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Escola de Belas Artes em 1950

20 de março de 2015 1

A Escola Municipal de Belas Artes em 1952: aula de pintura com a presença de um “modelo vivo” (a moça sentada à direita, ao fundo). Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Um local que pudesse oportunizar o estudo e a divulgação da música e das artes na Caxias do pós-guerra. Basicamente foi essa a ideia de um grupo de profissionais que, no finalzinho da década de 1940, obteve o apoio da prefeitura para implantar o espaço que marcaria a trajetória artístico-cultural da cidade.

Inaugurada em 31 de março de 1950 na Rua Dr. Montaury (onde hoje localiza-se a Casa da Cultura), a Escola Municipal de Belas Artes estabeleceu-se como uma espécie de atelier de cursos livres, inicialmente sob a direção de Décio Vieira.

O corpo docente era formado por nomes que atuavam nas áreas da pintura, música, e escultura: Adelaide Mendes e Juliana Lamb como professoras de piano; Max Hendrinschky, de violino; Valdomiro Torres do Vale ensinando acordeom; e Branca Moreira da Luz e Elyr Ramos Rodrigues respondendo pelas artes plásticas.

Em 1952, Dona Elyr assumiu a direção da escola e, pelos 23 anos seguintes, foi a responsável pela consolidação e as várias alterações sofridas pela entidade. Entre elas, a formação efetiva dos alunos como profissionais aptos a atuar no ensino profissional, com diploma reconhecido.

Todo esse trabalho rendeu um de seus maiores frutos em 1959, quando o currículo do Instituto de Belas Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul inspirou a nova cartilha disciplinar da entidade caxiense. Nesse mesmo ano, os cursos de música e artes plásticas foram reconhecidos, e a então instituição municipal foi elevada à condição de Escola Superior de Belas Artes – integrada à UCS a partir de 1967.

O grupo de professores em 1968. Em pé, a partir da esquerda, vemos Lino Casagrande, Nestor Gollo, Eliana Braunstein, Anita Bergmann Campagnollo, Suely Bergmann, Edyr Ramos, Eunice Zanoni, Dioneia De Carli, Guimarães F. da Silva e Rodriguez Fernandez. Sentadas estão, entre outras, Marli Caberlon Zattera, Ligia Calegari, a diretora Elyr Ramos Rodrigues (ao centro), Véra Stedile Zattera e Nelly Zatti Yuken. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Trajetória

Além das aulas, dona Elyr Ramos Rodrigues atuava junto à Festa da Uva, como integrante da Comissão Artística e de Ornamentos – então responsável pela confecção dos carros alegóricos.

Até 1968, por exemplo, ela foi encarregada da criação e confecção dos carros que representavam a escola. Já a partir de 1975, passou a dirigir a Biblioteca Central da UCS, cargo que ocupou até se aposentar. Ela faleceu em 4 de dezembro de 2002, aos 83 anos.

Parte das informações desta coluna integra o livro Nossas Mulheres… que ajudaram a construir Caxias do Sul, das professoras Leonor Aguzzoli e Maria Abel Machado (in memoriam).

Anos 1950: a professora de piano Suely Bergmann acompanhando o aprendizado de um aluno. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Anos 1950: a professora de piano Suely Bergmann acompanhando o aprendizado de um aluno. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Badalação extra em 1959

Um dos eventos mais badalados da escola foi o 1º Salão Popular de Belas Artes de Caxias, cujo vernissage deu-se em 25 de abril de 1959. Os melhores trabalhos em pintura, escultura, arte decorativa, desenho, gravura, arquitetura e joalheria foram premiados com medalhas de ouro, prata e bronze, além de menções honrosas.

Entre os vencedores, o desenhista da Metalúrgica Abramo Eberle e artista plástico Orevil Bellini, que recebeu do pintor Aldo Locatelli a medalha de ouro em escultura. A peça, inclusive, integra o acervo particular do artista até hoje.

Leia mais sobre a trajetória de Orevil Bellini clicando AQUI.

Em 1959: Orevil Bellini recebe de Aldo Locatelli a medalha de ouro em escultura no 1º Salão Popular de Belas Artes de Caxias. Foto: Studio Geremia, acervo pessoal de Orevil Bellini, divulgação

Outros laureados do Salão foram Nadyr Dalle Molle (medalha de bronze em escultura clássica), Henry Soldatelli (bronze em pintura à óleo), Oscar Hugo Lorenz (ouro pela maquete da AABB), Rômulo Rossi (ouro por gravação em metal) e Jean Leblanc (ouro por ostensório e trabalhos em metal).

Já a comissão organizadora do salão foi formada, entre outros, por Aldo Martinatto, Demétrio Niederauer, Darwin Gazzana, José Ariodante Mattana, Júlio César Andreazza, Nilton Scotti e Renan Falcão de Azevedo.

Repercussão na imprensa

Em abril e maio de 1959, o 1° Salão Popular de Belas Artes ganhou destaque no jornal Pioneiro e no antigo Boletim Eberle, conforme mostram as reproduções abaixo.

O vernissage também foi prestigiado pelo primeiro colunista social do Pioneiro, Christiano Carpes Antunes.

Clique nas imagens para ampliar e ler o texto original da época.

Pioneiro de 2 de maio de 1959 destacou o Salão, cujo vernissage teve a presença da diretora da Escola, Elyr Ramos Rodrigues, do prefeito Rubem Bento Alves e do empresário Bernardino Conte. Foto: reprodução/Pioneiro

Pioneiro de 2 de maio de 1959 destacou o Salão, cujo vernissage teve a presença da diretora da Escola, Elyr Ramos Rodrigues, do prefeito Bernardino Conte (ao centro) e do homenageado especial, Rubem Bento Alves (E). Foto: reprodução/Pioneiro

Repercussão da mostra no Boletim Eberle. Foto: reprodução

Repercussão da mostra no Boletim Eberle. Foto: reprodução

Continuação do texto sobre a repercussão da mostra no Boletim Eberle. Foto: reprodução

Comentários (1)

  • Marilena Turra diz: 18 de agosto de 2015

    Sobre a Escola de Belas Artes: Meu avô, Waldemiro Torres do Valle, foi um dos fundadores e professor por muitos anos. Se houver interesse, estamos à disposição.
    Inclusive, parabenizo o jornalista pela iniciativa e sugiro mais pesquisas. Pois foram muitos os que contribuiram para a história desta cidade.

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