Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Galópolis ganha uma nova igreja em 1947

06 de março de 2015 0

Década de 1940: os trabalhadores nos andaimes defronte ao templo. Foto: Sisto Muner, acervo particular, divulgação

A retomada das missas na Igreja Matriz de Galópolis neste sábado, dia 7 – após cinco meses de reformas internas e celebrações no prédio do antigo cinema – serve para recordarmos um pouco da construção do templo, iniciada em 1938. Inaugurada quase 10 anos depois, em março de 1947, a imponente construção acabou por substituir a antiga igrejinha – localizada no terreno da Cooperativa de Consumo São Pedro e demolida em meados dos anos 1950.

Conforme entrevista concedida por João Laner Spinato no livro E Assim Eles Contavam…, o terreno foi doado pelo Lanifício São Pedro, administrado pelo empresário Ismael Chaves Barcellos. Antes ocupado por um campo de futebol, o espaço atendia aos vários requisitos avaliados pela comissão: fácil acesso, sem grandes escadarias, localização privilegiada no coração da vila, além de uma ampla praça capaz de abrigar a população.

Clique nas imagens para aumentá-las de tamanho.

O início da obra, com os alicerces e parte dos casarões da antiga vila operária ao fundo. Foto: Sisto Muner, acervo particular, divulgação

Mutirão de obras: o antigo gerente do lanifício e administrador das obras, João Laner Spinato, e o comerciante José Dal Prá, juntamente com pedreiros e voluntários moradores do bairro. Foto: Sisto Muner, acervo particular, divulgação

A igreja recém-construída, no final dos anos 1940. Foto: Sisto Muner, acervo particular, divulgação

Defronte ao novo templo: o casamento de Elmerina Felippi e Ezelindo Pedron, em 22 de janeiro de 1949. Foto: Sisto Muner, acervo particular, divulgação

A antiga igrejinha, demolida em meados dos anos 1950. Foto: Sisto Muner, acervo particular, divulgação

A igreja antiga em meados dos anos 1930, durante uma festa comunitária. Foto: Sisto Muner, acervo particular, divulgação

Riqueza de detalhes

Projeto dos engenheiros civis Sady de Castro e Luiz Lasegneur de Farias, o templo é valorizado principalmente pelos belíssimos vitrais, encomendados à lendária Casa Genta, de Porto Alegre. Entrou aí o trabalho artesanal do famoso desenhista porto-alegrense Curci e do alemão Max Dobmeyer, vindo da Europa especialmente para a execução.

Já a estátua da padroeira, Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, foi esculpida por outro alemão, Alfred Rademacher, contratado anos antes pelo governo do Estado para a confecção das obras de arte do Palácio Piratini, em Porto Alegre. São de Rademacher também as 14 estações da Via-Sacra.

Clique nas imagens para aumentar o tamanho.

Os belíssimos vitrais, executados pelo alemão Max Dobmeyer e produzidos na Casa Genta, em Porto Alegre. Foto: Roni Rigon

Quadros da Via-Sacra são obra do artista alemão Alfred Rademacher, assim como a imagem de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, na torre. Foto: Roni Rigon

Detalhe da fachada. Foto: Roni Rigon

A igreja em 2012, antes da reforma. Foto: Roni Rigon

Santa esculpida na torre

A imagem de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, também em fase de restauração, mede 5 metros e foi esculpida por Rademacher no próprio topo da torre. A história rendeu alguns “percalços” e foi recordada por João Laner Spinato, antigo gerente do lanifício e administrador das obras, em uma entrevista de 1972, quando o templo completava 25 anos:

“Era fácil encontrar quem fizesse uma estátua de cinco metros em suas oficinas. Mas eram enormes as dificuldades e riscos para içá-la 40 metros acima até o topo da torre. Quando localizei Rademacher no Palácio Piratini, desde logo ele negou-se terminantemente. Com muita paciência, consegui convencê-lo para um passeio a Galópolis com sua esposa, alemã como ele, mas que não sabia uma palavra em português. Enquanto Rademacher e eu fomos à igreja, deixei sua senhora em minha residência, aos cuidados de Luizinha, minha esposa, que a cumulou de gentilezas e quitutes da cozinha alemã. Após duas horas, quando voltamos, encontrei na senhora dele uma advogada nossa, que achou meios para convencer o marido a esculpir a estátua.”

Meia dúzia de cervejas

Em 1972, Laner recordou ter oferecido um caminhão para o transporte das ferramentas, mas Rademacher recusou. Suas ferramentas, disse ele, eram os 10 dedos de suas mãos. Como bom alemão, ele também era fã de cerveja.

“Tivemos que tomar algumas providências de segurança nos andaimes, pois Radamacher pesava 120 quilos e sua pressão arterial era elevadíssima: 30. Disse-me que não me preocupasse com injeções de óleo canforado ou coramina (…), qualquer tontura ele curaria com meia dúzia de cervejas, que tomava todos os dias, mesmo sem tonturas.”

Imagem de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, esculpida no alto da torre, também passa por restauração. Foto: Roni Rigon

As missas

A Igreja Matriz de Galópolis sedia duas missas neste final de semana: sábado (7), às 18h, e domingo (8), às 9h30min. Os trabalhos de reforma seguem na parte externa.

Desfile de noivas

Em 2013, durante a Semana de Galópolis, um desfile de noivas reuniu mulheres de diversas gerações que casaram na Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia. Leia mais clicando AQUI.

Até a última semana, missas foram realizadas no prédio do antigo cinema, quase em frente à igreja. Foto: Roni Rigon

Envie seu Comentário