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Acordeons Universal recepciona Pedro Raymundo em 1949

03 de março de 2015 2

Caxias do Sul em 1949: Pedro Raymundo (E) apreciando as gaitas da Universal, acompanhado por Iris Longhi, Justo Dal Pian, o sr. Idail, Almir Rojas, Onil Xavier dos Santos e o diretor comercial Guido D’ Arrigo (à direita). Foto: Studio Geremia, acervo pessoal de Roberto Grazziotin, divulgação

Caxias do Sul caracteriza-se pela diversificação industrial. Embora tenha vivido no passado o ciclo das grandes vinícolas, o município fomentou empreendimentos nos ramos farmacêutico, químico, de alimentos, moveleiro, joias, cerâmica, sapataria, vestuário, têxtil, fundição, mecânico e automotivo, entre outros.

Na década de 1940, por exemplo, havia duas empresas especializadas na produção de acordeons. A marca Tupy localizava-se na Rua Garibaldi e era administrada pela firma Tesser, Corsetti & Cia. Já a fábrica de gaitas-piano Universal situava-se na Feijó Junior, esquina com Vinte de Setembro, no bairro São Pelegrino – casarão que, antes da demolição, abrigou a boate Vinte Ver.

Janeiro de 1949: funcionários e diretores da Universal posam com o artista diante da fábrica, na esquina das ruas Feijó Júnior com a Vinte de Setembro, em São Pelegrino. Foto: Studio Geremia, acervo pessoal de Roberto Grazziotin, divulgação

Conforme reportagem do jornal Pioneiro de 20 de janeiro de 1949, a empresa Acordeons Universal recebeu a visita do cantor e acordeonista Pedro Raymundo. A recepção na fábrica foi acompanhada por repórteres do Pioneiro e da Rádio Caxias. Na imagem que abre o post, vemos Pedro Raymundo (E) apreciando os instrumentos, acompanhado por Iris Longhi, Justo Dal Pian, o sr. Idail (representante da casa Beethoven, de Porto Alegre), Almir Rojas, Onil Xavier dos Santos e o diretor comercial Guido D’ Arrigo (à direita).

O músico salientou a fama da marca e elogiou o acabamento e a técnica empregada na produção, uma impressão que deixou os diretores Iris Longhi e Justo Dal Pian satisfeitos. Após observar a fabricação dos acordeons, funcionários e diretores da Universal fizeram uma foto com o artista diante da fábrica (acima).

Na ocasião, a Universal patrocinou duas apresentações de Pedro Raymundo, com espetáculos no Cine Theatro Apolo e no Clube Guarany. Os fãs caxienses puderam admirar o cantor reconhecido como o Gaúcho Alegre do Rádio. Naquela época, o artista conquistou êxito nas emissoras de São Paulo e Rio de Janeiro, com uma poética que evocava os valores dos pagos, galpões, entreveros e riquezas do pampa gaúcho.

Pedro Raymundo canta na Rádio Caxias em meados dos anos 1950. Foto: Studio Geremia, acervo pessoal de Roberto Grazziotin, divulgação

A obra de Pedro Raymundo

Pedro Raymundo (29/7/1906-9/7/1973), embora tenha sua inspiração na cultura gaúcha, nasceu em Imaruí, litoral de Santa Catarina. Na mocidade, mudou-se para Porto Alegre, onde trabalhou no serviço de bondes e ingressou em programas de rádio. Sua discografia demonstra elogiável capacidade de composição.

Entre suas obras destacam-se Escadaria, Gaúcho Largado, Mágoas de Amor, Prece, Na Casa de Zé Bedeu, Sanfoninha Velha, Saudades de Laguna, Tico-Tico, Meu Coração Te Fala, Oriental e Adeus, Mariana. Também apareceu no cinema em três filmes: Uma Luz na Estrada (1948), Natureza Gaúcha (1958) e Nobreza Gaúcha (1958).

Confira abaixo alguns momentos da trajetória do artista.

O conjunto Jazz Cruzeiro tinha Pedro Raymundo no acordeom, no começo dos anos 1930. Foto: CEEE, Som do Sul, reprodução

O conjunto Jazz Cruzeiro tinha Pedro Raymundo no acordeom, no começo dos anos 1930. Foto: CEEE, Som do Sul, reprodução

Cantor Pedro Raymundo na década de 1950, quando era capa da Revista do Rádio com frequência. Foto: Henrique Mann, coleção CEEE Som do Sul, divulgação

Cantor Pedro Raymundo na década de 1950, quando era capa da Revista do Rádio com frequência. Foto: coleção CEEE Som do Sul, divulgação

Participe

Você possui fotos ou catálogos antigos da gaitas produzidas pela Universal? Envie informações para o es-mails rodrigo.lopes@pioneiro.com ou roni.rigon@pioneiro.com, com data, um breve histórico, nome do fotógrafo e fone de contato.

Informações desta coluna são uma colaboração do repórter fotográfico Roni Rigon.

Comentários (2)

  • Deize diz: 4 de março de 2015

    Tenho um acordeão UNIVERSAL, lindo que foi feito especialmente para mi sob encomenda do meu pai. Nesta época a fábrica se localizava no Bairro De Lazer. A fábrica já mostrava sinais de que ia fechar. Meu pai encomendou uma gaita de 120 baixos mas para uma mocinha então eles fizeram uma completa com todos os recursos, mas com materiais leves. Tanto que ela pesa menos 2kg e meio que uma outra gaita qualquer, mas. como disse, com os mesmo recursos, não deixando nada a desejar. É branca, com riscos prateados e fole azul clarinho. Está comigo até hoje e tenho ainda a nota fiscal. Já passou pelo meu filho que toca e agora minha neta de 8 anos já está de olho nela, enquanto aprende em outra menor. Obrigada, Grande abraço.

  • edson diz: 11 de julho de 2016

    bom dia !! gostaria de saber em que ano foi fabricado a ultima acordeon em caxias do sul pois eu tenho uma universal 120 gostaria de saber o ano dela tem um numero 41 L 538 não sei se isso quer disser alguma coisa . se alguém me poder me dar alguma informação ficarei muito grato !!

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