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Anos 1950: flertes dominicais nos arredores da Praça Dante

18 de março de 2015 1

Av. Júlio em agosto de 1952: o jovem Nelson Sbabo, atual diretor de Política Urbana e Infraestrutura da CIC (ao centro), e colegas da turma de ginásio, defronte a então Praça Ruy Barbosa. Foto: acervo pessoal de Nelson Sbabo, divulgação

Para muitas jovens das décadas de 1950 e 1960, a melhor parte da obrigatória missa das 10h na Catedral Diocesana era quando ela… acabava. Não porque estivesse enfadonha, mas porque a bênção final significava o início da paquera na Praça Dante Alighieri, quando as famílias dispersavam.

O footing (passeio a pé) pelos arredores da praça consolidou-se em programa obrigatório para milhares de caxienses naqueles tempos – tanto que foi recordado no livro Anedotário da Praça Dante, seleção de relatos curiosos organizada pela jornalista Suelen Spido Mapelli.

O jornalista Maico Vogel, autor do texto Quem se Lembra do Footing?, detalhou o pré-ritual:

“A maioria saía de casa a pé até a Catedral. Não eram raros os momentos em que os pais sempre reclamavam que as filhas demoravam muito para se arrumar. Afinal, todos estavam indo à missa, não a um casamento. Mas para elas, a ocasião merecia um cuidado especial”.

Clique nas imagens para ampliar.

Trecho da Júlio defronte à Praça Dante era cenário de flertes e namoros à distância nos anos 1940, 1950 e 1960. Foto: Reno Mancuso, acervo pessoal Renan Carlos Mancuso, divulgação

Relax na praça: os amigos Carlos de Oliveira Dias e José Tessari em 1953, quando os bancos de concreto ainda dominavam o entorno da Dante. Foto: acervo pessoal de Aires Lopes de Oliveira, divulgação

Relax na praça: os amigos Carlos de Oliveira Dias e José Tessari em 1953, quando os bancos de concreto ainda dominavam o entorno da Dante. Foto: acervo pessoal de Aires Lopes de Oliveira, divulgação

Linguagem dos olhos

No livro Cinema: Lembranças…, as professoras Kenia Pozenato e Loraine Slomp Giron também definiram esse hábito, que perduraria até meados dos anos 1960 – quando os cinemas de rua e o burburinho urbano começaram a sofrer com a concorrência da televisão.

“Era chamado de footing o passeio das jovens casadoiras, de um lado a outro, enquanto os rapazes ficavam parados, flertando ou dando uma linha, como eram definidos os olhares trocados entre moços e moças – revelando ou não o interesse. Essa espécie de desfile era uma forma de namoro à distância, na qual era usada a linguagem dos olhos”.

Os passeios no trecho da Júlio entre a a Dr. Montaury e a Marquês do Herval, defronte à Praça, também repetiam um modismo verificado na tradicional Rua da Praia, em Porto Alegre – com lambe-lambes e fotógrafos de plantão oferecendo um registro dos jovens e suas famílias e do movimento no Centro.

Footing dominical: Gervis Damian e um amigo durante um passeio pela Av. Júlio de Castilhos, defronte à Praça Dante. Foto: acervo de família, divulgação

O passeio do comunicador Nestor Gollo, então um dos principais locutores da Rádio Caxias, pela Júlio nos anos 1950. Foto: acervo pessoal de Beatriz Soldatelli Gollo, divulgação

O passeio do comunicador Nestor Gollo, então um dos principais locutores da Rádio Caxias, pela Júlio nos anos 1950. Foto: acervo pessoal de Beatriz Soldatelli Gollo, divulgação

Futebol e cinema

Conforme detalhado pelas historiadoras Loraine Slomp Giron e Kenia Pozenato, após a missa de domingo na Catedral e o footing, os moços e moças podiam dirigir-se ao campo do Sport Club Juventude para assistir a uma partida de futebol ou conferir as matinés dos cinemas Guarany, Ópera e Central.

Programas que, indiretamente ou não, contribuíram para selar alguns romances que perduram até hoje.

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Que recordações você tem da Praça Dante nos anos 1950 e 1960? Deixe seu relato.

Comentários (1)

  • Maria Helena Muratore diz: 18 de março de 2015

    Tenho ótimas e inesquecíveis recordações desta querida ,linda e agradável Praça Dante. Muito legal esta ” matéria ” Rodrigo . Parabéns

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