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Elis Regina no Cinema Real em 1974

17 de março de 2015 2
O Cine Real em dezembro de 1982, pouco antes de encerrar as atividades. Foto: Luiz Carlos Leite, banco de dados/20-12-1982

O Cine Real em dezembro de 1982, pouco antes de encerrar as atividades. Foto: Luiz Carlos Leite, banco de dados/20-12-1982

No dia em que Elis Regina (17/03/1945-19/01/1982) completaria 70 anos, recordamos da breve passagem da cantora por Caxias do Sul. Foi em 21 de agosto de 1974, quando a gaúcha apresentou no palco do Cine Teatro Real, em São Pelegrino, o show Elis no Teatro.

Era o ano do lançamento do antológico Elis & Tom, LP que chegou às lojas de todo o Brasil naquele mês. Mas o repertório destacava, além do megasucesso Águas de Março - gravado ainda em 1972 -, clássicos de discos anteriores, como Atrás da Porta (Chico Buarque), Madalena (Ivan Lins), Casa no Campo (Zé Rodrix) e Nada Será como Antes (Milton Nascimento).

Elis & Tom: disco foi lançado em agosto de 1974, mês em que a cantora passou por Caxias. Foto: reprodução

Elis & Tom: disco foi lançado em agosto de 1974, mês em que a cantora passou por Caxias. Foto: reprodução

O leitor Tarcísio Sirena, de Galópolis, tinha 22 anos em 1974 e compareceu ao show naquele inverno de 41 anos atrás.

- Foi uma noite muito fria, frustrante por ter só meia plateia tomada, mas com um timaço no palco. Além dela, tinha César Camargo Mariano (piano), Chico Batera e Luizão Maia (baixo). O que gravei na memória foi aquela pequena majestade cantando e tomando conta de todos, dos músicos, e da gritaria e aplausos a cada final de música – relembrou Sirena, à época estudante de Engenharia Mecânica Operacional na UCS.

A passagem de Elis por Caxias integrou a turnê gaúcha de agosto de 1974, que também circulou por Porto Alegre e outras cidades do Estado.

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Elis concedendo uma entrevista ao jornal Zero Hora em 20 de agosto de 1974, véspera da apresentação na Serra. Foto: banco de dados, Agência RBS

Elis durante a entrevista concedida ao jornal Zero Hora em 20 de agosto de 1974, véspera da apresentação na Serra. Foto: banco de dados, Agência RBS

Elis e o marido, o pianista e arranjador César Camargo Mariano, durante um ensaio em Porto Alegre, em 1974. Foto: Alfredo Mathias, banco de dados, Agência RBS, 17/12/1974

Na coluna social

Nota na coluna social de Paulo Gargioni no jornal Correio Riograndense de 21 de agosto de 1974 destacava o show:

“Digna de aplausos a iniciativa do empresário Peroni e do Canal 8, através do diretor-executivo Júlio César Pacheco. Eles trazem hoje a Caxias do Sul uma das melhores, senão a melhor cantora brasileira do momento, que apresentará show exclusivo no palco do Cine Real, às 20h15min. Ingressos estão à disposição dos interessados junto ao Serviço Municipal de Turismo, Lojas Colombo, TV Caxias e na própria bilheteria. O show chama-se Elis no Teatro e dura aproximadamente 120 minutos. Nele, a gaúcha canta ‘Conversando no Bar’, de Milton Nascimento, entre outros sucessos. A crítica especializada de Porto Alegre teceu rasgados elogios ao “Elis no Teatro”, que deve ser prestigiado hoje à noite por todos os caxienses, indistintamente. Teatro e música são cultura!”

Passagem de Elis por Caxias na coluna de Paulo Gargioni no Correio Riograndense em 1974. Foto: reprodução/Pioneiro

O cinema do bairro São Pelegrino

O Cine Real foi inaugurado oficialmente em 23 de fevereiro de 1950, pegando carona no badalado período da Festa da Uva que comemorava os 75 anos da imigração italiana na região.

Conforme detalhado no livro Cinema: Lembranças…, das professoras Kenia Pozenato e Loraine Slomp Giron, a casa abriu as portas apresentando a soprano Bianca Baigorri, que garantiu uma semana de plateia lotada. Além de filmes e montagens teatrais – como O Avarento, de Molière, estrelada por Procópio Ferreira -, o palco do Real abrigou shows diversos, operetas e espetáculos de teatro de revista. Passaram por lá vedetes que marcaram época nos anos 1950 e 1960, como Virginia Lane e Renata Fronzi, além de ídolos da era do rádio como Cauby Peixoto e Gregório Barrios.

Em declínio a partir do final dos anos 1970, o Real anunciou o fechamento em dezembro de 1982. Já a derradeira exibição, com o suspense Pânico no Atlantic Express, deu-se em 2 de janeiro de 1983. Para a geração posterior, porém, o espaço ficou diretamente associado a outro estabelecimento: as antigas Lojas Brasileiras…

Leia mais sobre o Cine Real clicando AQUI.

Anos 1950: a plateia e o mezanino do novíssimo cinema, captados a partir do palco. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Estrutura

O Cine Teatro Real comportava 1,5 mil lugares, entre plateia e mezanino, e suas cadeiras eram estofadas em amarelo escuro. O abrir das cortinas grenás, com o nome Cine Real bordado em dourado, era embalado pela Marcha Triunfal, da ópera Aída, de Giuseppe Verdi.

Quanta diferença em relação aos cinemas de hoje, não?

Comentários (2)

  • Regina Cascão diz: 18 de março de 2015

    Sou carioca, nasci e vivo no Rio de Janeiro. Amo o Rio Grande do Sul, que constantemente visito, em especial Caixas do Sul, onde tenho bons amigos e onde nasceu uma moça que eu e minha família, de tanto amor, adotamos como um de nós.E acima de tudo, AMO Elis, que é minha mais dolorosa saudade. Escrevo para corrigir a data informada de nascimento dela: ela deixou órfão um Brasil inteiro às 11h 45min, na cidade de São Paulo, por intoxicação exógena aguda, no dia 19 DE JANEIRO de 1982, tendo sido sepultada no dia seguinte, às – 13h, no Cemitério do Morumbi, setor 5, quadra 7, túmulo 2199.

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