Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Centenário de Aldo Locatelli: retratos dos anos 1950

07 de abril de 2015 4

Fernando Rodrigues e o quadro da mãe, a professora Elyr Ramos Rodrigues, eternizada por Aldo Locatelli em 1952. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro, 2-11-1999

Nascido em Bergamo, norte da Itália, em 18 de agosto de 1915, Aldo Locatelli terá sua obra bastante badalada em 2015. Além de centenária, a trajetória do pintor italiano, falecido em 1962, aos 47 anos, também integra o calendário de comemorações alusivas aos 140 anos da imigração italiana na região.

Fugindo um pouco das notórias pinturas da Igreja São Pelegrino, recordamos hoje de um hábito do artista enquanto não trabalhava nos afrescos do templo: as visitas a recém-inaugurada Escola de Belas Artes de Caxias do Sul, a partir de 1950.

Foi lá que, em 1952, Locatelli pintou o retrato da então diretora do espaço, Elyr Ramos Rodrigues (irmã do médico Virvi Ramos).

Clique nas imagens para ampliar.

A Dama da Rosa Vermelha: Elyr Ramos Rodrigues foi retratada por Locatelli em 1952, na Escola de Belas Artes. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro, 2-11-1999

Anos 1940: auto-retrato de Aldo Locatelli. Foto: reprodução

A pintura

Toda essa história foi recontada em 1999, quando este colunista visitou a residência de dona Elyr (in memoriam), então com 81 anos. O quadro, intitulado A Dama da Rosa Vermelha, nasceu da amizade entre o pintor e a professora de 33 anos.

À época, a aposentada forneceu algumas pistas de sua confecção:

“Como eu era professora de pintura e convivia com vários artistas plásticos, costumava muito ir vê-lo trabalhando na igreja. Para minha surpresa, ele disse que gostaria de pintar-me também. Falou que me achava diferente, boca e olhos rasgados, um cabelo comprido, fora dos padrões”.

De início, dona Elyr relutou um pouco, mas depois aceitou a proposta.

“Era impossível dizer não, ele acabou me convencendo”, relatou, há 16 anos.

Abaixo, um registro da época em que a tela foi confeccionada, no início da década de 1950. Na imagem, captada durante um vernissage na antiga Escola de Belas Artes, vemos a retratada, Elyr Ramos Rodrigues, o prefeito Luciano Corsetti e o escultor Estácio Zambelli.

Leia mais sobre a história da antiga Escola de Belas Artes de Caxias clicando AQUI.

Em 1951: Elyr Ramos Rodrigues, o prefeito Luciano Corsetti e o escultor Estácio Zambelli durante um vernissage na antiga Escola de Belas Artes. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Aldo Locatelli pintando São José, na Igreja São Pelegrino, no ano de 1951. Foto: Studio Geremia, acervo Centro de Memória de São Pelegrino, divulgação

O figurino

Dona Elyr posou para Aldo Locatelli por três dias no atelier da Escola Municipal de Belas Artes. Durante o ensaio, a “modelo” trajou um vestido de cetim lilás, uma mantilha espanhola que lhe cobria os ombros e estendia-se até as costas, um leque de penas em uma das mãos e uma rosa vermelha na outra. Daí o nome da obra.

Durante 50 anos, de 1952 a 2002, a tela dominou a parede principal da sala do apartamento de dona Elyr, na área central de Caxias. A musa inspiradora de Locatelli faleceu em 2002, aos 83 anos.

O quadro, de 1,40m por 60cm, permanece com a família.

A família Ramos em 1941: Virvi Ramos (de óculos) e os irmãos Sergio e Edyr (sentados) e Rubens e Elyr Ramos Rodrigues (em pé). Foto: acervo pessoal de Marion Martinato, divulgação

Quadro permaneceu com a professora Elyr Ramos Rodrigues durante 50 anos, de 1952 até sua morte, em 2002. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro, 2-11-1999

Memórias

Aldo Locatelli raramente pintava retratos sob encomenda em Caxias. Essa era uma prática mais recorrente em Porto Alegre, onde mantinha residência e atelier. O quadro de dona Elyr é um dos poucos que se tem registro. Outras retratadas por Locatelli foram as senhoras Diva Martinato e Valdira Danckwardt.

Você conhece outras mulheres de Caxias que foram retratadas pelo pintor nos anos 1950? Entre em contato com a coluna.

Comentários (4)

  • Arnoldo Walter Doberstein diz: 7 de abril de 2015

    Parabéns ao Rodrigo. Excelente matéria, onde o texto e as ilustrações se combinam admiravelmente. A memória artística e cultural do Rio Grande do Sul agradece.

  • Renée Danckwardt Ferrari diz: 8 de abril de 2015

    Olá
    Minha amiga Leonor Aguzzoli enviou-me a reportagem que achei muito interessante.
    Minha mãe, Valdira Danckwardt, foi professora da Escola de Belas Artes e foi também retratada pelo Locatelli. Tem o
    retrato em sua casa. Conheceu muito bem o artista, acompanhando-o enquanto pintava. Um dos anjos da Igreja foi baseado no seu rosto .Estamos a sua disposição para trocar informações

  • Cléris Regina diz: 9 de maio de 2015

    Entre 1952 e 1959, eu fui pintada por um pintor, fui levada por minha avó que também foi pintada, Eu menininha linda com cabelinho aredondado curto de franjinha sentada em uma caixa sem blusinha e com um pano no colo. e minha avó gorducha semi nua. esta lembrança está gravada em minha memória. Tenho hoje 65 anos. Foi no intituto de Belas Artes em Porto Alegre. Minha avó se chamava Azelina Ribeiro da Rosa, E eu Cleris Regina Souza da Rosa.
    A pergunta que não me sai da cabeça, será que estes quadros existem ainda no acervo?

  • Paulo Gomes diz: 16 de agosto de 2015

    Ótima matéria: rica em subsídios para o conhecimento da dispersa produção pictórica de cavalete do artista.
    Parabéns!

Envie seu Comentário