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Mansão Raabe: registro inédito do fim de um palacete

09 de fevereiro de 2015 3

Fevereiro de 1990: um flagrante da retirada das folhas de cobre da cúpula, há 25 anos. Foto: Gelson Aimi, divulgação

Na última terça-feira, dia 3, recordamos da demolição ilegal da mansão da família Raabe, há 25 anos, em pleno feriado de Carnaval. Foi a deixa para que muitos leitores lembrassem daquele fatídico final de semana, quando o casarão da esquina da Sinimbu com a Borges foi violentamente posto abaixo.

O leitor Gelson Aimi circulava pelas proximidades naqueles desertos dias de fevereiro de 1990. Saía da locadora San Remo, então localizada na Borges de Medeiros, entre a Sinimbu e a Júlio, quando presenciou homens trabalhando na esquina. Foi até em casa, pegou a máquina fotográfica e captou alguns dos poucos registros da demolição que se tem conhecimento.

– A cidade estava vazia naquele Carnaval, ruas desertas, e foi tudo muito rápido – recorda.

Além da emblemática imagem acima, com os trabalhadores retirando as folhas de cobre da cúpula, Aimi também adentrou a construção, mas foi imediatamente alertado a deixar o local, xingado inclusive. Conseguiu, porém, captar parte do processo e os escombros de um dos mais belos casarões de Caxias do Sul, datado do finalzinho dos anos 1930.

Detalhe irônico: na foto acima, à direita, parte do logotipo das lojas Arno, proprietária do imóvel e responsável pela demolição.

A esquina em 1985, com as ruas Sinimbu e Borges de Medeiros ainda sem o asfalto.Foto: Maria da Graça Soares, banco de dados/Pioneiro, 19-7-1985

Esquina emblemática

Se o casarão tivesse sido preservado, iria compor o mais belo conjunto histórico do centro da cidade, fazendo vizinhança com o emblemático Palacete Eberle, erguido à mesma época (foto abaixo). Fica a pergunta: que estabelecimento, hoje, não gostaria de ocupar um imóvel com décadas de história?

O Palacete Eberle, bem defronte, sendo construído, em 1938. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O Palacete Eberle hoje: tombado pelo Patrimônio Histórico e preservado. Foto: Ricardo Wolffenbüttel, banco de dados/Pioneiro

Ano de perdas

Há 25 anos, os caxienses também lamentaram outra perda. O Cine Central fechou as portas definitivamente no final de semana de 27 e 28 de janeiro de 1990. Tombado pelo Patrimônio Histórico – e após sediar bingo e loja de departamentos, o prédio segue à espera de ocupação.

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Comentários (3)

  • Navarro Heitor Zonta diz: 9 de fevereiro de 2015

    Estive em Caxias do Sul a 1° vez na Festa da Uva de 1986, fiquei impressionado na época com muita coisa principalmente com os palacetes, casarões, construções e afins que compunham um conjunto perfeito em se tratando de história e cultura. A partir dai continuei visitando a cidade de Caxias do Sul e arredores todo o ano, cheguei a ir nove vezes em um único ano só para visitar os lugares históricos. Nesta última viagem fiz um balanço do que tinha e do que sobrou, Salve! O palacete de Abramo Eberle na av. Sinimbu esta ainda intacto, parabéns! A MAESA tombada, então não corre o risco de desaparecer, o edifício da Metalúrgica Abramo Eberle na av. Sinimbu acredito que o pior já passou, tomara que o projeto agora ande, tem que ser restaurado e usado de forma cultural, me chamou atenção que as portas de bronze deste prédio estão tapadas com madeira(espécie de tapumes, teriam sido removidas as originais? ou seria para preservarem as portas?), más quantas construções desaparecerem ai no centro mesmo, um crime foi o que fizeram com a mansão Júlio Eberle na chácara dos Eberle agora totalmente escondida, para conseguir achar ela não foi fácil, me parece que não existe um conselho ativo da preservação do patrimônio histórico ou daquilo que poderia se tornar patrimônio, nem autoridades com interesse na preservação destes imóveis que são de uma importância gigantesca para Caxias, porque foram de pessoas que transformaram a Caxias desconhecida em uma Caxias transformada em cidade Polo. Parabéns ao organizador e divulgador desta página, só assim se movimenta este assunto tão importante.

  • Cristiane Marques diz: 9 de fevereiro de 2015

    Olha meu amigo Navarro, o que impera em Caxias infelizmente é o capitalismo absoluto, tudo pelo dinheiro, não importa o que tem por baixo das placas, a não ser quando os comerciantes são obrigados, como foi o caso de sumir com a poluição visual dos prédios antigos da cidade.

  • Vini diz: 9 de fevereiro de 2015

    Cristiane Marques, isso não é capitalismo querida! Nada tem a ver capitalismo com história! Se pode pegar um lugar desses e movimentar muito dinheiro com ele, sem precisar demolir! CAPITALISMO PODE SER INTELIGENTE. É FALTA DE CULTURA, PISOTEAMENTO DO QUE FOI NOSSA HISTÓRIA, FALTA DE INCENTIVO A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO! É “CASSIAS” E PONTO. Só pra constar!

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