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Memórias do Carnaval: os animados bailes no Clube Gaúcho em 1958

11 de fevereiro de 2015 0

Baile de Carnaval no Gaúcho em 1958. Foto: Studio Beux, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Um antigo clube de negros. Para muitos, essa é a primeira referência quando se fala na atual Sociedade Recreativa e Cultural Gaúcho. A entidade, porém, representou muito mais do que isso.

Fundado há 81 anos, em 23 de junho de 1934, o clube dedicou-se inicialmente ao futebol, mas foi responsável também pela promoção de bailes, festas, quermesses, cursos e diversos outros eventos. Tudo com o propósito de fortalecer os vínculos da população negra e combater a segregação e o visível racismo e discriminação da época.

Conforme o historiador Fabrício Romani Gomes, autor da dissertação e posterior livro Sob a Proteção da Princesa e de São Benedito: Identidade Étnica, Associativismo e Projetos num Clube Negro de Caxias do Sul (1934-1988), a criação do “Departamento Escola de Samba” teve origem no Carnaval de 1950. Foi quando uma “comissão de senhoritas percorreu a cidade a fim de angariar fundos para a formação de um cordão carnavalesco”.

Gaúcho: um reduto para o fortalecimento da identidade negra. Foto: Studio Beux, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A Protegidos da Princesa

Com a extinção do departamento esportivo, foram intensificadas outras promoções festivas, e a escola Protegidos da Princesa foi oficialmente vinculada à agremiação. Durante toda a década de 1960, inclusive, o bloco carnavalesco d’ Os Protegidos da Princesa desfilou pelas ruas da cidade, conquistando o campeonato por nove carnavais seguidos, de 1961 a 1969.

As imagens deste post destacam um pouco da animação do clube no baile de Carnaval de 18 de fevereiro de 1958, quando a folia foi registrada pelo lendário Studio Beux. O material integra o acervo do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

Baile em 1958: diversão garantida para todas as idades. Foto: Studio Beux, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Baile em 1958: diversão garantida para todas as idades. Foto: Studio Beux, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Afirmação

O Clube Gaúcho surgiu quase ao mesmo tempo que a primeira edição da Festa da Uva, em 1932, quando a celebração buscava rememorar e enaltecer “uma grande parte da população caxiense, mas não toda ela”.

Indiretamente (ou não), a entidade de negros apareceu numa época em que grupos “diferentes” da hegemonia “brasileiros descendentes de imigrantes italianos” também buscavam (re)construir a sua identidade.

Foto: Studio Beux, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foliões e uma rainha em 1958. Foto: Studio Beux, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A nomenclatura

Conforme antiga matéria veiculada pelo Pioneiro, o clube teria esse nome por “sua diretoria orgulhar-se de eles serem filhos do Rio Grande do Sul, orgulho do Brasil, algo que, durante a década de 1930, contrastava com o sentimento de italianidade em Caxias”.

Segundo o pesquisador Fabrício Romani Gomes, o local recebeu diversas denominações ao longo das décadas. Quando foi fundado, em 1934, chamava-se Sport Club Gaúcho. Posteriormente, houve uma pequena alteração na grafia: Esporte Clube Gaúcho. Por fim, em meados dos anos 1970, com a alteração do estatuto, a nomenclatura foi mudada, passando a chamar-se oficialmente Sociedade Recreativa e Cultural Gaúcho.

Localizada inicialmente na área central da Rua Pinheiro Machado, a sede transferiu-se, nos anos 1950, para o bairro Primeiro de Maio. Desde 1978, está abrigada e atuante na Rua São José, 2.195, próximo à Visconde de Pelotas, entre o Centro e o bairro Pio X.

Foto: Julio Calegari, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Clube das Margaridas: a coroação de Iracema Nair Vieira em meados dos anos 1930. Foto: Julio Calegari, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O Clube das Margaridas

O primeiro clube negro formado na cidade “italiana” teria sido o Clube das Margaridas. Segundo o autor João Spadari Adami, “em 12 de dezembro de 1933, Caxias do Sul vê surgir o Clube das Margaridas, feminino e composto de gente de cor”.

Conforme o professor Fabrício Gomes, apesar da presença masculina, a agremiação era demarcada e organizada basicamente por mulheres. Em um dos únicos registros do clube na década de 1930, por exemplo, Iracema Nair Vieira aparece sendo coroada rainha, rodeada por dezenas de mulheres e apenas… quatro homens.

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