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Por onde andará o outro Vasco Prado?

22 de abril de 2015 1

Em 1958: o Pavilhão da Festa da Uva com os dois paineis de Vasco Prado nas laterais da fachada. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Hoje ele encontra-se meio escondido, mal iluminado, oxidado e praticamente invisível aos olhos do público. Mas em 1954, quando o prédio do novo Pavilhão da Festa da Uva foi inaugurado, o painel em bronze assinado por Vasco Prado (1914-1998) era um dos destaques da fachada. Na verdade, não era apenas um, eram dois!

Conforme mostra a foto ampliada acima, de 1958, os dois murais decoravam as extremidades do pavilhão e faziam referência ao trabalho dos imigrantes e à industria. Em 1974, porém, quando o prédio passou por uma ampla reforma para abrigar a prefeitura, as fachadas foram modificadas.

A escultura próxima a Rua Alfredo Chaves foi transferida para a lateral (fotos abaixo). O painel da parede frontal mais ao fundo do terreno, próximo à Câmara de Vereadores, acabou retirado também. Mas, conforme relatos de historiadores e antigos funcionários, “desapareceu”.

Clique nas imagens para ampliar.

Em 1954: o pavilhão recém-inaugurado, com apenas o mural da esquerda já instalado. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Painel de Vasco Prado (à esquerda) ocupava originalmente a fachada do pavilhão, de frente para os jardins. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A prefeitura em obras em 1974, com o painel prestes a ser removido. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O prédio reformado e recém-inaugurado em 1975, com o painel na nova posição. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Preocupação com as obras

No início de 1974, Vasco Prado inclusive foi convidado a vir a Caxias conferir os trabalhos de remoção. Matéria do Pioneiro de 23 de fevereiro de 1974 destacava que “as obras de Vasco Prado estão preocupando seriamente o prefeito Mário Bernardino Ramos. O perigo de que alguma delas venha a danificar-se é grande”.


Destino é um mistério

Hipóteses sobre o destino do painel pipocaram nos últimos 40 anos: desde ele ter sido levado escondido para uma chácara no interior até ter sido derretido. No início dos anos 2000, foi solicitado um pedido de informações sobre a escultura, mas a investigação não andou.

Fica a pergunta: por onde andará o outro Vasco Prado?

O atual cenário

Nas imagens abaixo, a remodelação da fachada em 1974 e o painel atualmente.

A fachada pela Rua Alfredo Chaves em reformas, antes de receber o painel de Vasco Prado. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O painel hoje: obra de Vasco Prado carece de iluminação noturna e limpeza. Foto: Rodrigo Lopes

O painel de Vasco Prado hoje: obra carece de iluminação noturna e limpeza. Foto: Rodrigo Lopes



A fachada dos fundos da prefeitura, onde o segundo painel estava localizado antes da reforma de 1974. Foto: Roni Rigon, banco de dados

Foto: Roni Rigon, banco de dados

O Negrinho do Pastoreio

Além dos dois paineis do antigo Pavilhão da Festa da Uva, em 1954 Vasco Prado esculpiu o Negrinho do Pastoreio que decora o jardim da prefeitura até hoje. O artista desenvolveu outras três réplicas: uma existente no CTG Rincão da Lealdade, outra no Palácio Piratini, em Porto Alegre, e a terceira na Av. Júlio de Castilhos, em São Francisco de Paula.

Outro marco artístico do prédio também quase “sumiu”. O painel “Do Itálico Berço a Nova Pátria Brasileira”, pintado por Aldo Locatelli para a inauguração do prédio, em 1954, foi atingido parcialmente por um incêndio em 1992.

Totalmente restaurado em 1999, ele pode ser apreciado na íntegra no segundo pavimento.

Há quase 60 anos: o Pavilhão da Festa da Uva em 1958, com os paineis de Vasco Prado nas laterais. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O prédio hoje: sede do Centro Administrativo Municipal desde 1974. Foto: Roni Rigon, banco de dados

Comentários (1)

  • Inacio Santini diz: 22 de abril de 2015

    Rodrigo isso e Caxias do Sul que além de perder historia ainda derrete o pouco que sobrou, vc e um herói ao resgatar a pouca historia que nossa cidade ainda guarda

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