Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Clovis Boff, o senhor dos galos em Flores da Cunha

07 de março de 2015 2
Se Clovis e parte da coleção de galos que decorava o antigo restaurante L'Osteria Del Gallo. Foto: Tuany Areze, divulgação

Seu Clovis e parte da coleção de galos que decorava o antigo restaurante L’Osteria Del Gallo. Foto: Tuany Areze, divulgação

O símbolo de Flores da Cunha não possui um museu específico, mas as dezenas de galos que compõem o acervo particular de seu Clovis Boff, 68 anos, poderiam muito bem compor um. Em época de Fenavindima e de culto à história dos antepassados, uma breve visita à casa do aposentado comprova que esses tradicionais ícones sempre podem surpreender.

São modelos em porcelana, madeira, tecido, concreto, metal, vidro, resina, plástico, louça, conchas e até tricô. O animal também está presente em galheteiros, caixas de fósforo, garrafas, pratos, xícaras, quadros, isqueiros, tapeçarias, relógios e um sem número de souvenires.

As funções são múltiplas. Um dos modelos, em ferro vazado, possui compartimento para velas. Outro, funciona como decanter. Um terceiro serve como peso de porta ou para papeis. Outro ainda, movido a pilha, solta um simpático cocoricó… Fora os que seu Clovis foi deixando para trás.

– Os de pena e palha não tenho mais, foram criando traças, atraindo bichos – argumenta.

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

No sótão

Apesar de dominarem o ambiente no dia da entrevista, eles não estão às vistas de quem adentra a casa. Contatado pela reportagem, seu Clovis pediu alguns dias para “organizá-los”. Cuidadosamente embaladas e guardadas no sótão do casarão de madeira, as peças foram “descendo” aos poucos – e tendo suas histórias reveladas na mesma proporção.

– Esse aqui eu ganhei da filha de um amigo, depois que os pais dela faleceram. Ele (o amigo) me disse: “o galo, só depois que eu morrer”. Esse outro eu comprei de um comerciante na beira da estrada. Tive um prato muito bonito, com um galo pintado, que a dona Noemy Castellan (esposa do empresário Lourenço Castellan) me trouxe de Paris. Mas sumiu – lamenta.

O antigo restaurante L'Osteria Del Gallo, que abrigou boa parte da coleção de galos, de 1993 a 2007. Foto: Tatiana Cavagnolli, divulgação

O antigo restaurante L’Osteria Del Gallo, que abrigou boa parte da coleção de galos, de 1993 a 2007. Foto: Tatiana Cavagnolli, divulgação

Mudança

Antes de migrarem para o sótão, os galos “habitavam” o porão da casa. Foi lá, entre paredes de pedra e pratos típicos da gastronomia italiana, que toda essa história começou. Após anos atuando no ramo da gastronomia, seu Clovis abriu o próprio restaurante.

A lendária L’Osteria Del Gallo, nome sugerido pela amiga Nóris Curra (in memoriam), surgiu em 1993, inicialmente como L’Osteria. O Del Gallo veio depois, quando um estabelecimento que também tinha a palavra galo no nome fechou e seu Clóvis sentiu-se mais seguro para incluí-lo.

Espalhadas pelo ambiente, as aves tornaram-se uma espécie de atração, motivando os clientes a também contribuírem com peças para a decoração. Resultado: exemplares vindos da França, Bélgica, Itália, Chile, Inglaterra e, logicamente, Portugal – terra do tradicional Galo de Barcellos.

O antigo restaurante L'Osteria Del Gallo, que abrigou boa parte da coleção de galos, de 1993 a 2007. Foto: Tatiana Cavagnolli, divulgação

O antigo restaurante L’Osteria Del Gallo, que abrigou boa parte da coleção de galos, de 1993 a 2007. Foto: Tatiana Cavagnolli, divulgação

A L’Osteria Del Gallo funcionou até por volta de 2007, quando foi reformada por seu Clovis e pelo filho mais velho, o chef Diego Boff, que passou a auxiliar nos negócios. Os galos foram mantidos no espaço até 2011, ano em que o restaurante fechou.

Posteriormente, a família alugou o porão para outro ecônomo – atualmente, o espaço é ocupado pela Trattoria Pastine. Os galos, no entanto, perderam a hegemonia no lugar: apenas detalhes nas arandelas e um ímã de geladeira são avistados pelo cliente mais detalhista.

A tradição de amigos presentearem seu Clovis com galos, porém, continua. Na última segunda-feira, o aposentado recebeu o mais recente exemplar da coleção: um modelo de mesa dourado em resina, ofertado pelo amigo Miro, dono de um bar próximo de casa. O número?

- Já perdi a conta… – diz ele.

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Tradição que perpassa gerações: seu Clovis e a neta Isabelle. Foto: Tuany Areze, divulgação

Tradição que perpassa gerações: seu Clovis e a neta Isabelle. Foto: Tuany Areze, divulgação

Em família

Dourados, craquelados, psicodélicos, minis, macros, de prateleira ou jardim, as dezenas de galos da coleção devem permanecer com a família. Tanto que até uma das cinco netas de seu Clovis, Isabelle Brogliatto Boff, cinco anos (foto acima), contribuiu com um exemplar. Coloriu o mais recente quadro “galináceo” do avô, companhia para exemplares bordados, pintados e tricotados.

Sobre o futuro da “trupe”, nada de doações:

– Os galos ficarão bem aqui, com a gente…

Foto: Tuany Areze, divulgação

Seu Clovis e uma das preciosidades da coleção: o galo decanter. Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Foto: Tuany Areze, divulgação

Mágica, calote e marketing

Um galo dos ventos saúda os visitantes no pórtico da cidade. Outro, gigante, recepciona os visitantes do Parque Eloy Kunz, onde a Fenavindima ocorre até este domingo. Porém, dezenas de “filhotes” escondem-se nas casas, estabelecimentos comerciais e repartições públicas de Flores da Cunha.

A história é bastante conhecida, mas não custa lembrar: a denominação “Terra do Galo” advém de um provável episódio ocorrido em 1935, quando a cidade deixou de se chamar Nova Trento e recebeu a visita de uma companhia de teatro. Um mágico da trupe teria prometido, durante o espetáculo, cortar a cabeça do animal e, por mágica, fazê-lo cantar novamente.

Casa lotada para conferir o espetáculo, o mágico teria pedido ao prefeito da cidade e ao delegado que segurassem o bicho. Após o corte e um breve ritual com gestos, teria se retirado do palco para pegar o líquido mágico e grudar novamente as duas partes da ave. Foi quando o público percebeu a fuga do charlatão com o dinheiro dos ingressos.

Por décadas, o episódio foi motivo de muita vergonha e deboche das cidades vizinhas. A partir dos anos 1960, porém, a história foi revisitada com graça, alegria e, lógico, uma boa dose de empreendedorismo. O empresário Eloy Kunz criou bebidas e uma pousada que usava denominações alusivas ao galo. A prefeitura também passou a explorar o episódio e incluiu a imagem do galo na logotipia oficial de Flores da Cunha.

Um marketing que atrai milhares de turistas à cidade até hoje.

Galo inaugurado em 1998, no Parque da Vindima Eloy Kunz, atinge os 7 metros (5 de escultura e 2 de base). Foto: Roni Rigon

Símbolo de Flores da Cunha: galo inaugurado em 1998, no Parque da Vindima Eloy Kunz, atinge 7 metros (5 de escultura e 2 de base). Foto: Roni Rigon

Comentários (2)

  • ITAMAR CAVALLI diz: 7 de março de 2015

    Parabéns Clóvis Boff, pela belíssima iniciativa de colecionar e valorizar essa bela ave, e simbolo de Flôres da Cunha. Saudades do seu Osteria Del Gallo. Abraços. Itamar Cavalli

  • Antônio Xavier diz: 7 de março de 2015

    Parabéns Amigo Clovis, para quem conheceu ele ou o restaurante perderam de conhecer alguém muito legal e o melhor restaurante da serra gaúcha
    Excelente matéria

Envie seu Comentário