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Fábrica de sinos de Giovanni Gnoatto, em Bento Gonçalves

14 de março de 2015 4

Um dos raros registros da “fonderia” (fundição) Gnoatto, em Bento Gonçalves. A partir da esquerda identificamos Guido Montipó, Carlo Gnoatto, Luiz Gnoatto, Tomas Gnoatto e Santo Gnoatto. Foto: acervo pessoal de Cláudio Gnoatto, divulgação

O que têm em comum as igrejas das comunidades de Faria Lemos, em Bento Gonçalves, e São Romédio, em Caxias do Sul, além das tradicionais festas de colônia que ocorrem neste domingo? A resposta poderia muito bem vir em forma de badalos. Os sinos de ambos os templos foram fabricados pelo imigrante italiano Giovanni Gnoatto nos primeiros anos do século passado, em Bento.

Durante uma ampla pesquisa realizada em 2012 para as reformas do campanário da Sociedade Igreja São Romédio, que neste final de semana celebra 139 anos de fundação, o morador Gilmar Pedron Lorenzi identificou no sino as inscrições Giovanni Di Gnoatto – Giovanni B. G. S. 1904.

– As letras B. G. S. podem significar Bento Gonçalves da Silva, nome completo do general farroupilha que nomeou a cidade ou as iniciais do segundo nome e dos sobrenomes de algum parente que trabalhou junto com Giovanni na época – cogitou Lorenzi.

Pela data, conclui-se que o sino de São Romédio foi instalado junto ao campanário 10 anos após a construção da segunda capela, ainda em madeira, em 1894. Detalhe: naqueles primórdios, a igreja não tinha um campanário propriamente dito, mas uma armação de madeira onde o sino ficava preso.

Leia mais sobre a festa dos 139 anos de São Romédio clicando AQUI.

Foto: Gilmar Pedron Lorenzi, divulgação

O sino de São Romédio, datado de 1904. Foto: Gilmar Pedron Lorenzi, divulgação

Foto: Luiz Antonio Tesser, divulgação

O sino de São Romédio. Foto: Gilmar Pedron Lorenzi, divulgação

O sino da igreja de Faria Lemos

Sobre o sino da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, em Faria Lemos, o pesquisador Gilmar Pedron Lorenzi tomou contato com Luiz Antônio Tesser, organizador do encontro da família Tesser neste domingo (15), no distrito.

“Sempre ouvia meu pai dizer que os sinos de Faria Lemos eram da Fonderia Gnoatto. Um dia, comprovei isso no próprio campanário”, revelou Tesser a Lorenzi em 2001.

As fotos registradas por Tesser na época (abaixo) não deixaram dúvidas: além das frases em latim rogando proteções divinas ao povo da localidade está gravado: Opera di Gnoatto Giovanni e figli – B. G. S. 1900.

Leia mais sobre o encontro da família Tesser clicando AQUI.

Foto: Luiz Antonio Tesser, divulgação

Os sinos da igreja de Faria Lemos. Foto: Luiz Antonio Tesser, divulgação

Foto: Luiz Antonio Tesser, divulgação

Detalhe da assinatura de Giovanni Gnoatto. Foto: Luiz Antonio Tesser, divulgação

Trajetória iniciada em 1888

O imigrante Giovanni Gnoatto, juntamente com a esposa e os filhos, chegou à região de Bento Gonçalves em 2 de fevereiro de 1888 – vindo da localidade de Bassano del Grapa, na província italiana de Vicenza. Na cidade serrana, a família teria instalado a fundição de sinos e uma fábrica de pólvora, fogos e foguetes de artifício.

Conforme informações apuradas pelo historiador Gilmar Pedron Lorenzi a partir de uma entrevista feita em 2012 com Cláudio Gnoatto, bisneto de Giovanni, o bisavô usava esterco de vaca misturado a areia e a outros produtos para fazer os moldes dos sinos onde seria derramado o bronze fundido.

Ainda segundo seu Claudio, teria sido o avô, Luiz Gnoatto, filho de Giovanni, quem teria fundado, em 1907, a fábrica de pólvora e fogos Gnoatto & Cia Ltda.

Túmulo nunca localizado

Giovanni Gnoatto faleceu na Itália, provavelmente em Bassano, para onde viajava constantemente em busca de matéria-prima para a fabricação de sinos e pólvora.

A família no Brasil jamais foi informada da morte, não se sabe exatamente por qual motivo.Segundo a apuração do pesquisador Gilmar Pedron Lorenzi, “talvez a correspondência não tenha chegado ou nunca tenha sido escrita. Supõe-se ainda que os familiares italianos tenham escondido o fato, para não ter que dividir alguma herança”.

Os descendentes até hoje não descobriram o local exato do túmulo. A hipótese mais provável é que Giovanni Gnoatto tenha sido sepultado no cemitério da localidade de Tezze sul Brenta.

Duas festas no final de semana

A história do sino de São Romédio veio à tona em 2012, quando a peça foi o lema dos festeiros: “O sino de São Romédio dobra pela união da comunidade.” Na festa do padroeiro daquele ano ocorreu a inauguração das reformas do campanário.

Neste final de semana, a comunidade celebra mais um aniversário: a comemoração dos 139 anos inclui procissão ao redor da igreja neste sábado, às 18h30min, e missa seguida de almoço festivo, no domingo pela manhã.

Já em Bento Gonçalves, o primeiro encontro da família Tesser mescla-se à sexta edição da Sagra Trevisana de Faria Lemos, evento que busca resgatar as tradições dos primeiros imigrantes.

Comentários (4)

  • Terezinha diz: 14 de março de 2015

    Gostei de ter recebido esse artigo, pesquisa…Nossa fiquei emocionada..
    Sempre quis e quero saber, minhas origens…A onde esse Gnoattos começaram…
    gente gurreira, como tantas outras…
    Gostei de saber da fábrica de sinos…deve ter outros por ai badalando.
    Tenho paixão por Farias Lemos…
    Obrigada pela atenção
    Terezinha Gnoatto

  • levino gnovatto diz: 6 de dezembro de 2015

    e com muita satisfação descobrir meus antepasado.meus bisavo.muito obrigado quem estudou e divulgou a histora

  • Gerusa Gnoatto diz: 6 de dezembro de 2015

    Muito bom conhecer um pouco da história da nossa família… conhecer as raízes… Meu avô veio do Rio Grande do Sul pra Santa Catarina e por aqui ficou…

  • Giovana Ulmi diz: 12 de janeiro de 2016

    Adorei a matéria, pois sempre tive desejo de ver as obras de meu bizavó, estou realizada.

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