola Rio-grandense, Antunes, Mosele, Garibaldi e Mônaco.

Os Slaviero produziam ainda vermute e um composto chamado Mistral. O entusiasmo pela bebida traduzia-se, inclusive, no slogan dos rótulos: “Beba vinho Slaviero e terás saúde o ano inteiro”.

Bebida sagrada

Em 1953, a vinícola da família Slaviero foi convidada a elaborar os vinhos que seriam consagrados no Congresso Eucarístico Internacional do Rio de Janeiro.

Registro da inauguração do capitel dedicado a São Mateus, em meio aos vinhedos da granja homônima, em 1946. Foto: Studio Geremia, acervo pessoal de Floriano Molon, divulgação

Visionário do enoturismo

Bastante avançado para a época, Slaviero construiu em 1956 uma pequena pousada de madeira junto à Granja São Mateus, no Travessão Carvalho. Era onde recepcionava os visitantes que buscavam conhecer a sua famosa produção de uvas de mesa.

Em 1958, o espaço foi transferido para o centro de Otávio Rocha. Lá, ônibus e excursões de turistas de São Paulo e Rio de Janeiro passaram a ser cada vez mais frequentes, contribuindo para que o espaço se configurasse como um dos precursores do atual enoturismo.

As pioneiras visitas de turistas à Vinícola Slaviero no final dos anos 1950. Foto: acervo pessoal de Floriano Molon, divulgação

Governador Ildo Meneghetti confere os vinhos Slaviero, sob as vistas de João Slaviero (ao fundo) no final dos anos 1950. Foto: acervo pessoal de Floriano Molon, divulgação

O fim

A cantina fechou as portas em 1972 e sua estrutura física passou a sediar a Festa Colonial da Uva (Fecouva). O fundador morreu em São Paulo um ano depois, em 1973.

Informações desta coluna são uma colaboração do leitor Floriano Molon.

Comentários (1)

  • aldayr heberle diz: 13 de agosto de 2015

    SOMOS AMIGOS DO SR FLORIANO MOLON, PARABENS, PELA PUBLICACAO NOSSO AMIGO INESQUECIVEL JOAO SLAVIERO

Envie seu Comentário