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Páscoa em Galópolis: os 50 anos da Operação Cruz

03 de abril de 2015 2

Em 1965: os pioneiros que deram origem à Operação Cruz. Foto: acervo Operação Cruz, divulgação

As comemorações de Páscoa em Galópolis ganham um sabor especial neste 2015. É quando se completam exatos 50 anos da Operação Cruz, uma tradição que mescla religiosidade, fé e espírito comunitário.

Tudo começou no ano de 1965, quando um grupo de jovens decidiu acampar na chácara do morador Antonio Comerlatto, o tio “Mémi”, nas cercanias do Morro da Cruz – que se avista ao chegar a Galópolis e onde uma cruz feita de vigas de metal permanece instalada até hoje (foto abaixo).

Conforme o empresário Sidnei Canuto, membro do grupo desde 1986, Comerlatto costumava receber a todos com muita alegria, contando histórias do passado e empolgando-se quando o assunto era a Semana Santa. Há 50 anos, “Mémi” sugeriu que se instalasse uma pequena cruz na beira do penhasco, para relembrar uma tradição dos antepassados vindos da Itália.

Na Sexta-Feira Santa de 1965, em uma carroça puxada por um burrico, o grupo subiu o morro e montou a primeira cruz. Nascia ali a Operação Cruz, que com o passar do tempo viu seu séquito aumentar e ganhar o reconhecimento da comunidade de Galópolis.

Na foto acima, parte dos pioneiros de 1965 e seus familiares. Na fila de trás vemos Romeu Felippi (no cavalo, à esquerda), Moacir Sartor (escorado no animal), Pedro Sussa Vial (com a gaita), Berto Adamatti (no cavalo, ao centro), Maria Basso Comerlatto e Égide Vial Basso (as duas à direita). As moças ao centro não foram identificadas.

À frente, a partir da esquerda, Antonio Comerlatto (o Mémi), José Nicoletti (com o pistom), Zecão Fontana (de chapéu), Mario Basso (atual coordenador e integrante do grupo há 50 anos), Juvenal Comerlatto, Edite Comerlatto e Rosa Maria Diligenti.

A cruz de metal, doada pela prefeitura de Caxias nos anos 1970. Foto: acervo Operação Cruz, divulgação

As origens

Conforme Sidnei Canuto, nos anos 1940 e 1950 costumavam ser instaladas cruzes em três morros distintos de Galópolis. Eram elas a Cruz dos Bomba (da família Comerlatto, que erguia uma no morro em frente ao Hotel Basso); a Cruz dos Cóqui (de outra família Comerlatto, no morro hoje conhecido por Morro dos Cóqui); e a Cruz dos Mémi (da família do próprio Antonio, no popular Morro da Cruz).

Feitas de troncos de árvores, as estruturas eram iluminadas com uma mistura de cera de abelha, gordura animal e óleo queimado, colocada em pequenas latas onde era ateado fogo. As cruzes serviam para anunciar a paixão, morte e ressurreição de Cristo, e sua montagem era acompanhada de orações, profundo respeito e muito silêncio.

Os “milagres”

Segundo a crença popular, “milagres” também foram atribuídos à cruz. Em uma antiga procissão do Senhor Morto, ao redor da Igreja Matriz de Galópolis, o tempo fechado e a neblina impediam que se avistasse o morro e a cruz.

Conforme relatos de moradores, o padre iniciou a procissão assim mesmo, debaixo de uma garoa gelada. Porém, em menos de dois minutos, um vento forte varreu para longe a neblina, limpando totalmente o céu e permitindo a visão do morro pelos fiéis.

O morador Valmor Boff (à direita, de camisa branca) e amigos durante a montagem da cruz iluminada em 1976. Foto: acervo Operação Cruz, divulgação

O morador Valmor Boff (à direita, de camisa branca) e amigos durante a montagem da cruz iluminada em 1976. Foto: acervo Operação Cruz, divulgação

As mudanças

No início dos anos 2000, a tradição chegou a ficar ameaçada. Com a falência do Lanifício Sehbe, a área do tradicional Morro da Cruz foi a leilão, e os novos proprietários não permitiram que o acampamento da Operação Cruz continuasse no local, após 36 anos ininterruptos.

De 2003 a 2006, a peregrinação foi realizada no Morro Mirambel, junto à chácara dos Barregas. Já em 2007, transferiu-se para os altos do chapadão da família Furlan, em São Paulo da 4ª Légua, distante 10 quilômetros da área central de Galópolis, onde ocorre até hoje.

Incentivo religioso

Um grande incentivador da Operação Cruz foi o padre Adelino Schneider, que, do púlpito da Igreja Matriz, sempre discorria sobre a proteção divina da cruz e o que ela representava para a região. Outro entusiasta foi o padre Félix Bridi, que costumava prestigiar o acampamento todos os anos.

O sacerdote Joni Bonato também celebrou missas aos pés da cruz. O padre Libardi, de Farroupilha, e diversos outros padres que passaram por Galópolis, como Leonel Pergher, Luis Conci e Ramiro Mincato, também estiveram no Morro da Cruz em edições passadas.

Comentários (2)

  • Rosa Maria Diligenti diz: 3 de abril de 2015

    Linda reportagem!

  • Renata Diligenti diz: 4 de abril de 2015

    Adorei ver a história de Galópolis!

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